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Correio Braziliense

Escola no PI pede kit de médico para meninos e de cozinha para meninas

Lista de material escolar do Instituto Dom Barreto, em Teresina, causa polêmica ao solicitar brinquedos de acordo com o gênero das crianças


postado em 15/01/2020 18:06 / atualizado em 15/01/2020 19:15

 O Instituto Dom Barreto (IDB), em Teresina, no Piauí, causou polêmica ao pedir, na lista de material escolar para alunos de educação infantil, "kit médico” para os meninos e ‘“kit cozinha” para s meninas. Há alguns anos o colégio tem aparecido entre os melhores colocados do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), inclusive em 2018.

O Instituto Dom Barreto (IDB) solicitou na lista de material escolar
O Instituto Dom Barreto (IDB) solicitou na lista de material escolar "kit médico" para os meninos e "kit cozinha" para as meninas (foto: Reprodução/Instituto Dom Barreto )
 

 

Em publicação feita numa rede social, o tio de uma aluna reclamou do pedido. “Não adoeçam as crianças, ensinem a elas sobre o mal do machismo, preconceito e homofobia, quando for o momento mais adequado”, declarou.

 

Lista traz brinquedos específicos para meninas e meninos (foto: Reprodução/Facebook)
Lista traz brinquedos específicos para meninas e meninos (foto: Reprodução/Facebook)
 

 

Além de solicitar que meninos levem kits referente de médico, mecânico ou bombeiro e que as meninas comprem kits de cozinha ou de salão, as especificações continuam em outros itens da lista. As garotas devem levar boneca, e os garotos, carro de brinquedo.

Bola é solicitada apenas aos meninos (foto: Reprodução/Facebook)
Bola é solicitada apenas aos meninos (foto: Reprodução/Facebook)
 

 

No tópico que especifica o material de uso coletivo, a escola pede que os garotos que levem bola e funil. Já para as meninas, restou levar peneira. Nas redes sociais, internautas mostraram indignação com o caso.

 

 

Em nota de esclarecimento, o Instituto Dom Barreto alegou que “a divisão por sexo de alguns itens, exclusivamente da série do Infantário, dá-se apenas a título de garantir a diversidade de itens em cada sala” e que as atividades desenvolvidas com o material são feitas por todos os alunos.

 

O colégio afirmou também que avaliar a escola apenas pelos itens da lista de material é arriscado e que “se orgulha, ainda, de contribuir para a formação educacional de mulheres e de homens conscientes do protagonismo feminino em qualquer profissão que decidam seguir”.

 

Mesmo com a forte repercussão negativa e com a nota publicada, a lista de material escolar do infantário disponibilizada no site oficial do IDB segue separando os brinquedos de acordo com o gênero das crianças. 

No site oficial do colégio, as especificações continuam(foto: Reprodução/Instituto Dom Barreto )
No site oficial do colégio, as especificações continuam (foto: Reprodução/Instituto Dom Barreto )
 

 

A relação de materiais escolares do maternal I e II também continuam com a separação.

Em publicação no Facebook, tio de aluna mostra indignação(foto: Reprodução/Facebook)
Em publicação no Facebook, tio de aluna mostra indignação (foto: Reprodução/Facebook)
 

 

 

Confira a nota de esclarecimento na íntegra:

 

"Cientes da importância de esclarecimentos sobre nossa lista de materiais, vimos explicar que a divisão por sexo de alguns itens, exclusivamente da série do Infantário, dá-se apenas a título de garantir a diversidade de itens em cada sala, visto que, como especificado (MATERIAL LÚDICO – BRINCAR DE FAZ DE CONTA), as atividades desenvolvidas com esses materiais solicitados são feitas por todos os alunos ao mesmo tempo (material de uso coletivo) ou dentro do contexto pedagógico de experiências plurais.

 

O objetivo não é estimular ou segregar uma profissão em detrimento de outra, tampouco reproduzir uma percepção caduca de atividades específicas e distintas para meninas e meninos. Nosso compromisso, sobretudo na Educação Infantil, é com o faz de conta, com a criatividade, com cooperação, com a socialização e a comunicação, com o desenvolvimento da oralidade, da motricidade, ou seja, tudo o que permita a nossas crianças conhecerem-se a si mesmas, aos outros e ao mundo.

 

Acreditamos que informações desvinculadas de qualquer fundamentação didático-pedagógica podem afastar o real sentido das práticas do ensinar e aprender e reduz o trabalho desenvolvido por profissionais capacitados, e mais que isso, comprometidos com a infância e, sobretudo, com a formação de cidadãos e cidadãs que, historicamente, orgulham nosso Estado e nosso país.

 

Avaliar uma escola, qualquer escola que seja, por um item da sua lista de materiais escolares é postura temerária, decorrente, muito provavelmente, do desconhecimento do histórico da instituição, que ao longo de sua existência tem primado por uma educação libertadora de quaisquer amarras derivadas de preconceitos e discriminações, e que se orgulha, ainda, de contribuir para a formação educacional de mulheres e de homens conscientes do protagonismo feminino em qualquer profissão que decidam seguir. Felizmente, a Escola tem colhido, nos mais diversos ramos profissionais, os resultados desse atuar.

 

Assim, a lista de materiais divulgada para essa etapa não tem o propósito de impor, limitar ou distinguir seus usos. Entretanto, como somos conscientemente aprendizes, encontraremos outros modos de dizer nos próximos anos.

 

Certos da confiança de nossa comunidade, desejamos um 2020 de Paz e Bem a todos."

 

*Estagiária sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa 

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