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Correio Braziliense ENSINO ESPECIAL

Escola estimula alunos com altas habilidades em Ceilândia

O atendimento é feito na EC 64 e auxilia no desenvolvimento de aptidões de estudantes superdotados de colégios públicos e particulares


postado em 10/07/2019 11:39 / atualizado em 10/07/2019 12:45

Esculturas, pinturas e livros espalhados pelo ateliê, pôsteres científicos pendurados na classe ao lado e maquetes com sistemas elétricos no laboratório. Esses são alguns dos cenários repletos de produções de crianças e adolescentes das salas de recursos do programa de atendimento aos portadores de altas habilidades na Escola Classe 64 de Ceilândia. 
 
A instituição recebe estudantes dos ensinos fundamental e médio com potencial elevado para desenvolver as aptidões acadêmicas e artísticas no turno contrário às aulas regulares. Os alunos são de escolas públicas e particulares da região e também são atendidos por uma psicóloga. Nas salas de recursos, cada um trabalha em um projeto individual de sua escolha com o auxílio de professores especializados no ensino especial, além de outras atividades propostas. Ao fim de cada ano, uma mostra é organizada para apresentar à população os trabalhos dos estudantes.
 
Os alunos da turma do professor Rosevaldo Queiroz dedicam-se a projetos na área de biologia(foto: Brenda Silva/Esp. CB/D.A Press)
Os alunos da turma do professor Rosevaldo Queiroz dedicam-se a projetos na área de biologia (foto: Brenda Silva/Esp. CB/D.A Press)

Atividades de sobra

Na área acadêmica, crianças entre 8 e 10 anos participam das turmas iniciais e fazem atividades diversas, como Guilherme de Souza Gomes, 10 anos, que está no 5º ano do ensino fundamental. Na sala de recursos, Guilherme é um dos mais falantes e atua como porta-voz da turma. “Aqui a gente costuma fazer projetos no computador, com LEGO e até jogamos xadrez. Às vezes, a professora também passa vídeos sobre astronomia”, conta. 
 
Crianças da turma de anos iniciais da área acadêmica. Guilherme de Souza é o primeiro à esquerda.(foto: Brenda Silva/Esp. CB/D.A Press)
Crianças da turma de anos iniciais da área acadêmica. Guilherme de Souza é o primeiro à esquerda. (foto: Brenda Silva/Esp. CB/D.A Press)
 
Para Guilherme, a atividade mais interessante é jogar Minecraft, e ele faz questão de explicar. “É um jogo em que você constrói o que quiser usando blocos”, esclarece e completa: “Eu achei esse jogo bacana, porque ele usa bastante a imaginação e a criatividade para construir casas, prédios e até na decoração”.

“Eu me expresso melhor pela escrita”

A partir do 6º ano do ensino fundamental, os estudantes podem escolher turmas de assuntos específicos das áreas da ciência e das exatas. É o caso de Maria Luiza Honorato que, aos 9 anos, foi diagnosticada com altas habilidades em linguagens e alto desempenho na área de humanas e matemática. Logo, entrou no programa para desenvolver suas aptidões. “Eu fiquei encantada, porque não é uma coisa que a gente tem abertura para fazer na escola”, relata. Atualmente, a estudante tem 16 anos e está na reta final do ensino médio. 
 
Atualmente, Maria Luiza Honorato faz parte da turma do professor de Marlon Santos e está desenvolvendo um jogo com os colegas(foto: Brenda Silva/Esp. CB/D.A Press)
Atualmente, Maria Luiza Honorato faz parte da turma do professor de Marlon Santos e está desenvolvendo um jogo com os colegas (foto: Brenda Silva/Esp. CB/D.A Press)
 
Segundo Maria Luiza, o atendimento ajudou na expansão do conhecimento dela, principalmente na escrita, que é a melhor forma de expressão para a adolescente. “Eu compreendi o que eu tenho facilidade, até onde eu vou e que eu ainda posso ir muito além”, conta. Maria está desenvolvendo um jogo, projetado e monitorado em computador, com outros colegas no laboratório da escola. 
 

