Trabalho e Formacao

Histórias de empreendedoras

Livro mostra quem são essas mulheres e quais as lições que elas têm a compartilhar

postado em 21/01/2013 10:10
Janete Vaz,  fundadora do laboratório Sabin, conta a sua história no livro (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press    )
Janete Vaz, fundadora do laboratório Sabin, conta a sua história no livro

Elas abriram os próprios negócios, que deram certo e cresceram, mas não têm a mesma visibilidade do homem empreendedor. Quando percebeu que, apesar de representaram metade dos empreendedores do país, as empresárias não tinham bibliografia dedicada exclusivamente a elas, Andréa Villas Boas convidou a filha Bruna Villas Boas Diehl para escrever um livro sobre o tema. O plano deu certo e as duas lançaram recentemente a obra Elas empreendedoras, que mostra dados tirados de pesquisas que já existiam e que foram complementados por informações coletadas em pesquisas das próprias autoras, além de trazer 20 histórias de empreendedoras de sucesso.

De acordo com Bruna, o que precisa mudar é apenas a percepção das pessoas sobre as mulheres que estão à frente do negócio, já que, desde que o maior estudo global sobre o empreendedorismo, o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), começou a incluir o Brasil, em 2000, elas têm praticamente a mesma participação que eles. Em 2011, apenas entre os negócios em fase inicial, 50,3% foram abertos por homens e 49,7%, por mulheres, uma das taxas mais equilibradas entre os países pesquisados (veja o gráfico).

Por meio do livro ; que tem o prefácio assinado por Luiza Trajano, do Magazine Luiza ;, as pesquisadoras conseguiram identificar algumas características que diferenciam as mulheres empreendedoras. Enquanto os homens são mais objetivos, práticos e têm habilidade para lidar com finanças, elas demonstram sensibilidade e, por isso, conseguem compor equipes mais facilmente, além de terem uma visão holística do negócio. ;A mulher consegue enxergar não só o resultado financeiro, ela pensa na cadeia toda: vê os funcionários, os fornecedores, quer um ambiente mais cooperativo;, explica Bruna.

A lista do livro incluiu uma história de empreendimento de sucesso no Distrito Federal, a de Janete Ribeiro Vaz, 58 anos, sócia e diretora executiva do laboratório Sabin. Para Janete, a habilidade em empreender faz parte do DNA: a família da empresária sempre teve o próprio negócio. ;Já me formei querendo abrir uma empresa;, conta. Aos 29 anos, ela transformou o sonho em realidade e abriu o laboratório. Janete acredita que uma mulher na liderança forma uma empresa como se estivesse criando uma criança. E ela conhece bem as duas situações. Desde que começou o negócio, teve três filhos. Quando eles eram menores, Janete acordava cedo e às 6h30 já tinha preparado as três lancheiras para levá-los à escola.

Ela tornou o laboratório uma extensão da própria família. Os funcionários são valorizados e reconhecidos. A companhia adota uma filosofia de gestão baseada em cinco ações: desenvolver, desafiar, reconhecer, recompensar e comemorar. ;A sensibilidade que você tem com a família é a mesma que requer uma organização;, compara. O resultado, segundo Janete, é a satisfação do cliente. A empresária sugere que quem tem vontade de empreender procure sempre investir em qualificação, busque profissionais comprometidos e que valorizam aquilo que fazem, planeje as ações para evitar correr riscos desnecessários e, depois, acompanhe e controle com critério os resultados.

Para Taciana, dona de lojas em SP,  o segredo está em fazer o que gosta (Brigaderia/Divulgação)
Para Taciana, dona de lojas em SP, o segredo está em fazer o que gosta

Uma das criadoras do blog www.empreendedorismorosa.com.br, Lênia Luz, lembra que entre as principais vantagens de ser empreendedora está a capacidade de comunicação, para trocar informações com outras mulheres. Prova disso é o próprio crescimento do blog, que, no início, tinha a intenção de contar apenas as experiências das empresárias que participaram de um curso em São Paulo. ;Hoje, há várias histórias de outras mulheres pequenas e médias empreendedoras;, conta.

