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A vez do WhatsApp

Aplicativo que permite a troca de mensagens em grupo pelo celular conquista milhões de usuários no mundo graças à praticidade e à facilidade de uso. Serviço já rouba espaço das redes sociais

Roberta Machado
postado em 24/01/2014 09:26
Vanessa, à frente, e amigos do grupo Jantarzinho do domingo: tecnologia para marcar encontrosA fronteira entre telefonia e redes sociais foi quebrada de vez. Trocar números de telefone com estranhos virou rotina, e curtos recados com emoticons são considerados uma nova ferramenta de trabalho. Nada de ;me adiciona; e ;aceita meu pedido na sua timeline;. Os contatos estão todos ali, enfileirados em uma tela de poucas polegadas na qual amigos, parentes e colegas de serviço dividem espaço sem conflitos de interesse. É a era WhatsApp, um aplicativo que começou como uma alternativa barata para o serviço de mensagens, mas acabou ganhando status de rede social, capaz de rivalizar com gigantes da internet, como o Facebook.

Nesta semana, o CEO do WhatsApp, Jan Koum, anunciou que a empresa atingiu a impressionante marca de 430 milhões de usuários ativos. O número, equivalente às populações das Américas do Sul e Central juntas, só foi atingido pelo Facebook em 2010, seis anos depois da fundação da rede por Mark Zuckerberg. A empresa de mensagens gratuitas comemora a marca com apenas cinco anos de existência e não dá sinais de perder o ritmo de crescimento. Somente no último mês, 30 milhões de pessoas baixaram e passaram a usar o aplicativo de mensagens.

O app está disponível para usuários dos sistemas Android, iOS, Blackberry, Nokia e Windows Phone, sem nenhum custo ; depois de um ano, o programa passa por uma atualização, que custa US$ 0,99. O valor, bem mais baixo do que o desembolsado pela maioria dos usuários do serviço SMS há alguns anos, parece bem atraente. E não há anúncios, exigências nem qualquer outra pegadinha. ;Chegamos a esse ponto sem gastar um dólar em anúncios ou campanhas de marketing;, ressaltou Jan Koum em um post no blog da companhia no domingo passado. Ele garante que essa forma de trabalho traz lucro.

O público aprova. ;Quando preciso combinar uma reunião ou um almoço de negócios, sempre utilizo o WhatsApp. E encontrar os amigos ficou mais fácil;, avalia Fellipe Siqueira, comunicólogo de 25 anos que começou a usar o aplicativo no fim do ano passado. ;Minha mãe agradece por eu não ligar mais a cobrar para saber se o almoço está na mesa;, brinca.

Amigos de verdade
A praticidade fez com que, no fim do ano passado, o WhatsApp roubasse do Facebook o posto de principal serviço de mensagens móveis. De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa On Device em cinco países (incluindo o Brasil), 44% das pessoas que usam smartphones para se comunicar recorrem ao WhatsApp todas as semanas, enquanto somente 35% usam o sistema de mensagens do Facebook. Em setembro do ano passado, a rede de Zuckerberg atingia a marca de 10 bilhões de mensagens enviadas por dia. Já o aplicativo que dispensa perfis virtuais comemorou, em 2014, a marca de 50 bilhões de mensagens trocadas em um mesmo dia.

De acordo com uma estimativa que o analista Benedict Evans publicou em seu perfil do Twitter, esse número deve ter ultrapassado também o número de SMS enviados por dia, embora não haja um registro exato desse tipo de serviço. De acordo com um estudo da Universidade de Princeton publicado nesta semana, o Facebook já está em fase de declínio e pode perder 80% dos usuários nos próximos três anos. ;As pessoas vão para coisas mais simples. Quem tiver a forma mais fácil de comunicação será a minha plataforma;, resume Henrique Pequeno, professor do curso de sistemas e mídias digitais da Universidade Federal do Ceará (UFC).

De olho na concorrência, a rede social melhorou seu app para mensagens via Android e deve permitir em breve que o usuário possa conversar com amigos usando somente o número de telefone. A tendência conquista principalmente os jovens, que deixam de lado as redes sociais tradicionais em busca de privacidade e rapidez. ;Percebi que precisava dar mais foco ao trabalho e me afastar de amizades interesseiras. Amigos de verdade estão nos meus contatos pessoais;, constata o publicitário Pedro Trindade, 24 anos, que trocou o Facebook pelo WhatsApp. O jovem diz não sentir falta do perfil virtual e atesta que hoje investe seu tempo no que realmente importa. ;Eu me aproximei das pessoas de que eu mais gosto.;

Simplicidade
A principal razão para essa debandada das redes sociais tradicionais, atestam especialistas, é a simplicidade do aplicativo, que pode ser usado por qualquer novato no mundo digital. ;Ele é focado na questão da interação, não começa a dispersar com jogos, entretenimento ou anúncios. Tudo isso aborrece o usuário, que não aguenta ficar recebendo recomendações;, avalia Henrique Pequeno. Em vez de criar novas funções para atrair usuários, o WhatsApp se deixa ser modificado pelo público, que descobre novas maneiras de usá-lo.

;Ele é muito clean e rápido, por isso logo virou uma comunidade, mesmo que esse não seja o objetivo principal;, acredita Fábio Fernandes, professor de Mídias e Jogos Digitais da PUC-SP. Um diferencial apreciado pelos usuários do WhatsApp é poder separar seus contatos em diferentes categorias, sem o risco de se abrir para desconhecidos.

Cada grupo funciona como um perfil independente. ;Se faço uma viagem, crio um grupo para mandar as fotos. Outro é para o trabalho e um só para enviar vídeos;, enumera a estagiária em administração Vanessa Rezende, 24 anos. Ela usa o WhatsApp para vários fins, como falar com a família, enviar mensagens para colegas do serviço e divulgar seu trabalho com vendas. Seu aplicativo está dividido em mais de 20 grupos. Um deles, o Jantarzinho de domingo, serve para reunir os amigos. ;Já fiquei um dia sem olhar o telefone e, quando vi, acho que havia umas 924 mensagens, ou algo assim;, conta a jovem.

Falsas ameaças

De tempos em tempos, surgem novos boatos de que o WhatsApp vai começar a cobrar pelos seus serviços. No início do ano, uma mensagem falsa circulou em nome de ;David D. Suretech;, que alegava ser o fundador do WhatsApp. O texto pedia que o usuário encaminhasse o spam para todos os contatos, pois só haveria 53 milhões de novas contas disponíveis. Obviamente, esse não é o nome do fundador do Whatsapp, e a companhia desmentiu a veracidade da mensagem, assim como a informação de que o número de contas fosse limitado.

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