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Correio Braziliense LIçõES DE VIDA

Confira dicas de KondZilla, Primo Rico e Rivkah para inovar na sua área

Mais de 90 palestrantes falaram a um público de 11 mil pessoas durante o Innova Summit. Influenciadores dão conselhos de vida e carreira


postado em 13/10/2019 18:30 / atualizado em 13/10/2019 18:39

Reunir 11 mil pessoas para falar de inovação, empreendedorismo, impacto social e novas tecnologias foi o grande feito do Innova Summit. Para tanto, a conferência reuniu nomes de peso, como o economista e influenciador número 1 do Linkedin no Brasil Ricardo Amorim, o jornalista Caco Barcellos, o produtor musical e audiovisual KondZilla, o influenciador digital Thiago Nigro e a DJ mirim Rivkah. Ao todo, foram mais de 90 palestrantes, nove painéis de debate, workshops, hackathon e outras atividades.
 
 
Na busca pelo sucesso, ouvir conselho de pessoas que já chegaram lá pode ajudar. Foi assim que cada palestrante prendeu a atenção da plateia. Com histórias de vida diferentes, eles deram dicas para quem está tentando realizar um sonho e, embora cada um tenha a uma perspectiva distinta, eles compartilharam sacrifícios e desafios que tiveram de enfrentar para chegar ao topo. O evento ocorreu em 3 e 4 de outubro no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Confira aprendizados de três das principais personalidades que se apresentaram no evento.

Os conselhos financeiros do Primo Rico 

Quem navega pela internet em busca de informação sobre investimentos e rentabilidade possivelmente já se deparou com a figura de Thiago Nigro, o autointitulado Primo Rico. Formado em relações internacionais, o paulista de 29 anos investe na bolsa e é influenciador digital: ele alcançou 2,8 milhões de seguidores no YouTube e 2,5 milhões no Instagram, sempre em diálogo direto sobre o mercado financeiro com o público. No último fim de semana, ele esteve em Brasília como um dos palestrantes do Innova Summit, conferência de inovação e tecnologia.

Na ocasião, ele detalhou os passos apresentados em vídeos, cursos on-line e no livro Do mil ao milhão sem cortar o cafezinho (Harper Collins, 2018), cujos pilares são “gastar bem, investir melhor e ganhar mais”. Primo Rico compara a busca por um “corpo melhor” com a busca pela conta bancária dos sonhos. Nos dois casos, a lógica é a mesma: “A gente sabe o que fazer, mas não faz”. Quando o assunto são as finanças, contudo, não acredita em milagres. “Ajudo na conquista pela independência financeira, mas não faço mágica”, alerta.

Para o primeiro pilar, ele parte de uma história pessoal. “O Tiago de 18 anos tinha uma namorada e um cartão de crédito. Ele foi a uma loja de joias caras e comprou um presente para a amada. Na hora de passar o cartão, torceu para a compra não ser aprovada, mas foi”, recorda. Um mês depois, o namoro acabou. “O pior de tudo foram as 11 parcelas que ainda precisava pagar”, diz. Depois do ocorrido, Thiago Nigro aprendeu que gastar errado é normal, faz parte. O problema mesmo está em fazer disso um hábito.

Quando isso acontece, o indivíduo se torna refém e submete-se a situações nada prazerosas, como trabalhar com o que não gosta para ganhar dinheiro. “O pobre gasta dinheiro com coisas idiotas”, diz Thiago Nigro. A afirmação polêmica é sustentada pela ideia de que rico é aquele que “sabe investir, sacrifica o presente por um conforto maior”. No entanto, é comum que as pessoas, na agitação do momento, em vez de poupar, acabem apeas comprando. “Vivemos antecipando sonhos e abrindo mão de parte do nosso futuro.” A saída é inverter essa lógica.

Nesse sentido, o palestrante em finanças acredita que a forma usada pelos pais para ensinar os filhos sobre economia está errada. Não se poupa o que sobra. O certo, para o Primo Rico, é programar com antecedência o valor a ser economizado e gastar somente o excedente, e não o contrário. Sendo assim, Thiago acredita que a famosa frase “o segredo não é quanto você ganha, mas o quanto você gasta” não é o verdadeiro segredo. Essa filosofia serve para não empobrecer, mas não levará ao enriquecimento.

Não perca dinheiro

Sobre investir melhor, Thiago Nigro elenca as três atitudes que levam à perda de dinheiro na bolsa: a ganância, porque o indivíduo compra ações caras; o medo, que o faz vender barato; e a impaciência, que o leva a sair antes da hora certa do mercado de ações. “O maior arrependimento dos investidores é não ter começado antes”, afirma Thiago, após conversar com investidores sobre o tema. Ele remonta às duas regras do seu ídolo Warren Buffet, acionista estadunidense. “A primeira é nunca perca seu dinheiro. A segunda: nunca esqueça a primeira regra”, costuma dizer o bilionário Warren Buffet, que já ocupou o topo da lista da Forbes como homem mais rico do mundo.