A partir das histórias contadas no blog, que completará um ano no ar em maio, Lênia percebeu que um dos maiores desafios da mulher empreendedora ainda é vencer a culpa de deixar a família para assumir a responsabilidade de um negócio. ;Os homens ajudam mais hoje, mas a mulher ainda tem esse grande desafio interno que é preciso superar;, relata. Por outro lado, há uma característica que, na opinião de Lênia, marca muito as mulheres e ajuda nos negócios: é a capacidade de fazer mais de uma tarefa ao mesmo tempo. ;Isso favorece muito dentro de um processo empreendedor. A mulher consegue ter uma visão espalhada, porém, focada.;

Jornada dupla
De fazer várias tarefas ao mesmo tempo Taciana Kalili, 35 anos, dona da Brigaderia, entende bem. A empresária, que também entrou na lista do livro, tem três filhos e ainda cuida das 11 lojas espalhadas pelo estado de São Paulo. A ideia de criar um empreendimento para vender brigadeiros de todos os tipos surgiu quando ela preparou a festa de 50 anos do marido, o empresário Cláudio Kalili, que é seu sócio. O sucesso foi tanto, que logo começaram a chegar encomendas. Além disso, no fim do ano, ela fez caixinhas recheadas com o doce para dar de lembrança de Natal a todos os professores dos filhos, foram cerca de 50. Taciana percebeu que isso poderia virar um negócio e, com o aumento dos pedidos, abriu a primeira loja em 2010.

A família, portanto, foi decisiva nesse processo. ;Se eu não fosse mãe, meu caminho seria completamente diferente;, admite. Ela quis abrir um negócio do qual os filhos pudessem fazer parte. O segredo do sucesso, para Taciana, está em se fazer o que gosta e é o resultado final entregue para o cliente que vai fidelizá-lo e tornar a empresa única. ;É importante que as pessoas entendam que não dá mais para ter foco apenas num produto inovador. É preciso ter desejo, conquistar a confiança do cliente na marca;, relata. No caso de Taciana, o que atrai o comprador não é só a qualidade do brigadeiro, mas o ambiente aconchegante ; que lembra um pouco a casa da avó ou da mãe ; além das novidades constantes que ela busca apresentar.

De casa para o mundo

Maria José Tonelli, vice-diretora da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP), explica que, de acordo com pesquisas, quando as mulheres empreendem, os benefícios do desenvolvimento delas no mercado acabam passando para familiares mais próximos e até para quem vive na mesma cidade. Esse é um dos motivos para a FGV oferecer qualificação voltada especificamente às mulheres empreendedoras.

O programa 10.000 mulheres ; patrocinado pelo banco de investimento Goldman Sachs em todo o mundo ; tem por objetivo selecionar aquelas que já tenham o próprio negócio, mas que não tiveram acesso a cursos de administração. Maria José, que também é coordenadora do projeto na FGV, destaca que as empreendedoras têm aulas de finanças, marketing, gestão de pessoas e operações. ;Hoje em dia, o mundo dos negócios é muito sofisticado. Não basta ter uma boa ideia e trabalhar bastante, tem que ter conhecimento do que está acontecendo ao seu redor;, lembra. No Brasil, o curso, totalmente gratuito, é ministrado apenas em São Paulo, na própria FGV, mas mulheres do país inteiro podem se inscrever. As aulas da 9; turma começam em 1; de fevereiro e terminam em maio.

As mulheres também podem buscar qualificação em associações locais. No Distrito Federal, a Associação de Mulheres Empreendedoras (AME) faz esse papel. Criada em 2004, tem por objetivo valorizar e fomentar a participação feminina na sociedade e oferece capacitação profissional a empreendedoras.

Leia

 (Editora dos Autores/Reprodução)

Elas empreendedoras

Autoras: Andréa Villas Boas e Bruna Villas Boas Diehl
Edição: 1;
Editora dos Autores
Páginas: 360
R$ 49,90

Capacite-se

Programa 10.000 mulheres
Inscrições e informações pelo site www.10000mulheres.com.br

Sebrae
Informações sobre cursos pelo site www.sebrae.com.br ou pela Central de Relacionamento, pelo telefone
0800-570-0800

Associação de Mulheres Empreendedoras do DF (AME)
Informações pelo site www.amedf.org.br ou pelo telefone 3426-3444

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