postado em 11/01/2013 19:55
O evento pretende reunir cerca de 10 mil alunos de instituições de ensino superior e médio brasileiras. Do DF, mais de 80 estudantes da Universidade de Brasília estão se preparando para viajar. Entre eles, três foram selecionados para expor trabalhos artísticos durante a bienal junto às quase 100 obras que comporão uma mostra de música, artes plásticas, cênicas e audiovisual.
Os que ainda quiserem participar do evento têm até domingo para se cadastrar no site da UNE e pagar a taxa de inscrição no valor de R$50. Depois disso, as inscrições serão feitas apenas no local do evento no dia da abertura.
Nordeste homenageado
O encontro escolheu o cantor e compositor Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, como um arauto para a celebração da cultura nordestina, que permeia as atividades durante os dias do evento. Além de palestras, debates e shows de bandas universitárias, o evento traz nomes como o de Elba Ramalho e os artistas plásticos Derlon Almeida e J. Borges. A ideia é promover o debate sobre a educação no país e as influências da cultura nordestina na formação da juventude brasileira.
Alex Canuto, de 27 anos, estudante de letras da Universidade de Brasília (UnB), está feliz por poder expor o cordel que fez ao lado de famosos e iniciantes que, como ele, se inspiram na arte nordestina. No trabalho selecionado pela bienal, o estudante reviu o mito de Lampião no cordel Das travessias de como Lampião, o Virgulino, se converteu a santo menino.
Na história rimada, Virgulino é julgado no céu e condenado a voltar a terra como pedra, árvore e pomba de asa-branca antes de ter os pecados perdoados. Para o estudante, a trajetória espiritual do personagem é símbolo da história do brasileiro.
Filho de mãe piauiense e pai maranhense, Alex comemora a lembrança de homenagear Luiz Gonzaga e a cultura nordestina num evento ligado à educação. ;A universidade brasileira vive um momento em que o acesso é mais abrangente. Pessoas de outras classes sociais alcançam o ensino superior, e trazem para a academia narrativas que, antes, eram ignoradas pelo conhecimento formal;, explica. Para Alex, a cultura popular da região nordestina faz parte da formação dele. ;A ideia é manter essa cultura viva;, ele afirma.
Nesse ano, a bienal marca os 14 anos de existência se consolidando como um dos maiores encontros estudantis do Brasil. A ideia é integrar, trocar ideias e influencias de jovens de diferentes origens, além de mapear a produção artística e científica existente dentro das escolas e universidades brasileiras. Em cada edição, o evento promove debates sobre a valorização da cultura nacional, estimulando o interesse dos jovens em temas como o samba, a integração latino-americana e, neste ano, o Nordeste, no tema ;A volta da Asa Branca;.
Jovens interligados
;Estamos celebrando a cultura popular. Escolher Pernambuco, a terra do Rei do Baião, como sede para esse evento é algo quase óbvio. Mas não podia ser diferente;, afirma Rafael Buda, coordenador geral da bienal. Segundo ele, a proposta é atrair cada vez mais o interesse da juventude para temas relevantes na agenda nacional, e desenvolver nos estudantes um pensamento crítico e interligado sobre os diferentes pólos de produção no país.
;Queremos mobilizar os circuitos da produção universitária, seja na música, nas artes, na literatura ou mesmo na reflexão científica, para que uns vejam os trabalhos dos outros, se conheçam, discutam, e saiam daqui transformados;, explica o coordenador. Para Rafael, a bienal serve como uma vitrine para o pensamento da juventude brasileira.
O trabalho do brasiliense Augusto Botelho, estudante de artes visuais da UnB, também estará exposto durante a bienal. Ele preparou duas peças em xilogravura inspiradas nas pessoas que dependem do Rio São Francisco, inspiração que buscou durante uma viagem que fez ao Nordeste em 2010. ;A ideia não é só divulgar o meu trabalho, mas conhecer pessoas, estabelecer contatos entre estudantes que também estão criando algo interessante no Brasil;, ele revela.