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Faculdade Zumbi dos Palmares lança manifesto para combater racismo

Movimento AR foi divulgado nesta terça-feira (30/6) e visa promover mudanças de atitudes e transformação social. A primeira ação do projeto será na quinta-feira (2/7)

Ana Luísa Santos*
Ana Luísa Santos*
postado em 30/06/2020 14:51

A Faculdade Zumbi dos Palmares junto à ONG Afrobras lançaram nesta terça-feira (30/6) manifesto com ações práticas para combater o preconceito e a discriminação racial contra negros, chamado de Movimento AR. A declaração contém 10 ações estratégicas a serem atingidas em cinco anos, com uma meta de alcançar 30% dentro de um ano. A primeira ação começa a ser posta em prática na quinta-feira (2/7), por meio de reunião com o Comando Geral da Polícia Militar de São Paulo.

Movimento AR foi divulgado nesta terça-feira (30/6) e visa promover mudanças de atitudes e transformação social.As mudanças que o manifesto propõe têm em vista possibilitar que pessoas negras tenham acesso à educação e à renda, por meio de parcerias e políticas públicas, levando em consideração tanto o cenário antes e pós-pandemia. ;Nós, parte da população negra, já vínhamos de uma realidade em que 70% dos mais de 13 milhões de desempregados eram pretos ou pardos e, após a pandemia, sabemos que quem vai sofrer com o novo cenário são jovens e cidadãos negros;, afirma o reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, José Vicente.

José Vicente, que é também um dos idealizadores do Movimento AR, diz que o projeto ganhou mais estatura após o acontecimento do assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos. ;No Brasil também tivemos outros ;George Floyd;, que foram assassinados da mesma maneira, seja pela polícia militar, civil, exército ou seguranças privadas;, relembra.

José Vicente, um dos idealizadores do Movimento Ar, reitor e fundador da Faculdade Zumbi dos PalmaresA população brasileira é composta por 56,10% de pessoas que se consideram pretas ou pardas, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad - Contínua) feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, segundo o estudo de Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, também realizado pelo IBGE, evidencia que a taxa de homicídio entre a população negra é quase três vezes maior do que a de brancos, 43,4 mortes para cada 100 mil habitantes contra 16 mortes para cada 100 mil habitantes, respectivamente.

José Vicente conta que a ideia do movimento é educar para transformar. ;Inspirado com o que ocorreu nos Estados Unidos, nós achamos que aqui também é possível reunirmos formadores de opinião, e assim fazer com que ocorram mudanças e transformações;, acredita.

Alcançando mais pessoas e entidades

Algumas entidades como a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Luiza Helena Trajano - Presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil e as escolas de samba Mangueira e Vai Vai assinaram o manifesto.

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Para chegar a toda sociedade, os idealizadores do projeto ganharam o reforço da Agência Grey, que desenvolveu uma campanha publicitária do Movimento AR, com filme e peças de mídia impressa e on-line, além do site. A logomarca foi criada pelo designer gráfico Oga Mendonça. O vídeo da campanha tem Martinho da Vila fazendo a locução do manifesto.

Personalidades brasileiras declararam apoio ao Movimento AR, atores e atrizes como Beth Goulart, Monica Martelli, Paulo Betti, Sérgio Loroza, Veralindá Menezes e Zezé Motta, profissionais da música como Gabi Amarantos, Neto Fagundes, Serginho Moah, Sandra de Sá, da cultura Alan Victor, Deise Nunes, Neilda Fabiano e políticos como a deputada federal Benedita da Silva e o senador Paulo Paim, entre outros.

Para assinar o manifesto e saber como pode ajudar, basta acessar o site do Movimento Ar.

Leia o manifesto na íntegra:

O Manifesto - Ações e estratégias:

Ação Zero: Prorrogação da Lei de Cotas nas universidades públicas federais.

1. Mudança nos protocolos policiais para impedir técnicas de sufocamento e estrangulamento em abordagens policiais, bem como disparos de arma de fogo em invasões ou ocupação de favelas e comunidades.

2. Mudança nos protocolos da segurança privada para acabar com a hostilização, perseguição e constrangimentos nos ambientes públicos e privados, incluindo a eliminação da sala de agressão e tortura presente nos Bancos, Shoppings e Supermercados.

3. Criação de 500 mil bolsas de estudos para qualificação de jovens negros em graduação, pós-graduação, pesquisa, formação tecnológica, economia criativa, negócios e empreendedorismo.

4. Criação de 300 mil vagas de estágios, trainees e profissionais negros nas empresas públicas e privadas.

5. Formação e qualificação de um milhão de quadros corporativos em Discriminação e Racismo e Gestão da Diversidade Racial.

6. Implementação de recursos por meio de ferramentas, mecanismos, metodologia de gestão, gerenciamento da inclusão, desenvolvimento de carreira, ações e políticas de diversidade racial em 300 empresas públicas e privadas.

7. 300 milhões em compras corporativas do ambiente público e privado, de serviços e produtos de empresas e empresários e profissionais negros.

8. Fundo Vidas Negras Importam de R$ 200 milhões para o fomento, apoio e financiamento educacional, empreendedor, tecnológico e de economia cultural criativa para jovens negros.

9. Implementação integral da Lei da História do Negro e história da África e da disciplina de relações étnico-raciais em todo ambiente escolar e universitário público e privado do país.

10. Campanha de instalação da Rua Zumbi do Selo da Igualdade Racial, ampliação e expansão da Virada da Consciência.


*Estagiária sob supervisão de Ana Sá

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