Diferença do ensino regular

A pedagoga especializada em educação inclusiva Gizelle Pires Ferreira Mendes, 40, é uma das coordenadoras e explica que o atendimento não é obrigatório, mas complementar ao aprendizado do dia a dia de crianças e adolescentes. A prática de conteúdos passados em sala de aula no turno contrário também é um dos motivos que levou a professora Maria Cláudia Alves a participar do programa.

“Como professora de artes no ensino regular, eu leciono apenas a história e não dá para trabalhar a artesania como eu faço com alunos de altas habilidades”, conta. Maria Cláudia tem diploma de bacharelado em artes plásticas e de licenciatura em educação artística e se especializou na superdotação para atender os estudantes. 


O programa

A EC 64 de Ceilândia recebe os estudantes superdotados desde 2005. Atualmente, 172 jovens entre 6 e 19 anos são atendidos por uma equipe de oito pessoas. As itinerantes Gizelle Pires e Saron Gomes coordenam o atendimento e fazem o intercâmbio com outras instituições, a psicóloga Rachel Fernandes avalia os alunos e os professores Marlon Santos, de matemática, Rosevaldo Queiroz, de biologia, Carla Oliveira, da área acadêmica para anos iniciais, e Maria Cláudia Alves e Sandra Regina, de artes, acompanham os estudantes. 
 
Os estudantes da área artística fazem projetos individuais que ficam expostos na sala de artes(foto: Brenda Silva/Esp. CB/D.A Press)
Os estudantes da área artística fazem projetos individuais que ficam expostos na sala de artes (foto: Brenda Silva/Esp. CB/D.A Press)
 
Para entrar no programa, os alunos são encaminhados por meio de uma ficha pela escola, família ou até por iniciativa própria. Antes de passar por uma triagem e ser convocada, a inscrição do estudante vai para uma relação de nomes que é analisada por ordem de chegada. “O tamanho da lista de espera é significativo. A gente recebe alunos da Ceilândia inteira, de escolas públicas e particulares, então nem sempre temos vagas disponíveis”, conta Gizelle.
 
Devido à frequência de alunos que iniciam o programa sem saber exatamente qual área seguir, eles costumam passar por aulas exploratórias para conhecer os assuntos que possam gerar interesse. "Aqui, nós transitamos por várias expressões artísticas como escultura, pintura e produção literária", explica a professora Maria Cláudia sobre o atendimento voltado para artes.
 
A sala de artes da escola é repleta de livros, pinturas, esculturas e desenhos feitos pelos alunos(foto: Brenda Silva/Esp. CB/D.A Press)
A sala de artes da escola é repleta de livros, pinturas, esculturas e desenhos feitos pelos alunos (foto: Brenda Silva/Esp. CB/D.A Press)
 

No Distrito Federal

O Atendimento Educacional Especializado (AEE) voltado para estudantes superdotados da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF) existe há mais de 40 anos. Segundo o  Censo Escolar da pasta, 676 alunos foram atendidos em 2018. São 50 salas de recursos com variados temas em 14 regionais de ensino espalhadas pelo DF: Plano Piloto (Asas Sul e Norte), Brazlândia, Ceilândia, Cruzeiro, Gama, Guará, Lago Norte, Núcleo Bandeirante, Planaltina, Samambaia, São Sebastião, Sobradinho, Taguatinga e Varjão.
 

Altas Habilidades na Escola Classe 64 de Ceilândia 

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Telefone: (61) 3901-3764

E-mail: altashabilidadesceilandia@gmail.com 

Endereço: Área Especial, EQNM 17/19, Conjunto G, Ceilândia Sul, Brasília (DF)

 
*Estagiária sob supervisão de Ana Sá

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