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Correio Braziliense

Material escolar: Valores podem aumentar de 5% a 8% nos próximos dias

Em semana de início das aulas em escolas particulares, papelarias do DF continuam cheias para compras de última hora


postado em 27/01/2020 06:05 / atualizado em 27/01/2020 12:07

Clarissa com a filha Anaclara: momento usado para ensinar educação financeira(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Clarissa com a filha Anaclara: momento usado para ensinar educação financeira (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A poucos dias do início do ano letivo, a procura por material escolar se intensifica nas papelarias e livrarias do Distrito Federal. Muitos deixam para fazer as compras na última hora e acabam encontrando preços acima do esperado. De acordo com o Sindicato de Papelarias e Livrarias do Distrito Federal (Sindipel), com o crescimento da demanda e o esvaziamento dos estoques, alguns itens podem sofrer alta de 5% a 8% nos próximos dias.

O presidente da entidade, José Aparecido da Costa Freire, assegura que, agora, não adianta mais os consumidores se preocuparem, pois “os aumentos que tiveram de acontecer já aconteceram”. Mesmo com a volta às aulas na rede particular hoje e, com o retorno das escolas públicas marcado para 10 de fevereiro, a expectativa do Sindipel é de que as lojas continuem cheias. “Desde o início da semana (passada), o movimento está grande e deve continuar até o meio de fevereiro. Muita gente deixa para comprar em cima da hora, mas ainda está em tempo”, disse José Aparecido.

Para evitar tumultos e atender quem não tem tempo na semana, algumas papelarias terão dias e horários de funcionamento estendidos. “Sábado e, principalmente, domingo, são dias ideais para quem não quer enfrentar filas. Quem sai de casa no fim de semana já sabe o que vai comprar e evita tumultos”, afirma o presidente do Sindipel.

A gerente da J.A Papelaria, Sandra Viana, observa anualmente o movimento de pais que deixam para comprar o material escolar bem perto da data de início das aulas. Com isso, a rotina no comércio fica mais agitada nesse período. “Semana passada, a loja ficou bastante cheia. A qualquer hora, tem muita gente com lista de material nas mãos”, contou. A tendência de compra varia bastante. “Alguns pais seguem a lista à risca, um grupo gasta mais pela qualidade, outros levam apenas o essencial”, comparou a dona da papelaria localizada na 706/707 Norte.


Estratégias de economia


Este ano, a escola onde Anaclara Pacífico estuda pediu itens de uso pessoal e coletivo, apesar de isso ser considerado abusivo (saiba mais no quadro Alerta). Para tentar poupar, a mãe da menina de 8 anos, a funcionária pública Clarissa Pacífico, 38, simulou pedidos pela internet. Apesar de o valor dos produtos estar mais em conta on-line, o frete dos sites deixava o preço maior. Assim, acabou optando por ir a uma papelaria pessoalmente. “No fim das contas, ficava tudo no mesmo valor. Eu compro na mesma loja todos os anos e mantive”, relata.

“Lá, tem algumas facilidades, como selecionar os produtos por WhatsApp e só buscar depois. Além disso, comprar na loja tem a vantagem de a minha filha participar e escolher também”, declarou. Mesmo levando Anaclara para as compras, a servidora consegue controlar os gastos. Em meio a uma variedade de opções, ela ensina a criança a olhar os preços. “Este ano, ela está escolhendo tudo rosa. Não tem tema específico. Vou controlando os valores para não ficar tão caro. O bom é que, na escola, ela tem educação financeira. Isso ajuda bastante”, disse.

Antes de ir até uma papelaria na Asa Norte, a microempresária Cátia Angelin, 32, foi até o Taguacenter, em Taguatinga, pesquisar o valor dos materiais para a filha de 3 anos. Apesar de ter ficado satisfeita com os preços, não conseguiu encontrar tudo o que estava na lista. Em comparação com as compras do ano passado, ela percebeu que houve um aumento de R$ 100. “Está tudo mais caro, principalmente os livros didáticos”, aponta. Cátia participa de um grupo de pais como estratégia para economizar.

Maria Vitória em busca de material escolar com a irmã, Cátia(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Maria Vitória em busca de material escolar com a irmã, Cátia (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)


“A gente compra coisas usadas ou, então, algum deles desapega de material. Dá para economizar assim”, explicou. Cátia também aposta nisso para a compra do material da irmã, Maria Vitória Argelin, 17, que vai começar o 3º ano do ensino médio. “No fim do ano passado, alguns alunos começaram a anunciar livros com preço de desapego e isso é muito bom para quem iniciou 2020 mais apertado, como nós”, relatou. “Outros itens, como copos e garrafinhas, a gente compra em lojas de utilidades. A gente vai se ajeitando para caber no bolso”, acrescentou a microempresária.