A lista de conselhos caros ao influenciador não para por aí. Ele lamenta que não tenha conhecido a história e o modo de pensar, quando mais novo, de empreendedores como Luiza Helena Trajano (Magazine Luiza e outras empresas), João Adibe Marque (dono e presidente do Grupo Cimed) e Guilherme Benchimoll (CEO e um dos fundadores da empresa de investimentos XP Inc., além de ser uma das 50 pessoas mais influentes do mundo). “Primeiro, faça o necessário. Depois, faça o possível. Quando perceber, estará fazendo o impossível”: essa é uma frase de Luiza Helena que o influenciador levou para a palestra.

“Não existe fórmula mágica”, reitera Thiago Nigra, “mas, se existisse, seria tão simples como: não deixe para investir o que sobra depois de gastar. Gaste o que sobra depois de investir”. Para ele, a plateia lotada no Innova Summit é prova de que o brasileiro está, sim, disposto a isso. “Quando entrei no palco, senti todo mundo ansioso para ver o conteúdo e aprender. As pessoas querem desenvolver o lado financeiro, e isso me deixa muito feliz”, comemora.

KondZilla incentiva a busca por ser feliz no percurso 

 

Konrad Cunha Dantas, KondZilla ou apenas Kond começou a gravar vídeos com uma câmera comprada com o seguro de vida da mãe, depois que ela morreu, e, hoje, é dono do maior canal do YouTube Brasil e da América Latina, e o segundo maior canal de música do mundo, com mais de 50 milhões de inscritos. Além disso, é produtor musical, empresário de mais de 30 artistas, palestrante e diretor-criativo de videoclipes. Nascido em São Paulo, ele sempre quis mostrar o dia a dia de moradores jovens das favelas paulistanas e, recentemente, conseguiu realizar esse desejo.

Kond, 31 anos, idealizou a série Sintonia, produzida pela Netflix, e conseguiu um feito histórico: essa foi a primeira produção da Netflix que teve um episódio completo liberado em um canal do YouTube de terceiros, o do KondZilla. O paulistano entrou no palco do Innova Summit afirmando: “Antes de ser foda, seja feliz”. A partir de fotos antigas, contou um pouco da sua história. A trajetória no ramo da música começou com o rap, mas foi no funk que ele encontrou uma oportunidade. Esse gênero estava bombando nas periferias.

E Kond viu o YouTube como um canal para exibir músicas do estilo sem precisar da aprovação nem de produtoras musicais nem de ninguém. Foi aí que tudo começou. O primeiro vídeo tinha apenas uma colagem de fotos e uma música, mas viralizou. Kond se surpreendeu: “Foi aí que eu percebi que qualquer merda que eu fizesse ia dar certo”, brinca. Na época, ele mostrou a produção para amigos rappers para pedir ajuda, mas eles não quiseram entrar nesse projeto porque acreditavam que o funk não tinha boas letras.

Kond não desistiu. O esforço foi tanto, que Charlie Brown Jr. o chamou para produzir um videoclipe da banda. De primeira, o paulistano recusou a oferta, pois tinha projetos pessoais, mas, após analisar a proposta, aceitou. No fim, a banda queria contratá-lo. Contudo, Kond começou a produzir tantos vídeos como freelancer que financeiramente não compensava continuar com a banda. Desde o início, ele busca inovar e aprender. Por isso, no começo da carreira, separava algumas horas do dia para assistir a videoclipes de hip-hop americanos, ritmo que, segundo ele, tem semelhanças com o funk. “Eu pegava uma folha e anotava tudo o que gostava e o que não, para servir de lição em minhas produções”.

Empreender

Kond percebeu que a matéria-prima em que ele deveria investir não era o vídeo, mas, sim, a música. Então, resolveu  tornar-se empresário de artistas. “Preciso ser dono da música para explorá-la comercialmente”, explicou. Hoje, ele é empresário de mais de 30 artistas, entre eles Kevinho e Karol Conka, MC Bin Laden. Para Kond, comprar máquinas modernas para produção de vídeos é um vício. Assim que o mercado lança uma, os integrantes da produtora KondZilla querem comprar.

Porém o paulistano alerta para o risco de recusar trabalhos pela falta de recursos. “Se você tiver nojo de trabalhar com pouco recurso, outra pessoa vai lá e faz”, afirma. Esse problema é enfrentado pela empresa dele: “Os fotógrafos e filmadores só querem os melhores equipamentos”. Ele não se deixa travar por conta disso. “Algumas pessoas não topam voltar para ter menos recursos. Eu não ligo para isso”, afirma, ao lembrar quando, em 2017, gravou um videoclipe com o MC Bin Laden, no Egito, utilizando apenas um Iphone.

