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Correio Braziliense

Professores comentam greve-geral

Docentes que participaram de ato do Sinpro-DF na Praça do Buriti compartilham opiniões sobre a paralisação


postado em 14/06/2019 14:57 / atualizado em 14/06/2019 17:03

(foto: Samara Schwingel/Esp. CB)
(foto: Samara Schwingel/Esp. CB)

 
A educação também ficou marcada pela greve geral nesta sexta-feira (14), convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e por centrais sindicais. Em Brasília, o Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) promoveu o ato na na Praça do Buriti. Segundo a PM, o ato reuniu 400 pessoas. De acordo com o próprio Sinpro-DF, foram 3 mil presentes. A classe educadora se coloca contra a reforma da Previdência, o corte de verbas na Educação e em defesa do emprego. Confira opiniões de professores:
 
 

O professor de história, Francinaldo Pereira Lima, 44 anos, conta que o dia é de lutar pela permanência de direitos há adquiridos. "Hoje viemos cruzar os braços e dizer que não aceitamos ataques aos nossos direitos e à democracia. Somos contra essa reforma que quer acabar com nossa aposentadoria. Queremos que nossos direitos permaneçam", diz. "Em nível local, queremos que o governador se sensibilize e faça com que o Plano Distrital de Educação (PDE) volte a ser trabalhado. Principalmente a meta 17, que pede isonomia salarial dos professores com outras categorias de nível superior", observa. "Também somos contra o sucateamento e o negligenciamento da educação. Isso é intencional, para que as coisas sejam mantidas como estão. Não há outra ferramenta de mudança na sociedade que não a educação", defende.
 

A orientadora Elionilde Garcez, 53 anos, veio se manifestar contra a reforma. Ela ressalta que, caso essa seja aprovada, isso beneficiará apenas os mais privilegiados. Além disso, ela protesta contra o projeto enviado pelo governador Ibaneis Rocha à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) que altera a licença-prêmio, transformando em licença para capacitação. "A população está cansada de sofrer. Precisamos de uma aposentadoria decente. Querem fazer a retirada de benefícios já conquistados. Não permitiremos", protesta.


Durante o ato, foi lançada ainda a campanha "Fora Weintraub, inimigo da educação". A diretora do Sinpro-DF Rosilene Corrêa explica que a campanha surgiu para que a população se atente ao perfil do ministro da Educação. "Tem um desmonte e um ataque à educação em todos os níveis. Essas medidas do governo empobrecem culturalmente o país. Precisamos dessa campanha para dar destaque, dar evidência a essas medidas e mostrar quem é o mentor disso", destaca. "Vamos analisar o melhor modo de ação, com peças publicitárias e com materiais para alunos de ensino médio. Temos um trabalho com jornal específico de leitura com linguagem de juventude. Queremos desmontar esse ataque à imagem dos professores e à da educação pública. O que está em jogo é a privatização da educação pública, em especial, o ensino superior", relata.

Nesta semana, houve o anúncio de que outras seis escolas participarão do modelo de gestão compartilhada entre a Secretaria de Educação do DF e a Polícia Militar, a chamada "militarização" das escolas. O Sinpro-DF também se posiciona contrário à prática. "O governo tenta convencer a população de que, militarizando as escolas, terá boa educação e combate à violência. Essa não é a solução. Não se forma com imposição, precisamos de mais investimentos. Mas o que temos são cortes. Daí vem a forca da polícia, para impor disciplina com armas. Não entendemos educação assim", declara  Rosilene.

A diretora acredita que o movimento de greve teve um saldo positivo ao chamar a atenção da população para a causa. "É um processo de convencimento, de construção. O Brasil se dividiu desde 2013. Há um clima de desconfiança, mas a classe trabalhadora está entendendo que o prejuízo é para ela, não para o rico. É ela que precisa reagir", defende. "A educação já deu uma mostra de força no dia 15 de maio e, hoje, a classe trabalhadora de modo geral, incluindo professores, bancários e rodoviários. A luta é isso, vamos continuar e infelizmente, hoje não será a última. O importante é chamar a atenção da população para o que está acontecendo no país. Se acelerarem a reforma, terá muito barulho. O movimento que eles farão é que definirá o nosso ritmo. Estamos em alerta", conclui.

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