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Especialistas dão dicas para passar em seleções de estágio e trainee

A concorrência de processos seletivos do tipo, muitas vezes, ultrapassa a de vestibulares e a de concursos públicos. Ambas as modalidades de programa são ótima oportunidade para consolidar o início da carreira. O fim e o início do ano costumam ter maior abertura de vagas do tipo. Saiba como conquistar sua vaga

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postado em 30/12/2018 14:08 / atualizado em 30/12/2018 15:49

O fim e o início do ano são momentos de fartura de vagas para quem está em busca de oportunidades de estágio e trainee. Isso porque as empresas costumam, nesses períodos, renovar e repor o quadro de colaboradores do tipo. Ambas as possibilidades de início de carreira são ótima chance de se inserir no mercado de trabalho, ganhar experiência e, se tudo correr bem, garantir uma efetivação. Apenas no primeiro trimestre de 2019, o Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube) espera que sejam abertas 39.100 vagas para estagiários em todo o país, das quais 33 mil possibilidades são para ensino superior, e 6.100, para alunos de níveis médio e técnico. As seleções de estágio (exclusivas para estudantes) costumam ser concorridas. E as de trainee (para recém-formados, em geral há até dois anos), ainda mais com concorrência chegando a até mais de 1.500 candidatos por vaga. Para ter a chance de entrar em uma boa empresa, o aspirante deve se posicionar como alguém indispensável ou útil para aquela firma. Como fazer isso? Confira dicas de especialistas.
 
 
Aline Rocha/Esp.CB/D.A Press
 

Controle a ansiedade

 

A ansiedade é um sentimento que pode gerar tensão na hora de uma entrevista. Para se controlar, o psicólogo organizacional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) William Lima, dá a dica: “Faça algo de que goste muito antes da entrevista, assim, na hora da seleção, você estará mais calmo”. Chegar mais cedo ao ponto de encontro da seleção é outra dica. “Cerca de 15 a 20 minutos é um tempo bom para se habituar ao local e ficar mais tranquilo”, diz Carolina Utimura, diretora comercial da Eureca, consultoria de RH especializada em juventude. De acordo com o gerente de seleção da Fundação Estudar Leonardo Gomes, o que gera ansiedade, muitas vezes, é a falta de preparação. “Se você não conhece o cenário, ficará inseguro. A partir disso, é válido, então, conhecer a empresa como um todo”, aponta. “Pesquise sobre a instituição, quem e com o que trabalha, as notícias que saíram e tudo mais. Porque, assim, a ansiedade vai embora, pois você terá feito tudo que podia para se preparar”, complementa o também professor universitário William.
 

Destaque-se

 

Processos seletivos de grandes empresas, seja para estágio, seja para trainee, costumam ser bem disputados. Para se destacar, é preciso mostrar algo a mais, não só na técnica. “Pense na comunicação, na pontualidade, na maneira de se comportar e de se organizar. Treine por meio de palestras, seminários e vídeos de apresentações. Pois, com isso, terá uma vivência com a prática e agirá com mais tranquilidade”, destaca Leonardo Souza, supervisor de Recrutamento e Seleção da Employer, empresa de recursos humanos. É necessário também mostrar interesse em fazer parte daquela instituição. “Por mais que você esteja em 10 processos seletivos, vale priorizar os cinco que mais tenham a ver com o seu perfil. Decidido isso, o primeiro passo é pesquisar sobre instituição. Fale com funcionários de lá também, por meio do LinkedIn ou Facebook, pois aí, na entrevista, saberá mais sobre coisas internas, o que é bem-visto. Demonstre sempre que está interessado naquele processo, assim a empresa prestará mais atenção em você”, percebe Leonardo Gomes.

