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Quase 40% das escolas brasileiras não têm estrutura básica de lavar as mãos

Para um retorno seguro às aulas, colégios teriam que providenciar condições mínimas a fim de garantir a higiene necessária para os estudantes se prevenirem de contaminação pela covid-19

Simone Kafruni
postado em 05/08/2020 10:00

criança lavando as mãosO Banco Mundial, o Unicef e o Stockholm International Water Institute (Siwi) lançaram, nesta quarta-feira (5/8), uma nota técnica sobre o impacto de intervenções de saneamento em resposta à pandemia da covid-19 no Brasil.

Segundo os especialistas, foram constatados vários entraves para garantir saneamento e higiene necessárias à prevenção da contaminação pelo novo coronavírus. No Brasil, apontou o estudo, 39% das escolas não têm infraestrutura básica para os alunos lavarem as mãos, medida mínima para prevenir a covid-19.

Conforme Virginia Mariezcurrena, gestora de Programas, Governança da Água, Saneamento e Higiene do SIWI, o saneamento e a promoção da higiene na resposta à covid-19 no Brasil têm papel fundamental. ;Quando falamos de saneamento falamos de água potável, esgoto e higiene como um plano de resposta à pandemia. Como fazer isso, sem ter água?;, indagou.

Segundo o estudo, a lacuna de acesso à água e esgoto no Brasil é histórica e alarmante. ;A pandemia exacerbou os problemas preexistentes de exclusão e vulnerabilidade;, afirmou. Na zona urbana, 15 milhões de brasileiros ou 9% da população urbana, não tem acesso à água gerenciada de forma segura (sem material fecal ou contaminantes químicos).

Nas zonas rurais, 25 milhões têm nível básico de água (fonte a uma distância de 30 minutos da sua casa, incluindo tempo de espera onde procurar) e 2,3 milhões com fontes de água não seguras. O total, de 27,3 milhões de pessoas, representa 83% da população rural.

Nos centros escolares, quase 40% (39%) das escolas no Brasil não têm estruturas básicas para lavar as mãos. Anyoli Sanabri, chefe do Território de Amazônia do Unicef, ressaltou a importância do acesso à água, saneamento e higiene para a saúde das crianças. ;Doenças relacionadas à falta de água e saneamento são a principal causa de morte de crianças de menos de cinco anos: 800 crianças morrem por dia no mundo devido a doenças evitáveis;, disse.

Impactos

Lavar as mãos é uma das principais medidas contra a covid-19, reiterou a especialista. ;Mas isso não ocorre se não existem condições adequadas. A pandemia reforça as desigualdades;, ressaltou. Segundo ela, o acesso à internet, em um contexto de aulas à distância, mostrou isso.

;Dentro dos impactos da covid-19, o fechamento das escolas é um dos mais importantes. Um impacto crucial na vida de milhões de crianças no mundo, porque educação é um direito habilitante, que pode dar acesso a outros direitos. Levar educação à distância inovou, mas acesso à internet não é igual;, alertou.

Muitas crianças no Brasil foram deixadas para trás e correm o risco de não voltarem às aulas quando reabrirem. ;Por todos os motivos é urgente reabrir as escolas, mas isso tem que ser de forma segura, com acesso à água e saneamento, condição chave para a volta, mas 39% das escolas não dispõem de estruturas básicas para lavar as mãos;, reforçou.

Para encontrar medidas para mitigar esse problema concreto, as escolas precisam investir para retomarem as aulas com segurança. ;São desafios estruturais que não serão resolvidos no curto prazo, mas é preciso investir agora;, afirmou. ;Temos que trabalhar desde já. Começar a criar as condições para a volta segura à escola.;

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