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Robô com mania de limpeza

Sem patrocínio, estudantes de engenharia mecatrônica da UnB faturam o primeiro lugar em competição latino-americana de robótica

postado em 25/10/2012 08:00
A turma de universitários gastou um total de R$ 3 mil para construir o modelo vencedor com base na sustentabilidade: em cinco meses, nasceu o Droid 1, que pesa 13kgUma ideia criativa e muito esforço levaram 13 estudantes de engenharia mecatrônica da Universidade de Brasília (UnB) à vitória na principal categoria ; Open ; da 11; Competição Latino-Americana de Robótica (ver Para saber mais). Após duas tentativas, desde a formação do grupo, em 2009, a equipe levou o troféu para casa concorrendo com 38 times do Brasil, Chile, Uruguai, México, Colômbia e Venezuela.

O concurso ocorreu em Fortaleza, entre os dias 17 e 21 deste mês. A cada ano, o desafio é modificado. Nesta etapa, a proposta era somar a aplicação da robótica com sustentabilidade. O objetivo das máquinas era recolher latas jogadas na areia da praia. ;Tínhamos que construir um robô que fosse capaz de recolher latinhas em uma simulação de praia, com areia, além de desviar de obstáculos, como pessoas e cadeiras;, explicou Caio Neno Silva Cavalcante, 23 anos, estudante do 5; semestre e integrante da equipe.

Na categoria Kits Educacionais ; pequenos robôs montados com peças de Lego ;, o grupo conquistou o sétimo lugar. ;O integrante dessa categoria está começando na robótica, no início do curso. Mas ele aprende noções de programação e de mecânica, assim, quando chegar à etapa principal, vai fazer um bom papel;, explicou Caio. Os alunos mais antigos, sete deles, ficam encarregados em construir o robô campeão. ;Eles começam o trabalho desde o chassi, a parte mecânica e os componentes elétricos. No outro, não há tanta preocupação com elétrica, mas com mecânica e programação.;

Sem controle remoto
Sem patrocínio, os estudantes precisaram tirar do próprio bolso o equivalente a R$ 3 mil para construir o modelo. Com aparência de um pequeno trator, o robô, batizado de Droid 1, demorou pelo menos cinco meses para sair do papel. Com cerca de 13kg, é programado para funcionar de forma autônoma, ou seja, sem controle remoto.

;Ele possui duas câmeras, frontal e traseira, que fazem com que ele seja capaz de identificar cores e formatos de objetos;, explicou Rodrigo de Lima Carvalho, 21 anos, estudante do 6; semestre. Com o programa utilizado, a máquina consegue encontrar a latinha, se alinhar e recolhê-la. A caçamba do aparelho pode armazenar até 20 latas. ;Mas, na competição, foram apenas 11. O tempo era limitado em 10 minutos para rodar em uma grande arena;, contou Rodrigo.

Além do primeiro lugar na Competição Latino-Americana, a equipe garantiu a primeira classificação no Campeonato Brasileiro de Robótica. As etapas ocorrem paralelamente. O brasileiro melhor colocado no torneio internacional fica com o primeiro lugar na etapa nacional. Até agora, os amigos acumulam troféus: o terceiro lugar no Campeonato Brasileiro de 2009 e o primeiro, em 2010. No Latino-Americano, conquistaram o terceiro lugar em 2010.

Falta de apoio
Feliz com a vitória, Caio faz planos para a próxima competição. Apesar de terem conseguido cobrir 40% dos custos com a viagem, pagos pela UnB, o estudante espera mais. ;É o trabalho de um ano, que a gente coloca esforço e não recebe tanto apoio quanto gostaria;, lamentou. Segundo ele, é complicado desenvolver ciência no Brasil. ;Patrocinar ainda não é costume do governo e das empresas. A gente espera que, com esse resultado, tenhamos mais ajuda;, acrescentou.

Antônio Padilha Lanari Dó, professor de engenharia elétrica na área de robótica médica na Unb, acompanhou o trabalho dos estudantes no laboratório da universidade. Ele garante que toda a pesquisa principal foi desenvolvida por eles. ;Eles compreenderam conceitos, alçaram voo. O importante é que eles criaram o robô do nada, fizeram toda a parte elétrica, mecânica, é mais difícil que fazer um computador;, comparou.

O professor reconhece o esforço dos alunos. ;Dentro de vários grupos, eles chegaram na frente. Muitos tinham patrocínio e, mesmo sem apoio grande, conseguiram;, concluiu Padilha.

Para saber mais

Tecnologia acadêmica


A competição nasceu com o intuito de mostrar à sociedade o que as universidades estão fazendo na área da tecnologia. Pelo menos 1,6 mil pessoas participaram em 17 categorias desta que é a 11; edição da etapa latino-americana. O campeonato brasileiro soma 10 edições. O evento internacional é sempre realizado em países diferentes a cada apresentação. No ano passado, o torneio foi realizado em Bogotá, na Colômbia. Um ano antes, em 2010, os competidores se encontraram em São Bernardo do Campo, em São Paulo. O local a ser realizado em 2013 ainda não foi divulgado.


Jovem embaixadora é de Taguatinga

Única representante do Distrito Federal, Yasmin Gomes de Araujo, 16 anos, moradora de Taguatinga, é uma das 37 estudantes brasileiras da rede pública escolhidos entre 16,5 mil candidatos para participar de um intercâmbio nos Estados Unidos, em janeiro de 2013. Eles integrarão o programa Jovens Embaixadores, iniciativa de responsabilidade social da embaixada americana, em parceria com os setores público e privado em ambos os países e que existe há 11 anos. Para participar, o candidato deve ter entre 15 e 18 anos, ter excelente desempenho escolar, falar inglês e pertencer à camada socioeconomica menos favorecida, entre outros. A viagem vai durar três semanas, com visitas aos principais monumentos, a escolas e a projetos sociais em Washington e outras regiões norte-americanas.

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