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Correio Braziliense

Alunos do DF conquistam medalhas em olimpíada de matemática na China

Oito estudantes do Colégio Militar Dom Pedro II viajaram à China para a Olimpíada Mundial de Matemática, dois deles voltam para o DF com medalhas de bronze


postado em 29/11/2019 15:53 / atualizado em 02/12/2019 14:41

"É uma medalha que foi conquistada por todos", acredita Clarice Vasconcelos, mãe de Bruna (foto: Nicolas Braga/Esp. CB/D.A Press)

 
“A gente foi para buscar experiências, fazer um intercâmbio e ver qual a atenção que eles dão pra educação na China. Fomos com esse intuito e vieram as duas medalhas de bronze, ficamos muito felizes, foi uma surpresa”, comemora o professor Ronan Gomes de Amorim, subtenente do corpo de bombeiros e professor de matemática do Colégio Militar Dom Pedro II.
 
Ele é um dos responsáveis pelo projeto OBMEP nas Escolas, que prepara os alunos do Pedro II para olimpíadas de matemática. O Eu, Esutante conversou com a equipe antes da viagem. Os oito integrantes da equipe foram selecionados para o World Mathematics Team Championship, maior campeonato de matemática da China, por meio de concorrência interna. Em meio a dificuldades financeiras, a escola conseguiu patrocínio da Associação de Pais e Mestres da instituição (APAM) que arcou com 54% dos gastos. Para completar o valor restante, alguns pais fizeram uma vaquinha para a viagem dos filhos.
 
Quem acompanhou os alunos desde o início do processo foi o professor de matemática Edgard Cândido dos Santos, 41 anos. Ele auxiliou o grupo desde a organização dos documentos até a voltarem da China. O professor conta que a Polícia Federal facilitou certos procedimentos. “Entregamos o necessário para o passaporte na segunda e na quarta já estava pronto. Pedimos o visto na sexta e nos entregaram na segunda”, destaca.
 
Quanto à preparação para os testes, Edgard lembra que os alunos se empenharam muito. “Eu ensinei assuntos de ensino médio e eles foram estudando dentro do avião e no hotel.” O professor confessa que ficou surpreso com as medalhas que o colégio conseguiu. Enquanto aplicava a prova, ele notou que os estudantes levavam em média, três segundos para responder. “Eles pareciam uma máquina. A gente entregava a prova, o menino olhava e já respondia. Fiquei assustadíssimo”, brinca. Na hora da premiação, Edgard quase não acreditou quando chamaram o nome da escola. “Todo mundo chorou.”

“Traz uma medalha para mim”

 

Tiago Leal foi um dos medalhistas (foto: Nicolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
Tiago Leal foi um dos medalhistas (foto: Nicolas Braga/Esp. CB/D.A Press)

Carla Leal, 38 anos, tomou um susto quando recebeu a notícia que o filho Tiago, 12, faria a primeira viagem internacional. “A minha ficha e a do pai dele só caíram quando conseguimos o visto porque foi muita coisa para gente resolver.” Como o custo era alto, os pais fizeram uma vaquinha on-line e arrecadaram mais de sete mil reais.

Antes do embarque de Tiago, a mãe fez um pedido: “Filho, traz para mim a medalha?”. O filho disse que faria o melhor para conseguir. Quando a Carla recebeu a notícia de que Tiago conquistou o prêmio, não se conteve. “Eu fiquei em estado de êxtase e comecei a gritar. É emocionante demais ver seu filho com 12 anos fazer a primeira viagem para o exterior sozinho e conquistar uma medalha”, emociona-se. Quando o aluno desceu do avião, a primeira coisa que ele disse à mãe foi “você me pediu, eu trouxe.”
 
O adolescente conta que ficou muito feliz com a conquista. Ele confessa que, embora não tenha estudado muito, tentou ficar concentrado. “Não brinquei nos dias que a gente estava no hotel, antes da prova, para não perder o foco”, diz. Para ele, essa é a dica. Na hora da olimpíada, o aluno refletiu e seguiu o conselho dos seus pais: “A gente sempre conversa com ele e falamos que ele não tem obrigação de ser o melhor, mas de dar o melhor dele”.

Apoio de mãe

 

Isabella Portella pediu férias do trabalho e acompanhou a filha na viagem(foto: Nicolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
Isabella Portella pediu férias do trabalho e acompanhou a filha na viagem (foto: Nicolas Braga/Esp. CB/D.A Press)

Isabella Portella, 37 anos, pediu férias do trabalho para acompanhar a filha na viagem à China. “Eu fiquei insegura para deixar a Stella ir para um país tão distante. Em caso de emergência, eu levaria mais de 40 horas para chegar lá”, relata. Ela não foi a única a se preocupar. Outros pais só deixaram os filhos irem porque havia uma mãe. “Aí acabou que eu virei a tia Isa. Os professores foram com todo o suporte técnico de preparação e eu acabei sendo o suporte materno da viagem.”
 
Além de ajudar com a alimentação, que era muito diferente, ela também tornou-se tradutora do passeio. “Nosso guia falava inglês, mas a maioria das pessoas no nosso ônibus não entendia, então acabei ficando como tradutora”, brinca. Algumas vezes, ela saia para comprar comidas parecidas com as brasileiras, além de preparar algumas refeições. 

