Dad Squarisi
postado em 31/03/2009 09:15
Quando usar por que, porque, por quê ou porquê? Nunca sei.
Mariana Araújo Nascimento, 15 anos, 2º ano do ensino médio
Mariana, a dúvida é sua e de meio mundo. Estudantes, jornalistas, advogados, todos querem saber por que o porquê tem tantas caras. Ora aparece junto. Ora, separado. Ora com acento. Ora sem o chapeuzinho. Não há quem não hesite na hora de escrever uma forma ou outra. Muitos chutam. Mas, como a língua não é loteria, a Lei de Murphy entra em vigor. Se pode dar errado, dá. Melhor não correr riscos. Por que tem dois empregos:
1. nas perguntas: Por que os professores estimulam a leitura? Por que é importante a presença dos pais na escola? Por que a evasão escolar continua alta no Brasil?
2. nos enunciados em que é substituível por %u201Ca razão pela qual%u201D:
É bom saber por que (a razão pela qual) os professores estimulam a leitura. Explique por que a razão pela qual) se impõe a presença dos pais na escola.
Por quê só tem vez quando o quezinho for a última %u2014 a última mesmo %u2014 palavra da frase. Sabe por quê? Ele é átono. No fim do enunciado, torna-se tônico. O acento lhe dá a força: Os professores estimulam a leitura por quê? A evasão escolar continua alta, mas poucos sabem por quê.
Porque é conjunção causal ou explicativa: Os professores estimulam a leitura porque bons textos enriquecem o vocabulário. A evasão escolar continua alta porque muitas crianças trabalham em vez de ir à aula.
Porquê, assim, com chapéu, porque deixa de ser conjunção.Torna-se substantivo. Para mudar de classe, precisa da companhia do artigo ou de pronome: Explicou o porquê da evasão escolar no Brasil. Certos porquês quebram a cabeça da gente. É isso, Mariana. Não há por que temer os porquês. Quem entendeu a lição sabe por quê.