Comunidade acadêmica participa de ato em frente à BCE da UnB

Estudantes, professores e servidores repudiam o fato de livros sobre direitos humanos terem sido danificados. Políticos também compareceram ao ato

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postado em 10/10/2018 18:02 / atualizado em 11/10/2018 12:49

Estudantes, professores e servidores da Universidade de Brasília (UnB) estão reunidos em frente à Biblioteca Central (BCE) para protestar contra a destruição de livros sobre direitos humanos. O ato foi organizado depois que exemplares de temática pessoal do acervo da biblioteca foram encontrados rasgados e danificados. No Facebook, mais de 2.700 pessoas se disseram interessadas em participar do evento. A organização não soube informar quantos participantes estão no ato desta tarde.

 

 

 


Além de integrantes da comunidade acadêmica, também compareceram ao ato a deputada federal Erika Kokay (PT) e Fábio Félix, que acaba de ser eleito deputado distrital pelo Psol. Para Renata Vieira, uma das organizadoras do movimento e mestranda do programa de direitos humanos da UnB, a destruição dos livros é inaceitável. “É uma violência muito simbólica. Querem passar uma mensagem de ameaça aos direitos humanos, mas também ao próprio saber científico e à história”, lamenta.

 

 

Catarine Cavalcante/ Esp.CB/D.A Press

 

“O último exemplar rasgado falava sobre a história do Brasil. É como se os vândalos mandassem um recado. Hoje, começam rasgando livros. E amanhã? Não sabemos”, afirma. “Nós, do programa de direitos humanos, nos mobilizamos e conseguimos apoio da comunidade acadêmica, incluindo estudantes, funcionários e a Reitoria”, conta. Paula Otero, 19, estudante do segundo semestre de artes cênicas, fez questão de participar do movimento. "Acho que é uma mobilização necessária diante do que aconteceu aqui: um ataque aos direitos humanos e à universidade”, diz.


“O momento que nós vivemos não é de brigas de dois extremos. Só estamos recebendo ameaças de um lado. Não vejo ameaças de revolução comunista. O que estamos vendo são atitudes violentas que remetem à ditadura, a um regime totalitarista de direita. Algo muito triste", lamenta. Sueli Bellato, mestra em direitos humanos pela UnB, 65, foi da primeira turma de mestrado em direitos humanos da universidade, em 2012. "Quando tomei conhecimento dessa perda da biblioteca, isso me atingiu. Sou militante de direitos humanos e não podia ver essa notícia e não me manifestar”, conta.

 

 


"Todos os livros que foram danificados eram de direitos humanos. Esse vandalismo é um recado. E, infelizmente, há pessoas na comunidade acadêmica que são contrárias ao conteúdo daquelas obras.” Sueli acredita que a UnB, institucionalmente, precisa abordar a questão, tirar dúvidas e promover conscientização, em vez de se afastar do problema. "Essa manifestação é um gesto que partiu de alunos e ex-alunos. Ontem, numa reunião da AdUnB (Associação dos Docentes da UnB), mais de 600 professores também se manifestaram contra a destruição dos livros, o que é muito positivo", comemora.

 

A parlamentar Erika Kokay chamou a atenção para os riscos envolvidos no ataque aos exemplares da BCE. "O pensamento autoritário e a lógica fascista não suportam desenvolvimento científico, artístico e cultural, que se contrapõe ao regime ditatorial, de ausência de liberdade. Rasgar esses livros num período em que o fascismo está nas sombras, querendo assumir os postos mais importantes desta nação, é absurdamente emblemático", comentou a deputada federal.

 

Professores se posicionam

 

Alexandre Bernardino Costa, coordenador do programa de pós-graduação em direitos humanos da UnB, está entre os que se uniram ao movimento. "Trata-se de um ato de importância fundamental. O que aconteceu, do ponto de vista simbólico, é uma agressão não só aos livros, mas aos direitos humanos em si. Algo que atinge a todos, até mesmo o responsável pela destruição dos livros”, observa. “Temos de nos colocar frontalmente contra isso e manifestar o nosso repúdio veementemente”, explica. “Várias partes da UnB se juntaram a nós e também não aceitam essa agressão”, ressalta.

 

"Esse cenário em que vivemos atualmente e que parece caminhar para um retrocesso traz à tona a importância de nos posicionarmos a favor dos direitos humanos, que completam 70 anos, e também a favor da Constituição brasileira, que completa 30 anos", defende. A professora Olgamir Amancia, representante do Conselho de Direitos Humanos da UnB e decana de Extensão, também compareceu. "Nós, do conselho, repudiamos o que aconteceu e estamos aqui para nos solidarizar com a biblioteca, alunos e funcionários. Estamos falando de um ato de vandalismo que deve ser combatido firmemente."

 

 


*Estagiária sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa