APROVADOS

Conheça as histórias dos campeões do Sisu na UnB, no IFB e na Escs

Os primeiros colocados da seleção no Distrito Federal contam seus métodos de estudo e motivação

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postado em 28/01/2019 18:29 / atualizado em 28/01/2019 21:05

Conseguir uma vaga numa instituição de ensino superior pública pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) já é um feito e tanto. Afinal, a concorrência é alta: na primeira edição do ano do programa, mais de 1,8 milhão de pessoas (totalizando mais de 3,4 milhões de inscrições) concorreram a cerca de 235 mil oportunidades pelo sistema. Imagine, então, alcançar uma oportunidade do tipo com louvor. É o caso dos primeiros colocados do Sisu na Universidade de Brasília (UnB), na Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs) e no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB). Juntas, as três instituições ofereceram 3.180 vagas pelo Sisu. Conheça histórias de candidatos que se destacaram pelo bom desempenho e o passo a passo que os levou não só à aprovação, mas aos primeiros lugares da seleção:
 

Os vencedores da UnB

 

Arquivo pessoal
Pedro Franca de Figueiredo

1º colocado geral e do câmpus Darcy Ribeiro
ldade: 18 anos
Curso: Medicina
Nota: 859,45 

Pedro Franca de Friguereiro, 18 anos, comemora não só a aprovação em medicina na Universidade de Brasília (UnB), como o primeiro colocado geral, mas também o fato de ter passado no vestibular da Universidade de São Paulo (USP) para o mesmo curso. Entre as duas opções, o paulistano que mora em Aracaju (SE) escolheu se formar como médico na USP. “Fiquei muito feliz com os resultados!”, afirma. Filho de uma professora e de um médico urologista, o jovem resolveu concorrer a uma vaga no Sisu na UnB por ter ouvido falar da qualidade da instituição. “Minha mãe também perguntou para algumas amigas sobre o meu curso”, conta. 

As notas de Pedro no Enem foram impressionantes: 718,8 pontos em linguagens, códigos e suas tecnologias; 789 em ciências humanas e suas tecnologias; 869,6 em ciências da natureza e suas tecnologias; e 944,7 em matemática e suas tecnologias. O estudante ficou surpreso com a nota da redação: 900. Mesmo assim, a aprovação como o primeiro colocado na UnB foi uma surpresa. Veruschka Vieira Franca, 47 anos, mãe de Pedro, ficou muito feliz com o resultado. “Mas confesso que não esperava. É um reconhecimento da trajetória dele, marcada por destaques na escola desde pequeno”, afirma. “Ele sempre quis superar desafios, por isso, participou de olimpíadas do conhecimento durante anos. Estudar sempre foi algo tranquilo e natural para ele”, elogia, emocionada, a professora de engenharia de produção na Universidade Federal de Sergipe (UFS). 

Pedro conta como era o método de estudo dele. “Eu prestava atenção às aulas, anotava no caderno e explicava os conteúdos para os meus colegas”. Em casa, a preparação continuava. “Fazia questões sobre as matérias e procurava os temas na internet”, relata. O jovem estudava cerca de três horas por dia. O terminou o ensino médio no Colégio Master Aracaju, em Sergipe (SE), no ano passado. Na mesma instituição, ele frequentava um cursinho no contraturno escolar duas vezes por semana. O paulista não teve dificuldades de conciliar a preparação para a prova e a vida social.

“Eu encontrava meus amigos apenas nos fins de semana, e minha família entendia que eu precisava me dedicar”, afirma. Pedro participa de concursos do saber desde o ensino fundamental, como a Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), a Olimpíada Brasileira de Química (OBG) e a Olimpíada Brasileira de Química Júnior (OBQJr). Ele revela que resolveu estudar medicina por curiosidade pela neurociência. “Eu gosto bastante de biologia, e meu interesse principal era pesquisar a área de neurociência. Então, falando com meus pais, decidi que a melhor maneira de fazer isso era cursar medicina e, depois, buscar pós-graduação na área", diz. O jovem dá dicas para os candidatos que irão prestar o Enem e vestibulares este ano: 

  • Desligue o telefone ao entrar em sala de aula e preste atenção; 
  • Se você sabe um tópico, explique ao seu colega e tire as dúvidas dele; isso também lhe ajudará a revisar; 
  • Se for possível, participe de olimpíadas de conhecimentos.

Arquivo pessoal
Eduardo Ventilari Sodré

2º colocado geral e do Câmpus Darcy Ribeiro

ldade: 17 anos
Curso: Medicina
Nota: 855,48 pontos

Eduardo Ventilari Sodré, 17 anos, é brasiliense e, entre os aprovados na UnB pelo Sisu, tirou a segunda maior pontuação. Ex-aluno do Colégio Galois, Eduardo conseguiu altas notas em todas as provas do Enem: 712,2 pontos em linguagens, códigos e suas tecnologias; 802,4 em ciências humanas e suas tecnologias; 813 em ciências da natureza e suas tecnologias; e 980 em matemática e suas tecnologias. Eduardo fez o Enem pela primeira vez em 2018, sem nunca ter participado como treineiro. Ele se preparou tendo por base simulados organizados pela escola onde estudou, nos quais conseguiu boas pontuações. “Eu esperava um resultado bom no Enem, mas não esperava que fosse tão bom assim. Foi uma surpresa, estamos todos muito felizes! Vai ser um período de comemoração”, conta.

O jovem terminou o ensino médio no ano passado e conta que seu forte sempre foi matemática. Por isso, participou de diversas olimpíadas de conhecimento sobre a disciplina, alcançando méritos, principalmente, na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) — da qual alunos de escolas particulares também podem participar. “Eu sempre achei as olimpíadas de conhecimento muito importantes para melhorar o desempenho ou apenas aprender. Participei da de química mesmo sem ter tanto interesse na área. Acho muito interessante se engajar nessas atividades extracurriculares”, comenta. “Sempre achei que estudar é algo muito ativo e independente, você tem que buscar sempre novos conhecimentos, inclusive por conta própria”, relata. 

Segundo ele, para ter bom desempenho acadêmico, é fundamental saber equilibrar tempo de estudo com momentos de lazer. Além disso, vale a pena se relacionar com pessoas que tenham o mesmo objetivo que você e entendam aquele momento de preparação. “Claro que não podemos deixar a diversão invadir totalmente nosso tempo de estudo e de dedicação. Tem de saber manejar bem. Meus amigos e minha namorada entendem o meu tempo e têm o deles também”, conta. O adolescente acha biologia uma das matérias mais difíceis de estudar, por isso, recomenda livros de biotecnologia e genética para aprofundar o conhecimento. “Independentemente de qualquer dificuldade, a dedicação torna possível alcançar seus objetivos”, afirma. 

O brasiliense aconselha estudantes que farão o Enem em 2019 a cultivarem um bom estado mental, não se deixando estressar e ficando tranquilo durante as provas, a fim de que o resultado final seja satisfatório. O pai de Eduardo trabalha com investimentos, enquanto a mãe atua na área de vendas e marketing. Diferentemente deles, Eduardo pretende seguir ou a carreira de medicina (para qual se inscreveu no Sisu) ou a de matemática (para a qual se inscreveu no Programa de Avaliação Seriada da UnB). Ele está em dúvida entre as duas opções e se decidirá de vez depois que o resultado do PAS for divulgado, na quinta-feira (31).

Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A. Press
George Luiz Néris Caetano

3º colocado geral e do câmpus Darcy Ribeiro
ldade: 26 anos
Curso: medicina
Nota: 847,71 pontos

Esforço, dedicação e abdicação são alguns dos ingredientes da receita de sucesso de George Caetano, 26 anos, que tirou a terceira maior nota do Sisu para a UnB. O estudante já vinha alcançando vitórias mesmo antes da divulgação do resultado da seleção: ele foi um dos 15 candidatos do país a tirar nota máxima no caderno de ciências humanas do Enem, uma pontuação de 850,4. O morador de Ceilândia também teve ótimo desempenho nas outras partes do exame, o que garantiu a aprovação em medicina. "Eu não esperava ser aprovado, porque existe tanta gente gabaritada. Eu não esperava mesmo", diz, entusiasmado. A surpresa foi tão grande que dona Zulma Néris, mãe de George, passou mal. "Ela ficou muito ansiosa com a notícia, e a pressão subiu de tanta felicidade", relata George.

“O que fez me escolher medicina foi a vontade de querer ajudar o próximo, de querer fazer os outros ficarem bem e em uma posição melhor. O que vem da minha criação”, comenta. O caminho até conseguir a vaga na UnB não foi fácil. O jovem saía de casa às 6h30 e voltava só às 21h. Durante o dia, fazia cursinho. O ceilandense estudou a vida toda em escola pública, terminando o ensino médio no Centro de Ensino Fundamental 24 de Ceilândia, em 2009. "Venho de um ensino muito defasado; então, tive de suprir isso estudando muito", explica. George passou por vários cursinhos ao longo da vida, entre eles, Jovem de Expressão, Galt Vestibulares e, por último, Reciclagem Educacional. Nesse último, George conseguiu uma bolsa de estudo em 2018. "Os cursinhos, sem dúvida, foram uma ajuda diferencial. Eles me mostraram que podemos, sim, alcançar grandes sonhos, como entrar na universidade", diz. 

O caminho para ir às aulas não era fácil. Até conseguir a passagem de ônibus era, por vezes, difícil. “Às vezes, pedia emprestado, deixava de ter algum lazer, algum alimento para conseguir dinheiro para chegar à aula. Apesar das dificuldades, até professores do cursinho me ajudavam”, relembra, agradecido. "A gente que mora na periferia vê a universidade como algo distante. Então, para conseguir entrar, temos de nos esforçar muito. O povo da periferia também quer mudar de vida e alcançar novas coisas", comenta ele, que é formado em pedagogia pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Segundo George, a aprovação não seria possível sem o apoio da família. "Ela é minha base e todo o meu resultado é fruto desse apoio e pelo meu total esforço nos estudos”, acrescenta. 

Arquivo pessoal
Rafael Magalhães Coelho

1º colocado do câmpus Gama
ldade: 17 anos
Curso: engenharia
Nota: 777,63 pontos

O primeiro colocado do câmpus Gama da UnB foi Rafael Magalhães Coelho, aprovado para engenharia. Ele ficou tão feliz com a notícia que saiu para comemorar. A equipe do Eu, Estudante entrou em contato com ele, mas não conseguiu entrevistá-lo, já que Rafael ainda está fora festejando. A redação conversou com a mãe dele, a psicóloga Larissa Magalhães Oliveira Coelho. Ela disse estar muito orgulhosa do filho. Segundo ela, foram muitos dias de esforço e dedicação que resultaram na vitória. “Ele teve uma jornada de estudos intensa, inclusive durante a madrugada. Creio que ele estudava entre oito e 12 horas por dia”, conta. A mãe conta que o filho sempre foi muito divertido e, nas horas vagas, gostava de aproveitar para estar com a família e amigos, além de tocar violão. A família mora em Goiânia, e Rafael mudará para o DF para estudar na UnB. O jovem, que concluiu o ensino médio no Colégio Átrio, em Goiânia, quer optar pela habilitação engenharia aeroespacial na UnB Gama. 

Triunfos do IFB

 

arquivo pessoal
Jéssica Almeida de Figueiredo 

1ª colocada do câmpus Riacho Fundo 
ldade: 24 anos
Curso: gastronomia 
Nota: 709,39 pontos

A brasiliense Jéssica Almeida de Figueiredo, 24 anos, passou cinco anos estudando para medicina, com foco na UnB. Com o tempo, acabou decidindo mudar de área. A escolha pela gastronomia veio por influência no namorado, que trabalha como designer gráfico, sempre gostou de fotografar alimentos e começou a registrar receitas preparadas por Jéssica. Ela passou a produzir bolos e doces para vender e, com a experiência, se apaixonou pela área. “Eu comecei a pensar em cursar gastronomia, mas descobri que a UnB não tinha o curso; então, pensei que eu teria de me mudar para João Pessoa ou Rio de Janeiro para conseguir estudar em uma universidade pública”, lembra. Foi quando ela descobriu o IFB e começou a estudar para o Enem em casa com os materiais que tinha de cursinhos anteriores, além de se basear em exames anteriores. 

