Mais de 33% dos universitários são os primeiros da família a concluir curso

Divulgados nesta terça-feira (9), dados do Enade apontam qualidade dos cursos e perfis dos estudantes. No ensino a distância, predominam pessoas mais velhas que querem complementar sua formação

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postado em 09/10/2018 13:44 / atualizado em 11/10/2018 12:51

O Ministério da Educação e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) anunciaram, nesta terça-feira (9), os resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) 2017. São dados que apontam a qualidade do ensino superior no Brasil, por meio do Conceito Enade e o Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD), e descrevem o perfil de universitários concluintes dos cursos. Os números apontam que 42,2% dos universitários que receberam financiamento do ProUni e/ou FIES são os primeiros da família a concluir um curso superior. Nos cursos presenciais, 33,2% dos concluintes são os primeiros da família a terem um diploma de ensino superior. No EAD, o número sobe para 38,2%.
 
 
Foram 450 mil estudantes concluintes presentes no exame, que consiste em 40 questões, 25% de formação geral (8 de múltipla escolha e 2 discursivas) e 75% de formação específica, área na qual figuram 27 questões de múltipla escolha e 3 discursivas. Os resultados apontam que 68,7% dos respondentes cursaram todo o ensino médio em escolas públicas e 22,5% do total receberam financiamento do ProUni e/ou FIES. Mais da metade (61%) dos universitários do Brasil têm renda familiar de até 3 salários mínimos, 42,2% são os primeiros da família com acesso à educação e 
34,8% ingressaram por meio de políticas afirmativas. Ao todo, 1.497 municípios aplicaram a avaliação. 
Para o ministro da Educação, Rossieli Soares, o exame possibilita devolutivas essenciais aos cursos e alunos avaliados. “O Enade é uma agenda importantíssima para o país. Ajuda a olhar o que está acontecendo e aferir o desempenho dos estudantes. Além do olhar do Governo Federal sobre a educação, possibilita também que cada instituição possa situar seu próprio desempenho e desenvolva suas próprias reflexões”, afirma Rossieli Soares, ministro da Educação.

Distância vs. Presencial

 

Os números gerais dos respondentes apontam um perfis diferentes entre os alunos de cursos particulares e cursos a distância (EAD). Na EAD, os concluintes são pessoas casadas, com família constituída e renda própria. Neste, 50% dos concluintes são pessoas casadas, contra apenas 18% de casados no presencial, nos quais a predominância (68,1%) é de solteiros, geralmente pessoas jovens. A maioria dos concluintes em EAD é de mulheres. “Aqui, destaco uma presença feminina muito maior. Elas procuram cada vez mais, na educação a distância, uma possibilidade.”

No EAD, aquele que é o principal provedor de renda da família está buscando melhoria na sua formação. Mais de 35% têm renda e contribui, enquanto 14,9% é o principal responsável pelo sustento da casa. No presencial, apenas 7,7% são os principais responsáveis pela renda familiar. Nos cursos presenciais, 42% dos estudantes declara que ainda não trabalhar. 

O ministro acredita que os números significam um perfil inclusivo para essa modalidade de curso. “Comparar as duas modalidades não é simples, mas é possível dizer que o trabalhador está entrando, de fato, no EAD”, avalia. “São claramente públicos distintos. Vimos que os mais jovens estão em muito maior número na educação presencial. No EAD, predominam aquelas pessoas estabilizadas, inseridas no mercado de trabalho, mas que sentem a necessidade de se qualificar. O recado dado pelos números do Enade é: o EAD é fundamental para manter essas pessoas se qualificando.” 

Em relação à cor, os números se assemelham. Em dados declarativos, vindos dos próprios estudantes, 51% se consideram brancos e menos de 10% se consideram da cor negra. Quanto à faixa de renda familiar, 22,6% ganha até 1,5 salário mínimo e 29% deles recebe de 4,5 a 6 salários. A faixa de renda familiar baixa é maior entre as licenciaturas, 34,3% dos alunos de licenciatura tem renda familiar de 1,5 a 3 salários.

“A educação a distância é uma realidade da qual não podemos nos furtar. A produção do conhecimento e o mundo do trabalho caminham para a expansão”, avalia Maria Inês Fini, presidente do Inep. Ela torce para que a sociedade brasileira “se convença de que é possível ter qualidade no ensino das duas modalidades”, nas palavras dela. “Precisamos ter uma alternativa de acesso àqueles que já estão inseridos no mundo do trabalho. Nenhum perfil profissional vai durar para sempre, é preciso uma formação continuada.”

Diferença entre observado e esperado

 

Quanto ao Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD), os dados apontam que 19,4% dos cursos alcançaram conceitos 1 ou 2, considerados insuficientes pelo Inep. Desses, 41% são de faculdades. No conceito 3, concentram-se 59,5% dos cursos.
 
Mariângela Abrão, diretora de avaliação da educação superior do Inep, acredita nos números apresentados como bons parâmetros para melhora dos cursos. “Devem surtir efeito acerca das propostas de cada instituição, no sentido de buscar melhorias em relação às propostas formativas.”
 
 
“A avaliação do ensino superior passa por uma revisão dos seus instrumentos, medidas e dimensões. O Enade tem seu ciclo avaliativo concluído com esses resultados. Esperamos que as políticas regulatórias possam se valer desses resultados. É um conjunto grande e pesado de dados disponíveis a partir de hoje”, afirmou Maria Inês Fini.