Doutor mais jovem do Brasil lamenta corte nas universidades federais

Juliano Morimoto cursou ciências biológicas na UFPR e concluiu doutorado aos 25 anos

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 08/05/2019 17:55 / atualizado em 08/05/2019 18:35


 
Marcos Solivan/Sucom-UFPR
 
Após passar o ensino médio e fundamental em escolas públicas, Juliano Morimoto concluiu a graduação em ciências biológicas pela  Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 2009 aos 18 anos. Aos 25, defendeu a tese do doutorado em zoologia na University of Oxford, no Reino Unido.  Dessa forma, se tornou o doutor mais jovem do Brasil. Há três anos, o brasileiro reside na Austrália e é pesquisador na Macquarie University.

Juliano ingressou na UFPR por meio de cotas sociais e considera que as instituições da rede pública ainda têm o que melhorar, mas são importantes para o país. “O ensino público é deficiente, mas é uma oportunidade para quem não tem condição de arcar com escolas particulares”, diz. “Querendo ou não esse sistema oferece educação para todos e isso é um fato positivo do nosso país. Os brasileiros têm preparo para competir com os estrangeiros, basta querer”, completa. 

O ex-aluno da UFPR lamenta o corte de 30% do orçamento das universidades públicas brasileiras feito pelo governo. “As universidades públicas preparam os melhores a nível internacional, pois os brasileiros são ensinados a pensar fora da caixinha. Consigo perceber isso durante as aulas que ministro no exterior”, explica. “Sou contra os cortes das universidades, pois irá reduzir a verba e menos alunos poderão entrar. Dessa forma, restringem a oportunidade de de novos talentos surgirem no Brasil”, esclarece. 

Juliano ainda acredita que a luta pelas universidades deve ser algo apartidário. “Nesse momento, nós precisamos ter comunicação e união. As universidades são centros de educação e oportunidades. É necessário defendê-las independentemente de partidos políticos”, afirma. “O Brasil é bem conhecido pelas pesquisas, é o maior da América Latina nesta área. Os cortes irão prejudicar muito essa reputação”, completa. 

O pesquisador que considera a UFPR a própria casa voltou a Curitiba para lançar o livro “Geometria poética”, escrito juntamente aos autores Leandro Capel, Rafael Ferreira da Silva, Jose%u0301 dos Reis Santos, Felipe Augusto Cini e Fábio Friedrich. A obra é destinada a estudantes de escolas públicas e ensina a temática de maneira simplificada para facilitar o aprendizado. A publicação integra um projeto financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que já atendeu mais de 500 estudantes da rede pública de Curitiba e região metropolitana, com palestras durante a Semana Nacional da Ciência e Tecnologia de 2017. O livro está disponível gratuitamente no link. 

Morimoto concluiu também o pós-doutorado na Universidade de Sydney em 2017. No mesmo ano, o pesquisador retornou à UFPR como professor visitante do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação. Além disso, foi eleito recentemente membro da Sociedade Real de Biologia e Fellow de uma das mais antigas instituições para o estudo de história natural, a Sociedade Linnean de Londres (The Linnean Society of London). O biólogo inglês Charles Darwin foi eleito Fellow da instituição em 1854. Atualmente, Morimoto pesquisa a área de Ecologia comportamental, avaliando como fatores ecológicos e nutricionais impactam o comportamento animal, a evolução, as espécies e a adaptação no ambiente.
 
*Estagiária sob supervisão de Ana Sá