Startup Weekend reúne 120 novos empresários em Brasília neste fim de semana

Evento busca dar apoio a ideias inovadoras que podem resultar em empresas de sucesso e com investimento inicial baixo

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postado em 24/02/2013 13:26 / atualizado em 24/02/2013 13:42

O Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (CDT/UnB) recebe, até esta domingo (24/2), a segunda edição do Startup Weekend Brasília. O evento reúne 120 novos empreendedores em busca de ideias para negócios no setor tecnológico com baixo custo inicial, mas com grande potencial de crescimento, como são chamadas as startups.


Na noite de sexta-feira (22), os participantes apresentaram ideias de novas startups, que foram colocadas em votação. As 16 mais bem votadas passaram ontem por processos de desenvolvimento orientados por uma equipe de 12 empreendedores com experiência na área. Hoje, no fim do evento, os novos empreendimentos formados na Startup Weekend serão julgados por uma banca formada por investidores que selecionará os melhores projetos para receberem incentivos do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

O profissional de marketing Rodrigo Fraga, 31 anos, faz parte do grupo que trabalha para criar um aplicativo que reúne fotografias de pessoas pelo mundo com camisas e acessórios de times de futebol. “Queremos nos divertir fazendo isso e também divertir os usuários”, conta. Segundo o organizador do evento, Roberto Mascarenhas, os projetos selecionados ao fim da Startup Weekend obedecem a critérios que garantem a viabilidade do empreendimento. “Queremos ideias viáveis, de fácil execução e que solucionem problemas básicos do dia a dia”, explica.

Algumas ideias são curiosas, como a da Cheers, que pretende fazer com que usuários troquem a bebida pelo celular na hora do brinde. Ao “brindar” os smartphones, o aplicativo atualiza as redes sociais do usuário e marca também o local da confraternização, que pode ser um bar, uma boate ou um restaurante. “A competição aqui é forte, mas é saudável”, afirma o profissonal de marketing Leandro Freire, 28 anos.

Rafael Morais é investidor-anjo, como são chamados os empreendedores que investem capital em pequenos negócios, como startups, e acredita que eventos de curta duração como esse podem ajudar pessoas com boas ideias de empreendedorismo a trabalharem com mais auxílio e retorno de mentores e do público. “Aqui, as ideias que ficam sempre no papel têm oportunidade de serem validadas e crescerem ou serem logo descartadas por inviabilidade, entre outras coisas”, afirma.

Descontração

Além da possibilidade de engrenar uma grande inovação, Roberto Mascarenhas ressalta que a formação de grupos engajados em cada uma das 16 startups favorece o clima de descontração e permite que o participante faça novos contatos. “Mesmo quem chegou aqui com experiência na área precisou recomeçar e construir projetos inéditos com gente até então desconhecida”, acrescenta.

As estudantes de ciência da computação da UnB Jaqueline Couto, 22 anos, e Luisa Palmeira, 21, são novatas no mundo das startups. Juntas, elas projetam no evento um aplicativo de organização de festas. “Nosso interesse começou quando trabalhávamos na empresa júnior”, conta Jaqueline. As duas observam o evento como a chance para desenvolver a veia empreendedora para trabalhar em projetos futuros. “Queremos montar uma empresa um dia, e aqui é uma boa oportunidade para aprendermos mais e conhecer novas pessoas”, diz Luisa.

Já Lauro Ojeda, 30 anos, tem experiência na área. Ele trabalha com startups e veio de Cuiabá (MT) ao Startup Weekend para conhecer pessoas e criar um networking de empreendedores no Centro-Oeste. “Temos um grupo no Mato Grosso, mas ele é muito pequeno ainda e quero criar mais laços com pessoas de fora”, conta. Ele chegou a largar o emprego de administrador de bancos de dados para se dedicar integralmente aos projetos. “Sempre tive muitas ideias boas, mas é difícil executá-las.”

De acordo com Carlos Augusto Ferraz, líder do núcleo do Distrito Federal do Anjos do Brasil, que reúne investidores-anjos, os empreendedores que entram no mundo das startups devem reconhecer que esse campo envolve alto risco. “Mesmo os investidores devem tomar cuidado para não colocar em jogo uma parcela muito grande do patrimônio quando não há tanta experiência na área”, afirma.

Apoio de peso
Durante os trabalhos de cada uma das 16 ideias selecionadas, as equipes recebem auxílio direto de mentores. Uma das mais procuradas é a jovem empresária Bel Pesce, 25 anos, que já trabalhou no Vale do Silício em empresas como Microsoft e Google e que fez sucesso com o livro A Menina do Vale. “Aqui, a gente mostra que empreender é não é ficar recolhido dois anos com uma mesma ideia para depois lançá-la. É um processo em que você tem que ir para a rua, testar várias vezes e ouvir dicas”, explica Bel. Segundo ela, os testes são necessários e evitam frustrações. “Muita gente acha que a ideia é boa e vai dar certo com certeza, o que é um engano”, comenta.

Outro mentor da Startup Weekend, o diretor do programa do governo federal Startup Brasil, Felipe Matos, afirma que o mais importante à equipe de apoio é tentar repassar os conhecimentos já vividos durante a vida de empreendedor. “Com a experiência, a gente sabe dos problemas que eles podem vir a passar durante a criação da startup”, afirma.