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Correio Braziliense

Janeiro Branco em escolas pode formar adultos mais maduros e decididos

Psicóloga brasiliense afirma que as instituições de ensino têm papel fundamental na saúde mental dos estudantes


postado em 24/01/2020 14:33 / atualizado em 24/01/2020 18:35

O Brasil é o país mais ansioso do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). São 86% dos brasileiros sofrendo com algum transtorno mental como ansiedade ou depressão, de acordo com a mesma instituição. Por essas e outras razões, em 2014 surgiu Janeiro Branco, mês de cuidado e prevenção da saúde mental. “O objetivo é conscientizar e informar todo mundo sobre a importância de cuidar da parte emocional”, afirma Bruna Lôbo, psicóloga clínica formada pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB).
 
Coautora do livro Saúde emocional na escola, que contou com outros 26 psicólogos, Bruna acredita que as instituições de ensino têm um papel fundamental na prevenção de transtornos mentais(foto: Nicolas Braga/Esp. CB/D.A Press )
Coautora do livro Saúde emocional na escola, que contou com outros 26 psicólogos, Bruna acredita que as instituições de ensino têm um papel fundamental na prevenção de transtornos mentais (foto: Nicolas Braga/Esp. CB/D.A Press )
 

Coautora do livro Saúde emocional na escola, que contou com outros 26 psicólogos, Bruna acredita que as instituições de ensino têm um papel fundamental na prevenção de transtornos mentais, como ansiedade, depressão e suicídio. “O cuidado com a saúde mental pode ajudar a diminuir esses números alarmantes”, diz. Uma das normas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é que escolas trabalhem habilidades socioemocionais com os alunos, e a psicóloga Bruna concorda.

“Importante desenvolver a educação emocional desde pequeno”, recomenda. “As escolas podem falar de janeiro branco durante todo o ano com palestras, rodas de conversas, oficinas e outras opções”, conta. Para Bruna, é fundamental trabalhar o autoconhecimento. “Quando você instrui crianças e adolescentes para que eles possam identificar o que eles sentem e saber como lidar com isso, eles desenvolvem formas para se proteger e evitar sofrimento.”

Entender sobre o básico da mente também pode esclarecer que nem tudo faz mal. “Ansiedade é boa, porque ela te impulsiona. Ela se torna ruim quando limita e você sente medo ou frio na barriga, por exemplo”, alerta. Em casos mais graves, esse sentimento pode se transformar em síndrome de Burnout ( tensão emocional crônica provocada por exposição a prolongados níveis de estresse no trabalho ou qualquer área da vida) e Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). 

Como profissional da área, ela gosta de desenvolver autonomia com crianças, pois acredita que facilita a vida adulta. “Uma criança que não consegue escolher não vai conseguir decidir nada no futuro”, adverte. Nesse sentido, a psicóloga recomenda começar com apenas duas opções para que o público infantil tenha que escolher, por exemplo, se quer leite ou suco de laranja. 

Além disso, a escola não pode se esquecer dos professores. “Existem muitos afastados por transtornos”, lamenta. A psicóloga explica que já teve uma paciente que, por exemplo, não conseguia volta à sala de aula. O trauma foi tão grande que ela não conseguia lecionar outra vez. Em outros casos, além do tratamento com psicólogo, são necessários remédios prescritos por psiquiatra. 

Informação

Bruna acredita que outro fator que contribui para o desenvolvimento de muitos transtornos é a desinformação. “Ainda há aquele pensamento de que quem vai ao psicólogo é louco. Ou que conversar com um amigo é melhor do que ir ao profissional”, relata. “Todos nós temos problemas, e desabafar com os amigos faz bem, mas a escuta qualificada é importante para que isso não se torne uma bola de neve e resulte, por exemplo, em ansiedade ou alguma síndrome.”

Janeiro Branco x Setembro Amarelo

Para a psicóloga Bruna, janeiro branco tem a mesma linha de importância que Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio. “Quando você cuida da saúde mental no início, você evita todo o restante, como ansiedade, depressão e até o suicídio”, afirma. Por isso, a profissional acredita que quando campanhas são feitas para informar pessoas, elas podem lidar melhor com as dificuldades. “Conseguindo identificar seus sentimentos, você percebe o que faz mal e aprende como evitar. Você adquire ferramentas para ter uma vida mais leve e plena.”

Participe!

Bruna promove rodas de conversa gratuitas e divulga em suas redes sociais (@psicologabrunalobo). O tema é O que não quero ser quando crescer. Com um método focado no indivíduo com suas peculiaridades, a psicóloga orienta jovens no processo de escolha. Ela já está organizando um novo ciclo de conversa para a próxima semana, então fica ligado. 

A maioria das atividades programadas parajJaneiro Branco já ocorreram, mas ainda há uma oportunidade em Sobradinho, neste sábado (25), a partir das 8h30, na administração da cidade. Haverá uma caminhada com destino ao estacionamento da Feira Modelo local, onde. Depois das 10h, começará uma programação repleta de ações: aula de dança, escuta psicológica, roda de conversa, oficina socioemocional, entre outros.
 
*Estagiária sob supervisão da editora Ana Sá  

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