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Correio Braziliense

MG: Escola anula prova após pais reclamarem de conteúdo crítico a Bolsonaro

No artigo que consta no teste de Língua Portuguesa, o autor aponta que o governo é um ''gatilho poderoso para a depressão''


postado em 10/10/2019 08:48 / atualizado em 10/10/2019 08:49

Reprodução do texto de exame que provocou reação de pais no momento em que a Câmara discute o projeto da ''Escola sem Partido''. Clique na imagem para ler o texto completo(foto: Reprodução)
Reprodução do texto de exame que provocou reação de pais no momento em que a Câmara discute o projeto da ''Escola sem Partido''. Clique na imagem para ler o texto completo (foto: Reprodução)
Pais reclamam de conteúdo partidário em uma prova do 2º ano do ensino médio do Colégio Loyola, em Belo Horizonte (MG), e escola anula exame. As reações foram por causa de textos do ator e escritor Gregório Duvivier e do cientista político Mathias Alencastro, ambos colunistas do jornal Folha de S. Paulo, com críticas ao governo de Jair Bolsonaro. Elas constavam em prova de Língua Portuguesa aplicada na última segunda-feira (7/10).

 

A anulação ocorre no mesmo momento em que a Câmara Municipal de Belo Horizonte vive dias agitados com a tramitação de projeto de lei conhecido como Escola sem Partido, que proíbe professores de dar opiniões e visões políticas em sala de aula. Entre os objetivos da proposta, está a “neutralidade política, ideológico e religiosa”, além do impedimento da instituição de ensino abordar questões sobre a orientação sexual.

 

A prova do Loyola não pedia que alunos opinassem sobre os textos, mas que respondessem a questões fechadas relacionadas à língua portuguesa. As reclamações dos pais de alunos, que viralizaram nos grupos de WhatsApp, recaem principalmente sobre o texto do ator e escritor Gregório Duvivier, assumidamente contrário ao governo Bolsonaro.

No artigo que consta no teste de Língua Portuguesa, o autor aponta que o governo é um “gatilho poderoso para a depressão” e que o presidente “parece eleito pela indústria farmacêutica para vender antidepressivo”. Também afirma que “se tivesse votado nesse governo contra a corrupção estaria comprando um chicotinho da Opus Dei e passaria dias me mutilando em praça pública”.

 

E escreve que, se estivesse tentando o concurso do Itamaraty e visse o presidente nomeando o filho embaixador, “talvez desse um tiro no coco”, em referência à indicação de Eduardo Bolsonaro (PSL-MG) para a Embaixada dos Estados Unidos. Já o texto de Mathias Alencastro abordou, em especial, a participação de Bolsonaro na Conferência da ONU e criticou a política ambiental do mandatário.

Apartidarismo

Uma mãe, que pediu anonimato, para preservar o filho, escreveu uma carta à direção para demonstrar sua “indignação”. Nela, questiona o apartidarismo da instituição. “Se os alunos tiverem que ter contato com o âmbito político, que tenham a partir de várias fontes. Que tenha um escritor de direita também”, pondera. A mãe também critica a qualidade do texto escolhido para a prova de português. “Além de tudo, é um texto mal escrito, raso, com termos chulos e uma fala inadequada sobre suicídio justamente no Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio”, afirma.

 

Em comunicado endereçado às famílias, o diretor do colégio, Juliano Oliveira, informa que a avaliação foi anulada e que a escola está levantando informações sobre o contexto da aplicação do exame para tomar providências cabíveis. Também reafirmou o “posicionamento apartidário” na condução do processo educativo.

 

Segundo o informe, o trabalho da escola tem como diretriz o documento “Abordagem de Temas Transversais para formação integral inaciana na escola básica”. “Esse documento tem como objetivo nortear o trato adequado de conteúdos em sala de aula, resguardando a qualidade acadêmico-pedagógica para além de qualquer posicionamento político e/ou ideológico”, explica.

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