Reitora da UnB promove conversa sobre cortes no orçamento da universidade

Encontro reuniu estudantes, professores e servidores técnico-administrativos

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postado em 23/05/2019 12:19 / atualizado em 23/05/2019 16:01

A reitora da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão, se reuniu, na manhã desta quinta-feira (23), com estudantes, professores e servidores da instituição, para esclarecer a confusão de informações sobre o bloqueio orçamentário das instituições de ensino público do país.

 
Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
 
Segundo a UnB, o Ministério da Educação (MEC) bloqueou 39% do orçamento de custeio da universidade, destinado ao pagamento de diversas despesas de manutenção (como contas de água, luz e contratos de serviços de limpeza e vigilância). O governo, contudo, afirma que não houve cortes, mas contingenciamento preventivo, que atingiu 3,4% do orçamento total das universidades.
 
O encontro, que ocorreu no auditório da Associação do Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), reuniu cerca de 80 pessoas. "Como a comunidade se sente mais insegura e, às vezes, ouve de fontes diferentes, trouxemos o esclarecimento da própria administração", esclareceu o chefe de gabinete da instituição, Paulo César Marques.
 
"Esse encontro foi provocado em função de diversas questões, como decisões, decretos e alterações orçamentárias. Achamos que seria o momento de fazermos essa apresentação porque esses dados nem sempre chegam à comunidade universitária", disse a reitora, ao destacar que os cortes da educação, promovido pelo governo, acabaram virando uma "guerra de números".
 
A decana de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional, professora Denise Imbroisi, apresentou, na reunião, dados sobre os recursos do Tesouro e os dados orçamentários da UnB. Segundo a decana, o bloqueio em recursos do Tesouro foi de mais de R$ 31,4% (R$ 31,4%) do orçamento da instituição.
 
 
Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
 
 
Mas ela esclareceu que não houve bloqueio dos recursos destinados à assistência estudantil. A decana também prestou informações sobre dados orçamentários da instituição. Ela disse que os recursos de fontes próprias da UnB têm origem na arrecadação de aluguéis e projetos. Mas o Tesouro não libera toda arrecadação própria da instituição. Hoje, o uso desse dinheiro é restrito ao teto orçamentário.

As informações sobre o desempenho acadêmico da instituição foram apresentadas pela decana de Pesquisa e Inovação, Maria Emília Machado. Segundo disse, mais de 15 mil publicações científicas foram produzidas no período de 2013 a 2017, destacando que a pesquisa e a extensão são prioridades da UnB.
 
No encontro, a Reitoria informou que analisa o recente decreto do presidente Jair Bolsonaro que tira autonomia de reitores para fazer nomeações. "A criação do SINC vai estabelecer um limitador na autonomia das universidades. Além dos impactos da reforma da Previdência", afirma.
 
Participaram da mesa a reitora, Márcia Abrahão; o vice-reitor, Henrique Huelva; o decano de Gestão de Pessoas, Carlos Vieira Mota; a decana de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional, Denise Imbroisi; e a decana de Pesquisa e Inovação, Maria Emília Machado. 
 
A estudante Yasmim gomes de Araújo, 23 anos, recém-formada em letras (licenciatura) e em processo de entrar no mestrado na UnB, participou do encontro. Ela disse que foi para saber das informações sobre o impacto dos cortes de bolsas da Coordenação de aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) na área do inglês do programa Idioma Sem Fronteiras. Alunos de licenciatura em inglês da UnB atuavam como professores no projeto e recebiam bolsas da Capes. "O corte impacta diretamente na formação dos alunos, é um complemento da graduação, como uma residência", diz.
 
Brenda Silva/CB/D.A Press

 
Segundo Rachel Lourenço, professora do Departamento de  Línguas Estrangeiras e coordenadora pedagógica de inglês do Idioma Sem Fronteiras na UnB, o corte imediato de 100% das bolsas para essa área afeta a formação de futuros professores. "A extinção significa uma queda na formação da qualidade de profissionais que vão atuar na educação básica."
 
Brenda Silva/CB/D.A Press
 

O Idioma Sem Fronteiras (ISF) é um programa de internacionalização da comunidade acadêmica. Conta com ações gratuitas de nivelamento e cursos on-line e presenciais. O público alvo é a comunidade acadêmica de instituições públicas de ensino superior. A professora Raquel informa que os outros idiomas (espanhol, francês, japonês...) do programa funcionam com fomento de parcerias, mas a modalidade inglês depende exclusivamente de bolsas da Capes para funcionar.
 
*Estagiária sob supervisão de Ana Sá