Fórum debate o impacto da 4° Revolução Industrial na educação

20º FNESP reúne especialistas de todo o mundo para tratar do impacto de novas tecnologias na educação e mercado de trabalho. Programação vai até sexta-feira (28)

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postado em 27/09/2018 16:11 / atualizado em 27/09/2018 17:37

O 20º Fórum Nacional do Ensino Superior (20° FNESP) começou nesta quinta-feira (27) e vai até sexta (28), em São Paulo, tendo como tema central a 4° Revolução Industrial na educação. O encontro, organizado pelo Semesp, entidade representativa de mantenedoras de ensino superior do Brasil, reúne especialistas nacionais e internacionais para discutirem os impactos que os avanços tecnológicos podem ter na educação e no trabalho, e apontar caminhos para o ensino superior. 
 
Guilherme Veloso
 
O evento teve início com a palestra “Como será o trabalho do futuro? As novas profissões em um mundo conectado, compartilhado e interativo”, conduzida pelo pesquisador, sociólogo e professor José Pastore. As novas tecnologias trazem mudanças na educação e no trabalho que, para ele, requerem adaptação. “Apesar do ser humano se adaptar, há dois problemas: o timing e o matching. O primeiro diz respeito a quanto tempo a pessoa demorará para se encaixar nas novas formas de trabalho”, afirmou Pastore, professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) e da Fundação Instituto de Administração (FIA). “O que leva ao segundo item, no qual ela terá que se ajustar à profissão e, para isso, é preciso uma educação de qualidade.”
 
Guilherme Veloso
 
Para o professor, as mudanças promovidas pela 4° Revolução Industrial exigem que empresas, governo e entidades de ensino trabalhem lado a lado. “As instituições educacionais precisam capacitar os alunos de forma que façam eles pensarem. E pensarem bem. Pois, assim, conseguirão trabalhar com os avanços tecnológicos, o que é um papel fundamental”, disse.

Diretor de estudos de ciência e tecnologia do Fórum Econômico Mundial, Thomas Philbeck comentou a importância do aprendizado conjunto entre alunos e docentes. “Os professores têm que pensar em como envolver os alunos em projetos que façam parte do cotidiano deles, fazendo com que eles pensem nos problemas e encontrem soluções”, destacou.
 
Guilherme Veloso

Thomas Philbeck também ressalta que não há motivos para ver as tecnologias como inimigas. “Somos nós quem as conduzimos e podemos decidir como usá-las, mesmo que influenciem no nosso futuro. As tecnologias nos ajudam de várias formas na saúde, com a criação de conhecimento e até em como entender a função delas”, exemplificou.

Pensar soluções

Simultâneo ao 20° FNESP, ocorre pela primeira vez o Hackab, um laboratório com equipamentos para criação e prototipação das ideias de um grupo de universitários. O objetivo é que estudantes possam discutir e pensar soluções a partir do ponto de vista deles para melhorar as instituições superiores.
Ao todo, foram selecionados 32 estudantes de instituições de ensino superior (IES) públicas e particulares de todas as regiões do país, contemplado sete estados (São Paulo, Minas Gerais, Maranhão, Rio de Janeiro, Tocantins, Rio Grande do Sul e Espírito Santo) e Distrito Federal. Os estudantes dos cursos de direito, medicina, arquitetura, comunicação social, administração, entre outros, passaram a noite desta quarta-feira (26) criando ideias que podem melhorar as instituições. Agora, estão desenvolvendo protótipos e validando as hipóteses com profissionais da área que fazem parte do Fórum. 
 
Guilherme Veloso

Estudante de gestão da qualidade no Centro Universitário Eniac, Luisa Camerini, 17 anos, participa da imersão e não deixa o cansaço abalar. “Não dormimos, mas isso não tira meu ânimo”, diz. Ela decidiu se inscrever por iniciativa dos professores e por gosto pelo tema. “Na faculdade, eles incentivam muito essa questão de maker. Estou aqui para aprender coisas novas e levar esse conhecimento para a instituição”, conta. 
 
Rafael Ribeiro, 23, faz medicina na Universidade José do Rosário Vellano (Unifenas), em Minas Gerais, e conta que sempre gostou da área de educação. "É legal ver que as tecnologias e o aprendizado aqui abrangem todos os campos do conhecimento, o que me encanta." 
 
Guilherme Veloso
Para o doutor em história e diretor de inovação e redes do Semep, Fábio Reis, a ideia do laboratório só tem a acrescentar na educação superior. “As instituições precisam sair do convencional de aprendizagem e partir para novos métodos e este é um deles. Com esse conceito de maker, as entidades vão atrair mais jovens, pois é uma escola que instiga e coloca desafios”, observa.

Fórum prossegue 

Nesta sexta-feira (28), os estudantes poderão apresentar os projetos durante uma sessão do evento do Semesp. Eles serão avaliados por mantenedores e gestores educacionais. A equipe do projeto vencedor receberá um prêmio de R$ 8 mil. Além disso, o Fórum publicou oficialmente o Mapa do Ensino Superior 2018
 
Marta Rosa Soares, 22, representa Brasília no fórum. A estudante de administração do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF) viu na capacitação a oportunidade de fugir um pouco das formas de aprendizagem tradicional. “Fiquei sabendo do evento pela faculdade e me inscrevi, interessada na metodologia diferente que aqui oferecem”, conta. Para ela, os cursos superiores, por vezes, não mudam a forma de aprender. 
 
Neyrileni Costa

“O ensino é muito passivo. O professor fala e a gente escuta, na maioria das vezes. O meu curso é bem focado em empreendedorismo, o que é bom, mas vejo isso em outros ambientes”, diz. Marta aponta também a importância de aprender com diferentes pessoas. “Aqui aprendemos a sair da caixinha e pensar em várias áreas. Vemos além do que a faculdade oferece”, relata a moradora do Itapuã.
 
 
 
*Estagiária sob supervisão de Ana Sá
**A repórter viajou a convite do Semesp para São Paulo.