Apresente-se bem

 

É comum ouvir falar que os gestos demonstram quem e como a pessoa é. Isso é verdade e, segundo o psicólogo William Lima, é necessário discrição com os movimentos. “Nunca cruze as mãos e os braços. Mantenha sempre contato olho no olho, pois isso passa confiança. Use postura corporal correta, nunca abaixe a cabeça. Tudo o que você fizer indicará se está preparado para a vaga. Por isso, seja confiante”, orienta. Na seleção, é comum também que os avaliadores peçam para a pessoa apresentar os próprios pontos fortes e fracos. E, segundo especialistas, é importante avaliar as experiências que a pessoa tem. “Nesses momentos, procura-se entender quais foram os aprendizados de cada um, qual foi o seu papel nestes resultados e quais foram as conquistas em cada etapa da vida”, diz o gerente de seleção Leonardo Gomes.

“Traga exemplos: se eu estou dizendo que sou uma pessoa criativa, conte o que já resultou dessa criatividade, como você a usou em determinada ocasião. Tudo de forma transparente e verdadeira sempre”, acrescenta a diretora comercial Carolina Utimura. É necessário também mostrar os pontos negativos de uma maneira que não expresse total incapacidade de lidar com aquilo. “Apresente-os de forma positiva. Se o foco da empresa é comunicação e você é tímido, diga: ‘aqui na empresa, poderei melhorar essa minha timidez’, por exemplo”, elenca o supervisor Leonardo Souza. “Outro exemplo seria: se eu tenho dificuldade em manter a proatividade, eu conto o que tenho feito para melhorar isso”, acrescenta Leonardo Gomes. E, em todos os casos, nunca se gabe das habilidades que tem. “Não diga que é bom nisso ou naquilo. A melhor maneira é falar algo como: dentro da necessidade da vaga, tenho conhecimentos que seriam úteis para a equipe”, finaliza William Lima.

Em busca de uma vaga

 

Jessé Vanzella Santana, 22 anos, cursa o 7° semestre de engenharia química na Universidade de Brasília (UnB) e está em busca de uma vaga de estágio. “Primeiramente porque no nosso curso é obrigatório para a formação ter feito um e também porque tenho os pré-requisitos e não quero deixar para fazer de última hora”, explica. “Para mim,  não é só para cumprir créditos. O estágio é uma oportunidade de colocar em prática os meus conhecimentos obtidos até então na UnB. Também servirá para abrir a mente dentro da área que quero seguir, pois saberei como é o funcionamento em uma indústria”, conta. Atualmente, Jessé participa de várias seleções. “Eu me inscrevi em 14, no total, mas, até agora, obtive resposta negativa de três e, das outras, estou aguardando o resultado. Ainda estou procurando mais para me inscrever”, diz.

O estudante reconhece que os processos não são fáceis. “Acho difícil porque vejo um critério de seleção muito alto. Principalmente, porque todos que estou tentando são para São Paulo, então, há muita competição”, afirma o jovem, natural de Ribeirão Pires (SP). Para se preparar, ele reserva os fins de semana para estudar e se atualizar. “Busco na internet vídeos de dicas de como se portar melhor numa entrevista, como executar uma carta de apresentação, como fazer um bom resumo no LinkedIn, como falar meus defeitos e qualidades...” Jessé também aposta em se capacitar. “Tento valorizar meu currículo por meio de cursos normais e de línguas e atividades que visam minhas competências”, afirma. “Em etapas on-line, como teste de inglês e lógica, busco respondê-las em horários em que eu esteja mais descansado e tranquilo. Em cartas de apresentação ou vídeos, peço sempre para algum amigo, familiar, ou pessoa experiente, dar uma olhada para corrigir e ver se está bom”, relata.
 

As fases

 

Os processos seletivos de estágio e trainee costumam ter etapas on-line e presencial. Para garantir uma vaga, o candidato tem que ultrapassar cada uma delas. Entre as fases, estão triagem curricular, testes escritos e on-line (de lógica, inglês e informática), dinâmicas de grupo, painel de negócios e entrevistas (em vídeo ou presencialmente). Além de treinar para essas etapas, os interessados ainda devem controlar a ansiedade e saber vender o próprio peixe.
 
 

*Estagiária sob  supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa