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Correio Braziliense

Pais de alunos da rede particular contestam pesquisa sobre volta às aulas

Questionário feito pelo Sinepe-DF com famílias de estudantes diz que 70% dos responsáveis estão de acordo com volta às aulas em julho


postado em 21/05/2020 18:44 / atualizado em 21/05/2020 19:06

Pais e responsáveis da rede particular de ensino do Distrito Federal estão contestando uma pesquisa do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe-DF), divulgada  terça-feira (19), que revela que 70% dos pais de alunos apoiariam o retorno às escolas em julho.
 
 
 
Jacqueline Abreu, 40 anos, é mãe de aluno do ensino fundamental em uma escola particular do DF. Ela afirma que não participou da pesquisa. “O questionário pedia uma data de retorno. Eu não sou da área de saúde, não posso dar uma resposta dessa em uma pesquisa”.
A mãe reforça que o seu posicionamento sobre o retorno é pela segurança. “Quando as autoridades de saúde comprovarem que é seguro, eu concordarei”. E faz críticas ao modo como foi feito o questionário. “Eu achei a pesquisa tendenciosa a partir do momento que ela coloca uma data de retorno. Se os números estão crescendo e eu não sou da área de saúde, como eu enquanto mãe vou optar por uma data de retorno específico?”.
 
As mães alegam que existiam três datas com possibilidades de retorno, uma para maio, após o fim do decreto e as outras para junho e julho no dia 15/7. A servidora pública Raquel Neves, 39, também é mãe de dois estudantes na mesma escola do filho de Jacqueline e alega que se sentiu lesada com a divulgação da pesquisa. “Eles estão colocando palavras na minha boca. Apresentaram datas possíveis de retorno às aulas, eu marquei a última possível. Se tivesse uma data mais para frente eu teria marcado ela”.
 
Segundo Raquel, suas respostas foram distorcidas. “Não foi perguntado se apoio, se concordo ou se quero o retorno nessa data. Foram perguntas objetivas que não te davam a possibilidade de argumentar. Eu me senti extremamente lesada ao responder esse questionário e me deparar em seguida com a reportagem”. E reforça que não apoia o retorno das aulas em julho. “Não, eu não aprovo o retorno das aulas em julho. Eu respondi que eu preferia que os meus filhos continuassem em casa, com aulas on-line, nesse mesmo esquema que estamos fazendo”.
 
Ela ainda questiona a legalidade jurídica da forma de divulgação. “Eles distorceram o questionário, não foi isso que foi perguntado. Tem até que ver se isso não é um crime. Eles pegaram essa pesquisa e modificaram a resposta das pessoas para conveniência”, declara. Liliane Rioli, 42, também mãe de aluno, revela que apesar de ter recebido e respondido a pesquisa, não concorda com algumas questões.
 
“Deixei algumas questões em branco, as que se referiam ao início das datas (de retorno às aulas) essa eu deixei em branco. Não concordo com nenhuma das datas dadas como opção”. Ela afirma que acha imprudente um retorno das aulas nesse momento. “Eu mesma não mandarei minhas crianças para a escola agora”. Liliane reforça a opinião de Raquel. “Achei a pesquisa bem tendenciosa e me arrependi de ter respondido” diz o Sinepe

Álvaro Domingues, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe - DF), disse que o objetivo da pesquisa foi de quantificar o número de alunos que retornariam às aulas e medir o índice de satisfação com aulas a distância, com o objetivo de gerar um protocolo de segurança e higiene para os estabelecimentos escolares. Segundo os dados obtidos, 73,8% dos pais estão satisfeitos com a educação remota oferecida pelas escolas particulares do DF. O questionário foi respondido por 34 mil pais e responsáveis da comunidade escolar e foi estruturado segundo o primeiro decreto do governador Ibaneis Rocha. "A decisão de retorno às atividades é das autoridades de saúde e do governador do Distrito Federal. O que estamos fazendo é um planejamento. O Sinepe organiza e orienta que, caso as aulas retornem, os pais tenham o direito de escolher se permitirão ou não que seus filhos frequentem a escola sem prejuízo.", conclui Domingues.

Associação de pais se manifesta

Ana Paula Carreira, vice-presidente da Associação de Pais e Alunos do Distrito Federal (ASPA-DF), declara que a pesquisa não tem respaldo científico. “Entendemos que diante desse terreno arenoso que esse vírus causa, nós não temos base e respaldo científico para determinar uma data de retorno. Somos contrários a pesquisa feita pelo Sinepe porque ele usou o período mais distante, que seria julho, mas isso não representa a realidade da vontade dos pais”. Confira a íntegra da nota divulgada pela Aspa-DF:

Nota aos Pais

QUEM GARANTE QUE O MÊS DE JULHO É SEGURO PARA O RETORNO?
A ASPA DF, Associação de Pais e Alunos do Distrito Federal tomou conhecimento do resultado da pesquisa elaborada pelo Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF e compartilhada com determinado número de pais de alunos de escolas particulares do Distrito Federal.
 
A enquete considerou como datas prováveis para o retorno das atividades os meses de maio, junho e julho. A maioria dos respondentes assinalou a última opção como sendo a mais adequada, qual seja o dia 15 de julho de 2020.
 
Cabe esclarecer que esta Associação reafirma o seu posicionamento no sentido de apoiar o retorno às aulas mediante o respaldo técnico-científico e sanitário, proveniente dos órgãos governamentais competentes do Distrito Federal, a fim de manter o maior nível de segurança e de integridade física para toda a comunidade escolar, em especial para o grupo de risco.
 
Acreditamos, por óbvio, que a escolha da maioria dos pais em optar pelo mês de julho foi tão somente pelo fato de ter sido a opção mais distante do presente momento. Por que não retornar em agosto? Ou mesmo em setembro? Seria a opinião pública da comunidade escolar suficiente para garantir o melhor momento para a retomada?
 
O resultado obtido por meio dessa pesquisa pode oferecer às autoridades a falsa impressão de que os pais desejam determinar a data do retorno às atividades, sem, contudo, considerar a possível manutenção da quantidade elevada de casos da doença.
 
Apesar de louvável, a busca pelo conhecimento da opinião da comunidade escolar não pode imputar às famílias o peso desta importante decisão, visto que muitos só tem acesso às informações divulgadas pelos órgãos de comunicação.
 
Gostaríamos de indagar ao SINEPE se foi levantado o quantitativo exato das pessoas da comunidade escolar que integram algum grupo de risco. Outro aspecto a ser considerado trata-se da necessária adequação das medidas sanitárias, a fim de protegê-los por ocasião do retorno às aulas
 
A ASPA defende que as escolas estabeleçam protocolos de segurança sanitária, quando a data for definida pelas autoridades, ainda assim, seja garantido o ensino remoto para aqueles que não tiverem plenas condições de retorno, sem prejuízo do ano letivo.
 
Foi verificado que a pesquisa realizada não abordou outro aspecto deveras preocupante para todas as famílias, qual seja, se os pais entendem ser pertinente desconto nas mensalidades durante o período em que houver atividades remotas, observando as particularidades de cada contrato.
 
Por fim, ratificamos que o momento é de união de esforços para que possamos atuar como agentes de fiscalização, não apenas em relação à qualidade do ensino que está sendo ofertada, mas principalmente no que diz respeito à proteção integral dos nossos filhos e de toda a comunidade escolar!


ASPA-DF - ASSOCIAÇÃO DE PAIS DE ALUNOS DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO DO DF
 
 
*Estagiária sob supervisão de Ana Sá  

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