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Escolas particulares se preparam para implementar ensino pela internet

A previsão é de que as aulas nesse formato comecem em 6 de abril no Distrito Federal

Lorena Fraga*, Isadora Martins*
postado em 30/03/2020 11:25
A transição de aulas presenciais para plataformas on-line não tem sido fácil. Instituições da rede pública e particular têm de usar a criatividade para encontrar meios de adaptar o ensino em meio à quarentena.
A previsão é de que as aulas nesse formato comecem em 6 de abril no Distrito Federal
Na terça-feira (24), o Conselho de Educação do Distrito Federal (CEDF) aprovou uma medida que autoriza o ensino mediado por tecnologia como forma de dar continuidade às atividades escolares. A previsão, segundo a entidade, é de que as aulas nesse formato comecem em 6 de abril.

Em um primeiro momento, 80 mil estudantes do ensino médio terão acesso ao conteúdo que, posteriormente, será estendido aos anos finais e, por fim, aos anos iniciais do ensino fundamental.

O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinepe/DF), Álvaro Domingues, acredita que a maioria das escolas de ensino fudamental e médio da rede particular tenha condições de se adaptar ao modelo.

Ele explica que, das 180 instituições de ensino filiadas ao Sinepe, cerca de 70 ou 80% já utilizavam plataformas virtuais para auxiliar a aprendizagem dos estudantes.

;Muitas escolas em Brasília realizavam a aprendizagem mediada por tecnologia antes, enviando pela internet atividades e textos para os alunos;, exemplifica. ;O que aconteceu é que a pandemia obrigou as escolas a usarem a modalidade como alternativa, sem retirar a possibilidade de as instituições compensaram as aulas depois;, acrescenta.

De acordo com o parecer do CEDF, caso necessário, o ano letivo nas redes pública e particular pode avançar para o ano civil de 2021.

Domingues reforçou, ainda, que a aprendizagem mediada pela tecnologia não reduzirá os custos das escolas, que precisarão investir na capacitação de professores e no desenvolvimento de metodologias e plataformas.
Álvaro Domingues, presidente do Sinepe

Conheça escolas que estão se adaptando ao formato

Na quinta-feira (26), o Centro Educacional Leonardo Da Vinci promoveu uma aula experimental para testar a eficácia da medida interna que autoriza a cobrança de presença em aulas on-line.

A direção pedagógica da instituição explica que, ao longo das duas semanas que se seguiram ao decreto do governador que suspendeu as aulas, a escola foi construindo um processo gradual de engajamento dos estudantes.

Eram enviadas atividades pedagógicas para manter a rotina de estudos dos alunos e prepará-los para uma nova fase que possivelmente será necessária para dar continuidade ao ano letivo.

;Todas essas experiências foram avaliadas pela equipe pedagógica e as percebidas como exitosas;, garante a instituição.
Alice Melo, 49, diz que a medida foi como um presente para a sua família. Mãe de Letícia Melo, 12, estudante do 7; ano do ensino fundamental, e Guilherme Melo, 14, aluno do 1; ano do ensino médio, a economista já havia pré-estabelecido uma rotina de estudos para os filhos.

;Foi ao encontro do que estávamos fazendo dentro de casa. As crianças acordam às 9h e, até as 12h, fazem as tarefas que a escola manda via Google Classroom e também as atividades da escola de inglês;, relata.
;Caso sobre tempo, elas leem um livro.;

A rotina ganhará reforço a partir de 1; de abril. ;Agora a escola vai administrar isso para nós das 8h às 12h e eles ainda terão a oportunidade de sair da caixinha e trabalhar de forma on-line.;, comemora.

Para Alice, a manutenção de uma rotina é essencial para a saúde mental das crianças. ;Se não mantivermos uma rotina escolar, de exercícios, algo ao menos parecido com o que tínhamos antes, as crianças acabam ficando atrofiadas ou até tristes;, afirma. ;É difícil para eles construírem sozinhos uma rotina produtiva, onde aprendam coisas novas, então acabam sentindo falta inconscientemente.;

O Google Classroom foi a plataforma escolhida para as aulas a distância. A direção explica que a escolha veio da adaptação prévia de uma ferramenta que já existia na rotina dos estudantes. Essas informações encontram-se no informativo sobre a continuidade da aprendizagem durante a suspensão de aulas, enviado hoje (27) para as famílias, cujo objetivo é informar à comunidade escolar, de forma embasada e fundamentada, as prioridades da escola durante o período de suspensão de aulas.

Lucas Iwano, 16, é aluno do 2; ano do ensino médio e concorda com a posição adotada pela instituição. ;Eu acho que as aulas on-line são muito importantes pra dar um norte àqueles que não sabem administrar seus estudos sozinhos. O mínimo de acesso e contato com o professor já é importante;, avalia.

Sobre a obrigatoriedade da presença, ele não se incomoda. ;O fato de contar presença é para para cobrar disciplina nessas aulas, para evitar que os alunos faltem;, declara.

A medida vem causando polêmica entre pais e alunos, mas a direção da escola se mantém firme na determinação. O PARECER N; 33/2020-CEDF orienta ;o registro da frequência, por meio de relatórios e acompanhamento da evolução nas atividades propostas, compatíveis com os seus objetivos e estimativa de tempo para sua realização;.

O Centro Educacional Leonardo da Vinci organizou o controle de frequência, atendendo à orientação do CEDF, por meio dos registros de acesso à sala de aula virtual, assim como a entrega das atividades propostas.

A Casa Thomas Jefferson foi outra instituição a retomar as aulas por plataformas on-line. A medida foi informada na sexta-feira (27) para os alunos. A partir de 30 de março, as turmas de Brasília contarão com aulas regulares a distância. E assim, aos poucos, os estudantes conseguem ter a sensação de que a rotina se alinha, mesmo durante a quarentena.
*Estagiárias sob supervisão de Ana Sá

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