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Correio Braziliense INOVAÇÃO

Estudantes participam da maior competição de empreendedorismo tecnológico

A iniciativa, chamada de Startup in School, foi criada pela consultoria Ideias de Futuro com apoio da gigante da tecnologia Google


postado em 17/08/2019 07:00 / atualizado em 19/08/2019 13:32

Promover e acompanhar estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFB) no desenvolvimento de aplicativos de impacto social foi o objetivo do programa Startup in School (SiS) Edição Google Brasil nesta semana. Os jovens também competem por uma vaga na final da hackathon, que ocorre no câmpus do Google for Startups, em São Paulo. Os vencedores receberão uma pré-aceleração na iniciativa. A maratona, que reuniu capacitação de alunos, professores e comunidade em programação e competição, começou em 8 de agosto e acaba hoje (17).
 
Jaciara é fundadora do programa com o objetivo de fortalecer a cultura empreendedora tecnológica nas escolas públicas(foto: Clara Lobo/Esp. CB/D.A Press)
Jaciara é fundadora do programa com o objetivo de fortalecer a cultura empreendedora tecnológica nas escolas públicas (foto: Clara Lobo/Esp. CB/D.A Press)
 
Criado pela Ideias de Futuro, consultoria em inovação social com foco em educação, o programa visa fortalecer a cultura empreendedora tecnológica nas escolas públicas. O projeto existe desde 2014. "Os estudantes constroem startups seguindo uma metodologia, desenvolvem competências empreendedoras, têm aulas de iniciação em programação, criam um protótipo de aplicativo e apresentam as ideias para uma banca de jurados", explica a diretora-geral e fundadora do programa, Jaciara Cruz. 

As primeiras edições do SiS ocorreram em 2015, quando o Google premiou e começou a apoiar a ideia. Desde então, mais de 1,5 mil estudantes, 250 professores, 75 mentores e 100 jurados participaram do programa. A diretora-geral conta que é a primeira vez do SiS em âmbito nacional. Cinco escolas, uma em cada região do país, estão envolvidas. A edição virtual também é a novidade do ano. 
 
Áurea e Heitor querem aumentar o turismo brasiliense com o aplicativo(foto: Clara Lobo/Esp. CB/D.A Press)
Áurea e Heitor querem aumentar o turismo brasiliense com o aplicativo (foto: Clara Lobo/Esp. CB/D.A Press)
 
Além do impacto social, o fomento da cultura de empreendedorismo escolar é a principal preocupação de Juciara. Por isso, educadores também são capacitados pelo programa. "A formação de professores em competências empreendedoras é uma demanda das escolas porque elas viram o interesse que o evento gerava nos alunos e queriam entender aquela língua", relata a diretora-geral. 

O interesse dos jovens pela SiS foi maior do que o esperado, revela Juciara. As 50 vagas abertas foram preenchidas em poucos minutos e a lista de espera ficou lotada. "A oportunidade é importante para que os estudantes percebam como podem colocar em prática os conhecimentos adquiridos na escola", afirma. "Eles acabam encontrando um propósito naquilo que estão estudando e isso aumenta a vontade de aprender e o engajamento deles na comunidade", completa. 
 

Iniciativa de impacto no cerrado

Os estudantes Yasmin Firmo, 17 anos, e Mateus Rocha, 16, participam do grupo desenvolvedor do aplicativo Ipê Vermelho. A ideia foca na assistência para o Corpo de Bombeiros e pessoas que moram em áreas de risco de incêndio. Segundo os adolescentes, o objetivo é que a plataforma conecte, de forma quase instantânea, o morador que encontrou uma queimada e o bombeiro mais próximo. 
 
 Yasmin e Mateus desenvolvem aplicativo para ajudar no contato de pessoas que moram em áreas de risco de incêndio com o Corpo de Bombeiros(foto: Clara Lobo/Esp. CB/D.A Press)
Yasmin e Mateus desenvolvem aplicativo para ajudar no contato de pessoas que moram em áreas de risco de incêndio com o Corpo de Bombeiros (foto: Clara Lobo/Esp. CB/D.A Press)
 
"Como a nossa vegetação é o cerrado, sofremos bastante com incêndios todo ano", contextualiza Yasmin. "A gente quer mostrar para as pessoas onde ocorrem as queimadas e não tem nenhuma iniciativa específica assim em Brasília", completa. A jovem mora no Itapoã e cursa o 3º ano do ensino médio integrado ao curso técnico de eventos no IFB. "É uma oportunidade muito grande porque eu nunca tive experiência e quero aprender coisas diferentes", conta. 

Yasmin também faz um cursinho preparatório para o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) com o objetivo de ingressar na graduação em estética. Mateus acrescenta outro plano para a iniciativa trabalhada no SiS: promover eventos com a comunidade para reflorestar as regiões destruídas por incêndios com mudas do cerrado. No desenvolvimento do aplicativo, Mateus, estudante do 2º ano do ensino médio integrado ao curso técnico de informática no IFB, revela que está na reta final. 
 

"A gente já está fazendo o protótipo do aplicativo e finalizando partes básicas, como o envio de mensagens", conta. Ingressar na graduação de engenharia da computação e passar num concurso é o caminho que Mateus prevê para trabalhar no ramo de criminalística. A proposta da competição agradou bastante o jovem. "Eu me interessei porque é uma coisa que pode mudar a minha vida e me ajudar a descobrir as áreas que eu quero", afirma. 

Mixagem de experiências

Fortalecer o turismo de Brasília é o objetivo do grupo dos estudantes de ensino médio integrado ao curso técnico de informática, formado por Áurea Elizabete, 15 anos, e Heitor Jorge, 16. Os alunos, após analisarem, afirmam que tantos os turistas quanto os brasilienses, não sabem como funcionam os pontos turísticos da capital federal. 

A ideia é que o aplicativo mostre um mapa com esses locais e suas informações, como descrição, endereço, preços e avaliações de outros turistas. "Terão os lugares mais e menos conhecidos de Brasília, para que os próprios moradores possam conhecer pontos novos", explica Áurea, que está no 1º ano do ensino médio. A moradora do Lago Norte conheceu o SiS por meio da divulgação dos professores e entrou no programa mesmo estando na lista de espera. Áurea acredita que a experiência é importante para os estudos dela, assim como para o currículo.

Para Heitor, o programa trouxe muitos benefícios. "É uma mixagem de experiências, porque agrega ao nosso conhecimento o desenvolvimento de softwares e aplicativos, além do entendimento melhor do mercado", conta o estudante do 2º ano do ensino médio. Heitor já tem planos para o futuro após o ensino básico. "Eu vou tentar entrar para Escola Naval ou para a Escola de Sargentos da Aeronáutica e, se não der certo, vou tentar fazer a graduação em engenharia química ou elétrica", afirma.
 
*Estagiária sob supervisão de Ana Sá  

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