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Permissão de volta às aulas na rede particular preocupa famílias

Determinação passa a responsabilidade do ensino híbrido para as instituições. Pais podem optar por deixar os filhos em casa ou não. Muitos temem o contágio

Mateus Salomão*
postado em 05/08/2020 21:51
Decisão judicial de terça-feira (4/8) autorizou a retomada das aulas em instituições particulares de ensino do Distrito Federal, antes suspensa. O entendimento judicial mudou e a definição de como e quando reabrir as unidades foi passada às escolas. Porém, ainda cabe aos pais a decisão com relação ao que fazer com os filhos: continuar no ensino remoto ou partir para o ensino híbrido (que mescla aulas presenciais e a distância).
Com nova decisão judicial, escolas decidirão ou não voltar e os pais também terão o direito de decidir sobre seus filhos. Mesmo assim, famílias temem aumento do contágio

Tenho saudades da escola, mas não voltarei

A estudante do 9; ano do ensino fundamental Júlia Baratela Neto, 14 anos, sentiu maior dificuldade no período longe da sala de aula. A aluna do Centro Educacional Sigma da Asa Sul considera que a carga de conteúdos ficou mais pesada no formato remoto. Além disso, sente saudades da convivência em sala de aula. ;A falta do contato social é bastante difícil;, confessa.

Mesmo sabendo de uma possível retomada neste mês a partir da autorização judicial, Júlia pensa que ainda não é o momento de voltar. Junto aos pais, decidiu por permanecer em cara e prefere esperar por uma vacina contra a doença. A jovem recebeu com medo a autorização da Justiça para uma retomada das instituições particulares e teme que os colegas e docentes que retornem se contaminem. ;Eu não quero ver amigos e professores com a doença;, diz. ;Eu espero muito que ano que vem as coisas estejam melhores.;
A estudante de 14 anos Júlia Baratela Neto teme ver amigos e professores com a doença

Medo do contágio

Não retornar é o posicionamento de Cacilda Rodrigues Soares, 51 anos, mãe de um menino de 8 anos, aluno do Colégio Ceman, no Gama. Cacilda ainda está se recuperando após ter se infectado com o novo coronavírus. Apesar de considerar que o ensino remoto está longe do ideal, avalia que ainda não é hora de voltar às salas de aula.

;Ainda estamos no pico (da pandemia). Eu mesma tive covid-19;, afirma a técnica administrativa que trabalha numa escola pública. O filho dela está no 3; ano do ensino fundamental e ela teme que crianças nessa faixa etária não conseguirão, efetivamente, cumprir as medidas de profilaxia. ;Eu acho impossível ter esse controle;, considera.

Mãe de um menino de 8 anos e funcionária de um colégio, Cacilda pegou covid-19 e pensa que esta não é a hora de retornar às escolas

Longe do ideal

Se a decisão dependesse da diretora de marketing Luciana Schmidt, 42 anos, os alunos seguiriam em casa. Ela tem dois filhos, um de 2 anos e outro de 7 anos. Ambos estudam no Colégio Adventista da Asa Sul. Luciana vê que este ano letivo só não foi perdido devido à dedicação de escolas, pais e professores para se adaptar à nova rotina. Ela, porém, considera que o modelo está longe do ideal. ;O ensino remoto não é o que nenhum pai ou mãe gostaria para o filho;, afirma.
[SAIBAMAIS]

Mesmo assim, ela prioriza a saúde. ;Penso que se seguramos até agora, mesmo nos custando muito, vamos tentar segurar um pouco mais;, pondera Luciana. ;Com essa garotada toda, se um aluno der positivo em sala de aula, a chance de contaminação e pânico em progressão geométrica é bem grande;, comenta.

;Quando anunciaram o retorno, fiquei bastante preocupada, mas conversamos em família e decidimos que não enviaríamos os meninos às aulas presenciais. Inicialmente, avaliaremos as taxas de contaminação e, a partir daí, tomaremos as decisões mais viáveis. O que nos tranquiliza é que os prazos têm sido adiados.;
Mãe de dois meninos, Luciana Schmidt pensa que o retorno gerará contaminação e pânico em progressão geométrica. Na foto, ela está com o marido, Marcos, e os filhos, Giovanni e Gabriel

Decisão contestada

Luciana Oliveira tem filhos três filhos matriculados no Colégio Projeção de Taguatinga. Ela acredita que ainda é hora de permanecer em casa. Ela sequer chegou a recear uma retomada antes do momento que considera ideal, pois a escola já determinou que não retomará as aulas presenciais.
Luciana Oliveira não apoia a autorização para a retomada. Na foto, ela está com os filhos, Isaac, Ana Júlia e Samuel, e o marido, Daniel
;Por enquanto não haverá retomada. A escola fez uma pesquisa com os pais e a maioria decidiu continuar com as aulas on-line até que haja segurança para o retorno das aulas presenciais;, relata. Mesmo que a autorização judicial não signifique retomada no colégio dos filhos dela, Luciana desaprova a decisão. ;Neste momento de aumento dos casos de covid-19, não apoio.;

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*Estagiário sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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