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Superataque virtual prejudica a internet

Briga entre grupo holandês de hospedagem de sites e companhia que fornece proteção contra spam afeta operações da rede mundial

A internet ficou mais lenta em todo o mundo, ontem, devido ao que especialistas em segurança virtual chamaram de maior ataque cibernético da história. A rede mundial foi afetada por uma briga entre uma empresa holandesa que hospeda sites e um grupo que luta contra o crescimento do spam ; as mensagens indesejadas, na maioria das vezes peças de propaganda, que entulham os e-mails de internautas ao redor do planeta.

A disputa deflagrou ataques que afetaram serviços como o Netflix, de vendas de filmes, mas os especialistas temem que, se continuar, a guerra virtual poderá causar problemas em bancos e serviços de e-mail. As polícias especializadas de cinco países estão investigando os ataques.

Nos últimos dias, o grupo Spamhaus, que tem bases em Londres e Genebra, começou a ser alvo de uma enormes quantidades de tráfego de dados, com o visível objetivo de deixar o seu site inacessível. A organização se dedica a ajudar provedores de e-mail a filtrar spams e outros conteúdos indesejados. Para isso, mantém uma lista de endereços que devem ser bloqueados, constituída por servidores conhecidos por serem usados para fins escusos na internet.

O executivo-chefe da Spamhaus, Steve Linford, acusa a empresa holandesa Cyberbunker, que recentemente teve seus servidores bloqueados, de estar por trás dos ataques, em cooperação com hackers do Leste Europeu e da Rússia. A companhia da Holanda abriga uma grande quantidade de sites, com qualquer conteúdo, exceto pornografia ou material relacionado a terrorismo. Segundo Linford, os ataques têm poder suficiente para derrubar uma estrutura de internet governamental. A Cyberbynker não quis responder às acusações, mas um porta-voz afirmou que a Spamhaus não pode decidir ;o que acontece na internet;.

Crescimento

Os ataques maliciosos na rede mundial de computadores têm crescido de forma exponencial nos últimos anos. Segundo o Websense Security Labs, empresa norte-americana especializada em segurança na internet, no último ano o número de ocorrências desse tipo aumentou quase 600%. ;Esses ataques foram principalmente realizados em sites legítimos, com o objetivo de roubar dados. A natureza dessas ameaças avançadas revela uma nova classe de hackers sofisticados trabalhando para comprometer alvos cada vez mais valiosos;, disse, em comunicado, o vice-presidente da companhia, Charles Renert.

Segundo o último relatório da Websense, toda semana as empresas enfrentam uma média de 1,7 ataque para cada 1.000 usuários, e o número de sites maliciosos aumentou 600% em todo o mundo. Estados Unidos, Rússia e Alemanha foram os três principais países hospedeiros de programas mal-intencionados. Na América Latina, o aumento de sites maliciosos alcançou 491% no período analisado. O Brasil aparece, no continente, em segundo lugar numa lista de 10 países vítimas de crimes cibernéticos, atrás do México e à frente da Argentina. Segundo o relatório, o Facebook aparece como um dos principais vetores de ataques virtuais.

EUA na mira
Relatório do National Intelligence Estimate (NIE), órgão de inteligência norte-americano, os Estados Unidos são alvo de um grande ataque cibernético que pode ameaçar a competitividade econômica do país. Segundo o documento, publicado no ultimo domingo pelo jornal Washington Post, a China é o país de origem da maioria dos cibercrimes. Os ataques vêm sendo cada vez mais agressivos e têm o objetivo de penetrar nos sistemas de informática para obter dados confidenciais de instituições e de empresas americanas. As instituições mais visadas, segundo o NIE, são empresas dos setores de energia, finanças, aerosespacial e automobilístico.