Pesquisar é a saída


A contadora Ana Paula Alves, 41, faz orçamento em três lojas. Após a comparação, decide qual lugar oferece produtos que cabem no bolso. Este ano, além dos materiais escolares, precisou comprar um uniforme para o filho, Igor Alves, 17, que mudou de escola. Para ela, o valor da roupa estava dentro do esperado. Já o preço dos itens de estudo não agradou. “Aumentou muito, principalmente os livros. Vou começar a comprar usado, porque compensa bastante. Na OLX, por exemplo, encontrei livros em bom estado e que me trariam economia de 70%”, destacou.

Outra medida adotada pela família é manter algum material do ano anterior até encontrar promoção do produto. Todo ano, a administradora Janaína Costa Monte, 39, compra na mesma papelaria, na comercial norte de Taguatinga. O que chama a atenção dela no comércio é a variedade de produtos, que pode agradar aos dois filhos, Maria Eduarda Monte, 14, e Caio Monte, 13. “Gosto de trazê-los porque eles escolhem de acordo com o próprio gosto. Acho que é até um incentivo aos estudos. Claro, sempre de olho no preço. Senão, eles se decidem pelos mais caros, que tendem a ser os de marca melhor.”


Dicas de quem entende


» A consultora financeira Gabriela Linhares Bezerra orienta que, além de comprar com antecedência, ter um orçamento preestabelecido pode ajudar na hora das compras. “Antes de gastar, tem que saber quanto pode gastar. É assim que uma pessoa sabe se e quanto economizou”, recomendou. Para ela, a avaliação dos pais ao olhar a lista também é fundamental. “Será que precisa comprar isso tudo de uma vez ou só o essencial? Saber quanto vale a lista é a base para conseguir se organizar.”

» A especialista ressalta que não levar o estudante para escolher os itens não é uma alternativa de 
economia, pois os adultos também têm impulsos e sempre querem oferecer o melhor aos filhos. “A ansiedade vem dos dois. Nenhum pai quer dar qualquer coisa para o filho. É importante não só visitar os locais, mas também perguntar no grupo de amigos, de pais. Tudo pode ajudar na hora de economizar”, assegurou.

» Confira orientações para economizar:
» Fazer um levantamento de quanto está disposto a gastar
» Analisar o que deve ser comprado com urgência e o que pode ser comprado depois
» Separar os materiais por categoria e comprá-los na mesma loja
» Pesquisar os preços em mais de uma papelaria
» Comprar material usado se estiver em boa condição
» Priorizar o pagamento à vista para conseguir desconto
» Comprar a prazo vale a pena se a parcela cabe no orçamento e não houver juros


Alerta


» Todo início de período letivo, o Instituto de Defesa do Consumidor (Procon) intensifica a fiscalização nas escolas e orienta sobre a compra de materiais escolares. O órgão ressalta que os itens na lista de material escolar devem ser de uso exclusivo e restrito ao processo didático-pedagógico, tendo por finalidade o atendimento das necessidades individuais do estudante. Assim, não é permitida a cobrança de taxa extra ou de fornecimento de produtos de uso coletivo dos alunos ou da instituição.

»Itens de higiene pessoal, álcool, apagador, grampeador, giz, pincéis para quadro, clipes, cartucho para impressora, envelopes, entre outros, são exemplos de materiais de uso coletivo. A lista deve ser acompanhada de um plano de execução que deve descrever, de forma detalhada, os quantitativos de cada item de material e a sua utilização pedagógica. A escola é proibida por lei de exigir marca, modelo ou indicação de estabelecimento de venda do material, com exceção da venda do uniforme. Caso a escola trabalhe com livros próprios ou importados, deve avisar aos pais com antecedência.

Cartão de auxílio do governo


O Cartão Material Escolar é  voltado para beneficiários ativos no Bolsa Família em janeiro deste ano e responsáveis por estudantes de 4 a 17 anos matriculados até 20 de fevereiro na rede pública. Os estudantes de ensino fundamental recebem o valor de R$ 320 e os de ensino médio, R$ 240. O cartão deve ser buscado na escola em que o aluno está matriculado. Famílias que têm mais de um filho na rede pública receberão apenas um cartão com os valores referentes a cada um dos estudantes e devem buscá-lo na unidade escolar em que o estudante mais novo da família está matriculado. 
 
 
 

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