Algoritmo como amigo

Kond acredita no poder do algoritmo. Por isso, leva em consideração pesquisas estratégicas para produzir conteúdo. A música O bebê, de Kevinho e MC Kekel, por exemplo, foi produzida com base em uma sugestão do Spotify. O aplicativo enviou uma recomendação de que a música tenha menos de três minutos, pois, se for muito longa, os usuários saltam e a posição no ranking cai, o que prejudica a produtora. Em 2016, Kond se viu diante de uma questão de ética. Se o discurso da música ofendia alguém, o canal não tinha responsabilidade, pois não escreveu a música.

Mas seria certo se isentar da responsabilidade? Foi aí que o canal resolveu mudar o discurso e, atualmente, não produz videoclipes com palavrões, armas e objetivação do corpo. Para o paulistano, embora essa mudança de discurso não traga retorno financeiro, essa foi uma decisão muito séria e importante, e, a partir dela, eles conseguiram “romper a bolha da favela” e aumentar a participação de mulheres na produção de funk. Outro aprendizado de Kond é apostar em multiplataformas.

“Não deposite seus ovos numa única cesta”, indica. Por isso, ele afirma que é grato ao YouTube, mas quer performar em todas as mídias. Atualmente, ele tem trabalhos também na plataforma Netflix, nos canais Globosat e HBO e Viacom. Kond acredita que existe uma fórmula para o sucesso: buscar ser feliz na trajetória.

“Se você só pensar no dinheiro, é difícil chegar ao topo”, afirma. Ele explica que o dinheiro vem como consequência, por isso, nunca foi o foco. Para quem quer empreender, o produtor acredita que é imperativo entender qual a atividade que se deseja exercer e para quem. Assim, priorizar o público é fundamental. “Algumas pessoas acabam se perdendo pelo tanto de oportunidades e possibilidades que esse mundo digital traz”, afirma.

Rivkah: Desengavete o seu sonho

 

A produtora musical mais jovem do mundo e a DJ profissional mais nova do Brasil tem 12 anos de idade. Rebecca Rangel, conhecida como Rivkah, é apaixonada por música desde pequena e, com o apoio dos pais, já tocou em eventos como o Na Praia. Filha de brasileira, ela nasceu na Noruega e mora em Brasília. A menina palestrou no Innova Summit e assistiu à palestra do KondZilla. “Eu o acho incrível”, afirma. A DJ explica que, em suas palestras, aconselha as pessoas a nunca desistirem dos sonhos, assim como o Kond.

Ela consegue resumir seu trabalho em uma palavra: amor. “Quando eu estou tocando, é uma energia indescritível, eu não trocaria isso por nada.” A produtora musical passa o dia na escola, e, quando volta para casa, faz deveres. Só entra no estúdio no tempo livre. A agenda dela é feita dando prioridade para a escola. Por isso, ela só toca em fins de semana. “Eu acho que, hoje em dia, está faltando o apoio dos pais (para muita gente). Porque se minha mãe tivesse falado para eu ser médica, eu ia estudar, fazer faculdade, virar médica e nunca estaria satisfeita com o meu trabalho.”

A DJ afirma que o apoio da mãe, Valesca Rangel, foi fundamental. Quando ela disse, aos 9 anos, que queria trabalhar com música, a mãe foi atrás de um curso e a incentivou. “Acho que a gente está perdendo muitos artistas porque os pais não apoiaram”, reflete Rivkah. “Independentemente da profissão que você quiser seguir, nunca pare para ouvir pessoas que estão duvidando da sua capacidade, do seu talento”, afirma. Rivkah acredita que o melhor é seguir mesmo assim. Por isso, ela diz em todas as palestras: “Se você tem um sonho guardado em uma gaveta, abra essa gaveta”.

Como uma menina de 12 anos, a DJ já passou por situações delicadas por causa do preconceito. “Já chegaram a trocar cabo para ver se na hora eu conseguiria destrocar, para ver se eu realmente tocava”, desabafa. Além do mais, nas conversas, ela percebe uma atmosfera de teste, como se as pessoas quisessem que ela provasse que entende do assunto. Nada disso, porém, a desanima e ela segue firme fazendo o que gosta.

Outro evento e inovação

Brasília recebe esta semana o Edtech Meetup, evento que une empreendedores e entusiastas pela inovação na educação. O objetivo é disseminar o paradigma da nova economia nas instituições de ensino, por meio da articulação das startups de educação, as edtechs.

Quando: quinta-feira (17), das 14h30 às 21h
Onde: Centro de Convenções Ulysses Guimarães
Preço: R$ 190 (pessoa física); para instituições e grupos, os valores e benefícios variam
Informações: bit.ly/2maAInv


*Estagiária  sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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