Reitoria confirma rombo de R$ 92 milhões

A reitoria divulgou na manhã desta quinta-feira nota em respostas ao esclarecimento do MEC, que culpou a universidade por má gestão dos recursos

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postado em 12/04/2018 15:41 / atualizado em 12/04/2018 16:05

A Universidade de Brasília (UnB) emitiu nota no fim da manhã desta quinta-feira (12) com esclarecimentos sobre a atual crise financeira enfrentada pela instituição. No comunicado, é dito que o déficit orçamentário para 2018 é de R$ 92 milhões. “Reflete os cortes e contingenciamentos sofridos pelo setor de educação, exigindo medidas combinadas de redução de gastos e aumento da arrecadação de recursos próprios por parte da Universidade”, diz a nota. 

É explicado que a instituição está tentando ampliar os recursos financeiros em R$ 50,8 milhões por meio do aluguel de imóveis e de outras parcerias. A UnB diz ter uma capacidade de arrecadação de R$ 168 milhões para 2018, mas que só foi autorizada a incluir no orçamento R$ 110 milhões, devido aos limites orçamentários definidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LOA) e limitados pelo teto de gastos (PEC 95). 

A nota é uma resposta a um comunicado do Ministério da Educação (MEC) em que afirma que a Universidade tem recursos suficientes para se manter e a crise é provocada por má gestão dos recursos. Na tarde desta quinta-feira (12). Os estudantes ocuparam a reitoria da instituição, como mais um ato de protesto, depois de manifestação há dois dias. 

Confira a nota na íntegra: 

NOTA DE ESCLARECIMENTO À COMUNIDADE

As universidades públicas federais vêm enfrentando uma grave crise orçamentária e financeira, amplamente noticiada pelos canais de comunicação, em decorrência de cortes e contingenciamentos. No caso da UnB, para o exercício de 2018, estima-se que o déficit orçamentário seja de R$ 92 milhões, como foi demonstrado recentemente à comunidade, em audiência pública, pela Administração Superior.

O orçamento global da UnB contempla recursos para pagamento de pessoal e encargos sociais, de custeio, de investimentos e também para emendas parlamentares (individuais e de bancadas). Entre os anos de 2016 e 2018, embora observe-se um aumento nesse orçamento global – que passou de R$ 1,654 bilhões, em 2016, para R$ 1,731 em 2018 –, houve redução de recursos destinados à manutenção (limpeza, segurança, luz, água, refeições no Restaurante Universitário), que passaram de R$ 379 milhões, em 2016, para R$ 229 milhões em 2018. Somente dos recursos vindos do Ministério da Educação (MEC), houve redução de aproximadamente R$ 80 milhões para essa finalidade. O fato de o MEC ter repassado 100% do custeio em 2017 não representa que houve aumento do orçamento da UnB, mas apenas que não houve contingenciamento para custeio. Ou seja, a universidade foi autorizada a usar a totalidade dos recursos aprovados pelo Congresso Nacional, mas o montante de recursos aprovado é insuficiente. O déficit é uma realidade e reflete os cortes e contingenciamentos sofridos pelo setor de educação, exigindo medidas combinadas de redução de gastos e aumento da arrecadação de recursos próprios por parte da Universidade.

Com relação a recursos de investimento, houve uma redução do orçamento de R$ 62,151 milhões, em 2016, para R$ 28,211, em 2017, sem contabilizar emendas parlamentares. Somente da fonte Tesouro, os recursos caíram de R$ 47,151 milhões para R$ 8,211 milhões. Isso significa que o MEC, centralizou parte desses recursos em 2018, reduzindo a autonomia das universidades na decisão sobre investimentos. Em 2018, dos R$ 22,6 milhões previstos em emendas parlamentares para investimentos, cerca de R$ 14,4 milhões já foram cancelados. Há também recursos de emendas parlamentares que se encontram bloqueados. A UnB vem adotando uma série de medidas visando a superar essas dificuldades. A Universidade já apresentou ao MEC o Plano de Execução de Obras para 2018 e espera ver reconhecida a necessidade de ampliação de recursos para investimento.
 
Diante da nova conjuntura, para recompor o orçamento da UnB, em 2018, a atual gestão está empenhada em ampliar a arrecadação de recursos financeiros em R$ 50,8 milhões, por meio do aluguel de imóveis e de outras parcerias. No entanto, para que esse recurso possa ser, de fato, utilizado pela Universidade, é preciso superar os limites orçamentários atuais, definidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LOA) e limitados pelo teto de gastos (EC 95). Para 2018, a UnB informou ao governo federal uma capacidade de arrecadação de R$ 168 milhões, mas só foi autorizada a incluir no orçamento R$ 110 milhões. Diversas audiências com o MEC também foram realizadas para a solicitação de suplementação orçamentária à Universidade, sem que se tenha alcançado progressos até o momento.

Medidas adicionais de redução das despesas também vieram sendo adotadas, seja por meio da redução nos valores de contratos ou da economia no consumo de água, energia e outros recursos. Em 2017, a UnB conseguiu, por exemplo, reduzir o contrato do Restaurante Universitário em 15%, se que houvesse demissões de trabalhadores.

A atual gestão reitera o compromisso de empenhar todos os esforços necessários para – apesar das adversidades – garantir o pleno funcionamento das atividades de ensino, pesquisa, inovação e extensão, ciente do importante papel que a Universidade desempenha na formação de cidadãos e no desenvolvimento do país. Também reafirma o seu compromisso com a transparência e o diálogo, como princípios centrais para uma gestão pública democrática. A gestão agradece pela solidariedade expressa pela comunidade e repudia os atos violentos ocorridos nas manifestações em defesa da
universidade pública.

Mais informações sobre a situação orçamentária da UnB encontram-se disponíveis no site do Decanato de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional (DPO).