“Eu separava oito horas do meu dia para estudar e me organizava para não ter que deixar minhas encomendas de lado”, diz. Nos dois últimos anos, Jéssica e o pai dela abriram um comércio de alimentos saudáveis, na 118 Sul. “A loja com o meu pai me incentivou a estudar mais para conseguir essa vaga”, acrescenta. Ela também é dona da Môr Doces, especializada em encomendas de bolos e doces. No tempo livre, Jéssica gosta de conhecer restaurantes e, com o namorado e a cunhada, pretende abrir um blog de dicas culinárias. Agora, a jovem está animada pelo ano letivo que vem pela frente. “Fiquei muito feliz com a minha nota. Eu esperava que ela fosse alta, mas nunca pensei que eu ficaria em primeiro lugar no câmpus”, comemora. 

arquivo pessoal
Marcos Paulo Teixeira Diniz 

1º colocado do câmpus São Sebastião 
ldade: 20 anos
Curso: letras - língua portuguesa 
Nota: 737,73 pontos

Apesar de ter sido o primeiro colocado no câmpus São Sebastião do IFB, Marcos Paulo Teixeira Diniz, 20 anos, ainda não está satisfeito. Afinal, o sonho dela é medicina. Não foi desta vez que conseguiu aprovação na área, por isso, acabou marcando letras - língua portuguesa para concorrer pelo Sisu. Mas ele garante que continuará correndo atrás do que realmente quer. “Vou tentar uma bolsa em instituição de ensino particular pelo ProUni (Programa Universidade para Todos) e acho que consigo passar, aí deixo a vaga para outra pessoa. Se não der certo, no meio do ano, tento de novo”, afirma. Marcos terminou o ensino médio como bolsista do Colégio Olimpo em 2017 e, desde então, está focado nos estudos. 

Chegou a ser aprovado para economia na Universidade Federal de Goiás (UFG), mas acabou optando por não cursar. A rotina de estudos sempre foi intensa, chegando a oito horas por dia. “No primeiro semestre, eu não tinha dinheiro para pagar cursinho e não consegui bolsa. Contratei, então, um cursinho on-line que custava R$ 20 e estudei em casa sozinho. No segundo semestre, consegui entrar para o Galt (cursinho gratuito), aí, eu tinha aula lá de manhã. À tarde, estudava sozinho”, lembra. Para quem, assim como ele está na expectativa da aprovação, ele diz que a preparação tem de ser aprofundada. “É preciso investir bastante em leitura e fazer muito exercício. É uma prova muito grande e você tem que ser rápido”, explica o maranhense de Santa Inês. Semana que vem, Marcos diz que voltará à rotina de estudos. “Acho que todos que estudam muito durante o semestre merecem ter férias para descansar longe das apostilas”, finaliza. 

Destaque da Escs

 

Arquivo pessoal
Bárbara Cunha Barreto

1ª colocada
ldade: 20 anos
Curso: medicina
Nota: 811,60 pontos

A primeira colocada geral na Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs) coleciona aprovações. Bárbara Cunha Barreto, 20 anos, já passou para psicologia, direito e engenharia e enfermagem na Universidade de Brasília (UnB) e para enfermagem na Escs, mas o sonho de cursar medicina falou mais alto e ela resolveu continuar estudando. A rotina começava cedo, logo às 7h, e só terminava à noite, por volta das 21h, incluindo aulas no cursinho. 

Apesar disso, Bárbara diz que fazia de tudo para se distrair. “Era muita pressão, então eu tentava ver o máximo de filmes e séries”, explica. Apesar disso, ela tinha dúvidas com relação à aprovação. “Fiquei surpresa. Até semana passada, eu não achava nem que iria passar. Até hoje, estava com medo”, diz, entusiasmada. Para a mãe, a professora de matemática Maria Conceição Farias Cunha, 50 anos, a filha fez por merecer. “Era o dia inteiro de aula e, quando chegava, voltava a estudar. Foi puxado, mas compensou”, explica. 

“É o grande sonho dela. Quando perguntava o que ela queria, a Bárbara sempre dizia medicina. Então, falei para ela se esforçar que ela conseguia”, completa, orgulhosa. Bárbara lembra que a vontade de ser médica começou ainda cedo, quando tinha uns 12 anos. “Quando eu era pequena, eu machuquei o pé e fiz tratamento no Hospital Sarah. Desde então, eu sabia que era isso o que queria”, recorda. Agora, as expectativas estão lá no alto. “Quero conhecer ao máximo a medicina. Acho que temos que ter uma visão maior da área”, diz. Esses três anos desde a graduação no ensino médio no, Instituto Educacional Santo Elias, em Sobradinho, deram à brasiliense muitas lições. “Uma coisa que aprendi é que você não pode ficar só estudando, tem que relaxar. E ler é primordial, porque a prova envolve muita leitura”, indica a filha de professores.
 

*Estagiárias sob a supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa