PF apreende manifesto em defesa da democracia e da UFCG

O documento foi confiscado da sede da associação de professores da universidade, sob a suspeita de se tratar de material de campanha política a favor de Fernando Haddad. Entidade afirma que a publicação é apartidária

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postado em 25/10/2018 14:53 / atualizado em 25/10/2018 16:24

Na manhã desta quinta-feira (25), a Polícia Federal da Paraíba (PF/PB) cumpriu uma ordem de busca e apreensão sede da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Campina Grande (ADUFCG), na Paraíba. A PF apreendeu o Manifesto em Defesa da Democracia e da Universidade Pública, documento escrito em conjunto pelos professores em assembleia em 17 de outubro.

 

No mandado apresentado pela polícia, o material é chamado de “panfleto” e seria levado com outros materiais de campanha a favor do candidato a presidente da República, Fernando Haddad, do PT, caso a corporação encontrasse algum na entidade. Segundo a ADUFCG, porém, o manifesto é apartidário, assim como a associação.

 

ADUFCG reprodução
 

 

“O material não era de campanha, era um manifesto em defesa dos valores do sindicato, legitimado na última assembleia dos professores”, defende o diretor social da ADUFCG, Tiago Iwasawa. O manifesto foi divulgado nas redes sociais da associação, que explicavam o que havia sido definido na assembleia.

Tiago, professor de psicologia da UFCG, diz não entender o porquê da apreensão do material. “Estamos em momento tenso na política, fomos alvos de algum tipo de denúncia na Justiça eleitoral ou na federal, mas ainda não sabemos a razão”, afirma. Os associados aguardam a presença do advogado da entidade para entrar em contato com a PF e entender o caso.

 

Os integrantes da associação dizem “não ter ideia” de quem possa ter feito a denúncia. “Pode ter sido qualquer pessoa e suspeitar de alguém é arbitrário devido ao momento político que vivemos”, observa Tiago. De acordo com o professor, cerca de 600 professores são filiados à associação que não é sindical e tem filiação voluntária. Na assembleia em que o manifesto foi elaborado, nem todos estavam presentes, mas houve quórum suficiente para a construção do documento.

 

facebook/reprodução
 

 

“Foi aprovado em nosso em encontro, não é assinado pela diretoria, mas pelo conjunto”, esclarece o professor Tiago. O representante da ADUFCG destaca que a tensão por motivações políticas é alta na instituição de ensino, mas a universidade não foi alvo de nenhum ato de vandalismo devido a isso. “Não houve nada físico, mas há embates entre pessoas partidárias, em todas as universidades têm manifestantes”, conclui.

 

Contatada pelo Eu, Estudante, a Polícia Federal declarou que só se manifestará após o fim da investigação.

 

 

*Estagiária sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa