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Alunos entregam à Reitoria reivindicações no combate à homofobia

Decana de Assuntos Comunitários diz que uma das primeiras ações da Diretoria da Diversidade é a implantação de um disque-denúncia na UnB

postado em 27/02/2013 13:55

Estudantes da Universidade de Brasília marcharam até a Reitoria nesta terça-feira para entregar uma pauta com 24 reivindicações no combate ao preconceito de gênero, raça, classe e orientação sexual. O documento foi elaborado em assembleia realizada na última sexta-feira (22), que contou também com a presença de professores e técnicos. A mobilização foi desencadeada pelo caso da agressão a uma estudante de Agronomia, ocorrida no estacionamento do ICC sul no dia 18 deste mês. .

;O ato foi feito para que a reitoria saiba que as reuniões estão acontecendo com frequência e que os homossexuais e todos os outros oprimidos estão se posicionando contra as agressões;, disse Luti La Porta, aluno do 3; semestre de Serviço Social . Ele e outros alunos se reuniram no Ceubinho por volta de 12h, seguiram até o UDFinho, onde fizeram um jogral em frente à Faculdade de Agronomia, e se encaminharam para a Reitoria gritando palavras de ordem contra o preconceito e a omissão das autoridades.

No auditório solicitaram participação na reunião da assembleia da Câmara de Assuntos Comunitários (CAC), presidida pela decana de Assuntos Comunitários, Denise Bontempo. No local, discutiram um a um os 24 pontos reivindicados. Entre os principais pontos estão os pedidos de ;sindicância e punição a todos os opressores;, retirada da Polícia Militar do campus e melhorias na iluminação.

Em resposta aos estudantes, a decana anunciou um possível prazo para início das atividades da Diretoria de Diversidade, anunciada na última sexta. ;Gostaria de estar com ela em funcionamento em abril. Já foram contactados o Centro de Planejamento e as unidades que poderão ceder técnicos para esse trabalho, como as psicólogas do Hospital Universitário de Brasília que manifestaram interesse na atividade;, disse.

Denise explicou, no entanto, que a implementação dos serviços da Diretoria deve ser gradual. ;Mesmo que não de forma plena, queremos dar essa resposta em um mês, com o disque-denúncia e o primeiro atendimento. Depois organizaremos ações de prevenção e educativas;, afirmou.

Os manifestantes ressaltaram a necessidade de preparo dos servidores que irão atuar na Diretoria, e também em outras áreas do campus. ;Precisa haver pessoas especializadas, conscientes da questão. Há funcionários que tentam parar as mobilizações, por exemplo;, explicou Luti.

Outros pedidos dos alunos são que a reitoria distribua cartilhas de combate à homofobia na recepção aos calouros, apoie pesquisas nesse campo, implemente a cirurgia de redesignação sexual no HUB e fortaleça a segurança com mais iluminação e câmeras. Segundo a decana, os encaminhamentos desses assuntos já estão em curso. O prefeito do campus, Marco Aurélio Gonçalves, complementou explicando que 29 das 30 câmeras da Universidade estão em funcionamento. Ele também fez um pedido para que os estudantes relatem à Prefeitura os pontos onde se sentem mais inseguros. Assim, poderia haver um direcionamento melhor da equipe de segurança.

AGRESSÃO ; A mobilização estudantil ocorre depois do caso envolvendo a estudante do 5; semestre de Agronomia, agredida e insultada com termos homofóbicos no estacionamento do ICC, no campus Darcy Ribeiro, na última segunda-feira, 18 de fevereiro. Na segunda-feira (25), a polícia divulgou retrato falado do suspeito.

Segundo ocorrência registrada pela própria aluna na 2; Delegacia de Polícia, ela teria sido atacada no final da tarde, quando se dirigia ao seu veículo, após aula. A estudante teria sido empurrada, chutada e chamada de ;lésbica nojenta;. Acompanhada pela família e ainda abalada com o ocorrido, a aluna esteve presente à reunião e recebeu a solidariedade dos colegas.

;O que mais nos assusta é que sempre me preocupo quando ela sai à noite, vai a boates ou a festas. Mas nunca imaginei que seria vítima de um ato de ignorância como este na Universidade, em plena luz do dia;, disse a mãe da aluna agredida. Ela explicou que a estudante de Agronomia dirigiu sozinha até em casa, quando um funcionário da família a avisou do ocorrido. ;Ficamos muito assustados e nesta semana estou por conta dela, inteiramente;, contou.

Ainda assustada, a estudante explicou que vai aproveitar o período das férias para descansar. ;Os professores e a Reitoria foram muito compreensivos. Como tenho boas notas e poucas faltas, a administração aceitou fechar meu semestre, que já estava no final mesmo;, disse.

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