| A vendedora Fernanda Rocha Silva acredita que com um bom desempenho no fim do ano pode ser efetivada |
Quem está desempregado tem nos trabalhos de fim de ano uma boa oportunidade para ingressar no mercado. A previsão de órgãos ligados ao comércio varejista é de que até 300 mil vagas para temporários sejam abertas entre novembro e dezembro, em todo o país, superando em, pelo menos, 1,3% o número do ano passado, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC). Uma pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) aponta que 28% dos 609 empresários entrevistados pretendem contratar reforços para as equipes até dezembro.
Segundo o levantamento, a expectativa é de que 205 mil temporários ; 68% ; sejam efetivados em janeiro. ;Esta é a época em que o varejo aproveita para selecionar novos profissionais e trocar o pessoal, deixando a equipe mais eficiente;, afirma o economista do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), Nelson Barrizzelli. Entre as lojas com intenção de aumentar o quadro de funcionários, quase metade (46%) é de grande porte, ou seja, conta com mais de 100 colaboradores e tem faturamento anual superior a R$ 360 mil.
A economista da CNC, Marianne Hanson, no entanto, acredita que os empresários devem agir com cautela na hora de traçar a estratégia. ;No ano passado, os comerciantes contrataram e acabaram enfrentando um Natal aquém do esperado. Portanto, o número de efetivações este ano deve ser menor que em 2011, mesmo com o cenário positivo de vendas no varejo;, diz.
A vendedora temporária Fernanda Rocha Silva, 24 anos, conta com o otimismo do comércio para garantir a assinatura da Carteira de Trabalho na loja de sapatos onde está como reforço.
;O comércio é uma área concorrida. Mesmo com experiência de um ano em vendas, não consegui um contrato fixo. Acredito que o emprego temporário seja a forma mais fácil de ingressar no mercado se você for competente e mostrar bom desempenho;, diz. Gerente da loja há dois anos, Marcos Antônio afirma que ;os melhores sempre ficam; e espera contratar, em janeiro, pelo menos 50% dos 22 temporários.
Interinas em uma loja de perfumes e produtos de higiene pessoal há menos de uma semana, Aline Santos, 18, e Wylkya Lopes de Jesus, 27, também optaram pelo posto de fim de ano depois de meses procurando um emprego fixo. ;Estava desde julho tentando trabalhar na área e vi aqui uma possibilidade de efetivação;, conta Wylkya. ;No fim do ano, é possível mostrar melhor o trabalho, já que o movimento é grande e eles exigem muita agilidade do vendedor;, completa Aline.
Perfil
Entre os varejistas, a preferência de 95% dos respondentes é por pessoas entre 18 e 34 anos, com ensino médio completo (68%) geralmente para as funções de vendedor, caixa e estoquista. ;A exigência de ensino médio é uma excelente novidade para o setor. Isso mostra que ele está se profissionalizando. O vendedor agora deve levar ao cliente informações melhores ou iguais às que o consumidor já traz de casa, por meio de pesquisas pela internet;, afirma Barrizzelli.
Os pré-requisitos impostos pelos comerciantes, de acordo com a CNDL, são comprometimento, dinamismo e proatividade. E iniciativa é com Matheus Ferreira, 18, que já estava de olho nas vagas temporárias havia dois meses. Ele está em treinamento em uma grande loja de roupas há uma semana. ;Entreguei meu currículo em setembro e me chamaram mesmo sem ter experiência na área;, conta.
O setor de vestuário e calçados comporta a maior parte das vagas: 46,4% dos cargos temporários são para a área. Em dezembro, o número de vendas no varejo supera em 123,7% a média de todos os meses do ano, segundo dados da CNC. Lojas de perfumaria, cosméticos, artigos de uso pessoal e doméstico e supermercados também estão na lista dos que mais pretendem contratar neste fim de ano. ;Essas áreas exigem menos treinamento e menor conhecimento específico do produto do que, por exemplo, a de eletroeletrônicos;, completa o Barrizzelli.
Vendas em crescimento
Segundo os empresários ouvidos pela CNDL, a expectativa para 2012 é de que as vendas superem 2011. Para 84% dos varejistas, o movimento deve crescer, sobretudo, em razão do crédito disponível, da queda no desemprego e dos juros baixos. A estimativa de Barrizzelli é de que, ao fim de janeiro, as vendas tenham expandido entre 8% e 9% em relação ao ano passado.
Maior nível de emprego
O desemprego brasileiro voltou a recuar em outubro, chegando à menor taxa histórica para o 10; mês do ano, ao mesmo tempo em que a renda da população acelerou ligeiramente, indicando que o mercado de trabalho deve continuar a incentivar o consumo no país. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados ontem, o desemprego caiu para 5,3% no mês passado, ante 5,4% em setembro, atingindo o menor nível para outubro desde o início da série histórica, em 2002.
Com o resultado, a taxa de desemprego permanece perto do recorde de 4,7% registrado em dezembro do ano passado. ;De maneira nenhuma pode-se dizer que o mercado de trabalho está parado. Ele é um reflexo da economia: quando está aquecida, contrata mais e, quando não, menos;, afirmou o coordenador do levantamento do IBGE, Cimar Azeredo. A redução na taxa de desemprego em outubro foi ancorada por São Paulo, região de maior peso na pesquisa. A taxa paulista baixou de 6,5% para 5,9% no período.
O IBGE informou ainda que o rendimento médio da população ocupada subiu 0,3% no mês passado ante setembro, e cresceu 4,6% sobre outubro de 2011, atingindo R$ 1.787,70. Em setembro, a variação mensal havia sido positiva em 0,1%. Na média do ano, o rendimento do trabalhador ocupado cresceu 4,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Entre outubro e setembro, o setor que mais contratou foi o da construção civil, com crescimento de 4,5%.