Isabella achou que seria muito difícil para os brasileiros conquistarem alguma medalha porque os chineses são muito rápidos e a forma de raciocínio deles é diferente. No final, quando soube que dois alunos do Pedro II foram premiados, ficou muito feliz. “Até as crianças que não ganharam ficaram muito felizes pelos colegas. Eles construíram, nessa viagem, um time. Foi emocionante.”

Depois de tanta dificuldade para conseguir dinheiro, ela faz um pedido: “A gente tentou patrocínio com o governo, com empresas e não conseguimos. Quem nos apoiou foi a Associação de Pais e Mestres da instituição (APAM). E nós vimos que outras escolas, no Rio de Janeiro e São Paulo conseguiram. Então, quero deixar meu pedido para que as empresas de Brasília, o GDF e o Governo Federal apoiem essas iniciativas. Isso traz um resultado para a imagem do Brasil como um todo e estimula as outras crianças a estudarem mais.” 

Stella Portella, 12, ficou com vergonha assim que soube que a mãe iria para a China com ela, pois nenhum aluno estava levando os pais. Contudo, a estudante viu como foi importante a ida da sua mãe. “No final foi bom porque ela conseguiu nos ajudar bem”, pontua. 

Antes da viagem, Stella confessou ao Correio Braziliense que estava muito animada para conhecer a Muralha da China. O momento de ver o monumento foi ainda melhor por causa da companhia. “É muito bom ter uma experiência dessas com a minha melhor amiga, a Bruna.” Quando Stella soube a amiga havia ganhado a medalha, não se conteve. “Eu fiquei muito orgulhosa, chorei muito.” 

É mérito dela” 

 

Os pais ficaram orgulhosos da filha, Bruna Vasconcelos(foto: Nicolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
Os pais ficaram orgulhosos da filha, Bruna Vasconcelos (foto: Nicolas Braga/Esp. CB/D.A Press)

Os servidores públicos Marcos Vasconcelos, 50 anos, e Clarice Vasconcelos, 40, emocionaram-se com a conquista da filha, Bruna Vasconcelos. Ela foi uma das poucas meninas que conquistou medalha na olimpíada. A estudante foi para a China sem muitas expectativas. “Quando ganhei, fiquei muito feliz”, comemora.
 
Ao saber do feito da filha, os pais, orgulhosos, não hesitaram em divulgar. “Quando ela passou para representar foi muito bom, mas quando a gente soube que ela tinha medalhado, foi muita emoção. A gente chorou. Liguei para a minha mãe e choramos juntos”, sorri Marcos.

“Bruna sempre foi uma grande aluna, o mérito é todo dela”, conta Clarice. Enquanto a filha estava em outro continente, a comunicação foi toda feita no Wechat, pois o WhatsApp não é permitido pelo governo chinês. “Nos falávamos todos os dias, durante a noite de lá, enquanto era dia aqui. Ela (Bruna) me falava como tinha sido o dia”, relata. 

As categorias da olimpíada não eram definidas pela série do candidato, mas pela idade. Bruna tem 12 anos e está no sétimo ano, mas estava disputando com estudantes do nono ano. “Como ela concorreu com pessoas de séries mais avançadas e que já tinham estudado mais coisas que ela, o feito é ainda maior”, explica a mãe. 

No entanto, a preocupação dos pais quase impediu a adolescente de viajar. “Porque ela é menina e só iria professor. Além disso, é um país de cultura totalmente diferente e é muito distante”, conta Clarice. Quando uma figura materna disse que iria, o coração dos pais ficou mais tranquilo. “Ela não teria ido sem a mãe da Stella”, enfatiza. “A gente viu como uma oportunidade de abrir novos horizontes e mostrar para ela que o mundo é muito grande. Não é só o casulinho da nossa cidade.”

Os pais comemoram não apenas a medalha da filha, mas a tentativa de todos os que viajaram. “A conquista é de todos os alunos que foram e dos professores. Eles estão de parabéns. É uma medalha que foi conquistada por todos.”
 

"Ela não trouxe a medalha, mas trouxe experiências, que eu acho que é o mais importante em todo o processo", Claudia Hubner Godoy, 38, mãe de Lara Hubner. (foto: Nicolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
"Eu queria que nessas olimpíadas tivessem mais meninas. Na delegação da Bulgária, por exemplo, eu só vi uma, e era uma delegação bem grande." destaca Marjorie Nunes Naves, filha de Patrícia Naves. (foto: Nicolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
"A ficha de que Ilyan iria para a China só caiu quando o colégio chamou a gente para a reunião. A questão financeira pesou muito, porque foi uma despesa de última hora, mas foi uma oportunidade para o incentivar", diz Rosângela Simonetti, 51, mãe de Ilyan Mecabô. (foto: Nicolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
"Tivemos menos de um mês para conseguir o dinheiro. Mobilizei amigos e familiares. Fiquei muito feliz quando soube que iria uma mãe com os alunos, Alivia o coração", relata Letícia Narciso, 44, mãe de Arthur Narciso. (foto: Nicolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
 
 

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