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Correio Braziliense

Muro com figuras históricas é vandalizado em escola de Ceilândia

Grafite com rostos de mulheres como Tarsila do Amaral e Clarice Lispector foram pichados, vídeo mostra a ação


postado em 13/02/2020 20:19 / atualizado em 14/02/2020 10:58

A pintura do muro do Centro de Ensino Médio 02 de Ceilândia (CEM 02),  com ilustrações de mulheres que marcaram época, foi vandalizado na última terça-feira (11). Vídeo que circula na internet mostra a ação de homem que cobre rosto das mulheres com tinta preta, e em seguida, escreve a frase “Respeite o povo”. Para o vice-diretor, Halbert Cruz, 44 anos, a motivação foi homofóbica, “Por causa de uma diversidade de cores, atribuiu-se isso ao símbolo da causa LGBT. A nossa intenção era apenas dividir os painéis por cores diferentes e estabelecer o espaço para cada painel”.
 
(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
 
 
O diretor da escola, Eliel de Aquile, conta que a pintura estava em fase inicial e que a ideia era colocar, no total, 14 figuras históricas femininas, como Maria Carolina de Jesus, Clarice Lispector, Tarsila do Amaral, a filósofa polonesa Rosa Luxemburgo e a ativista paquistanesa Malala Yousafzai, mas apenas seis já estavam no muro. Ele explicou que a ideia da homenagem veio da necessidade de chamar atenção para a participação feminina na história e alertar sobre o perigo que a misoginia representa, já que os casos de feminicídio no Distrito Federal só aumentam, tendo um dos maiores índices de morte de mulheres no país.

Para o diretor, o ato foi um fato isolado que deve ser transformado em conteúdo a ser discutido na escola, “Já entrei em uma sala de aula e o professor de filosofia estava passando como conteúdo. O que é que motiva uma pessoa a vandalizar uma obra de arte? Por que isso acontece? Em que tipo de sociedade nós estamos? Por que essa pessoa fez isso? Por questões pessoais? Ou é uma questão que envolve um momento da sociedade que precisa ser discutido?”, explica Aquile.

Os alunos se mobilizaram para arrecadar fundos e recuperar a arte no muro, “Eles me dizem: Olha, queremos contribuir. Eu apoio, mas digo pra eles irem só até onde puderem, e eles respondem: “Eu quero participar, quero refazer isso que estava tão bonito aí no muro” relata o diretor Aquile. Caso é investigado pela 15ª Delegacia de Polícia de Ceilândia Centro, mas o diretor reforça que o vandalismo não vai impedir a ideia inicial, “É ter resiliência, reconstruir. Vamos refazer os painéis e o que tínhamos de ideia inicial estará lá, é questão só de apagar e fazer de novo”.
 

 
*Estagiária sob supervisão de Ana Sá  

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