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Guru da mente e das emoções

O psiquiatra e um dos autores mais lidos da última década esteve em Brasília para uma palestra e, em entrevista exclusiva, fala sobre a importância de administrar os sentimentos e as relações interpessoais para alcançar sucesso profissional

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postado em 27/11/2016 11:59 / atualizado em 27/11/2016 12:34

Bárbara Cabral

Autor de livros publicados em mais de 70 países, que venderam 25 milhões de exemplares no Brasil, e um guru da psiquê e das emoções, o psiquiatra e psicoterapeuta Augusto Cury, 58 anos, defende o cuidado com a mente como fator responsável pelo sucesso profissional. O paulista idealizou o programa Escola da Inteligência, que tem como objetivo contribuir para a melhoria da educação e o desenvolvimento da inteligência socioemocional. Segundo ele, hábitos como querer mudar os outros e cobrar demais de si mesmo e dos que estão próximos podem gerar bons resultados para os negócios, mas prejudicam o cérebro e a qualidade de vida. O programa estimula pensar antes de agir, se colocar no lugar do outro e cativar sentimentos nobres.


“Ninguém tomaria uma água barrenta antes de filtrar. Também devemos ter esse cuidado com as emoções”, defende ele, que esteve em Brasília este mês para ministrar a palestra O código da inteligência e a formação de mentes brilhantes, promovida pelo Colégio Alub. O fiscal de segurança patrimonial Antônio Medeiros, 41 anos, conferiu o evento. “Como trabalho com pessoas, o controle das emoções me interessa. Pensar antes de agir e dirigir a palavra é a lição que aprendi”, ressalta. Confira entrevista com Augusto Cury:


Como a gestão das emoções Interfere na carreira?
100% das equipes de recursos humanos, como assistentes sociais e psicólogos, valorizam as competências técnicas ao avaliar funcionários, mas 80% dos contratados são despedidos por falta de habilidades emocionais. São meninos que têm diplomas nas mãos — às vezes, de mestrado e doutorado —, mas não sabem passar por crises, perdas, dificuldades e desafios, além de não serem capazes de debater ideias e expor o próprio pensamento. Dessa forma, não compreendem como escrever os capítulos mais importantes da vida nos momentos difíceis.


Como surge a Síndrome do Pensamento Acelerado?
Uma das coisas que mais destroem ou asfixiam os profissionais é a síndrome do pensamento acelerado, visto que o excesso de informações e atividades tem conspirado contra a saúde emocional. Fiquei feliz por ter descoberto essa síndrome, mas triste porque grande parte da população é acometida por ela. Pensar é bom. Pensar com senso crítico é ótimo. Pensar demais é um grande problema, pois esgota-se o cérebro e perde-se o foco. Toda pessoa acelerada estressa os outros; quem pensa demais sofre por antecipação, acorda cansado, tem dores de cabeça e musculares, dificuldade de conviver com pessoas lentas, déficit de memória e fragmentação do sono. Aprender a gerenciar pensamentos é vital para formar mentes brilhantes. Isso é abordado nos meus livros O vendedor de sonhos e O homem mais inteligente da história.

Como fazer para estimular solidariedade e a empatia nas corporações?
É vital que as empresas apliquem a gestão da emoção. Nesse sentido, deve haver reuniões e debates para que executivos e colaboradores falem de sonhos, pesadelos, expectativas, além de terem liberdade para expressarem ideias. Poder perguntar uns aos outros: “Como posso contribuir para que você seja mais feliz? Como posso ajudar a tornar o ambiente da empresa mais colaborativo, instigante e provocativo?” Dessa forma, proporciona-se um jardim para soluções inteligentes.

Como o livro O homem mais inteligente da história se relaciona com a Escola da Inteligência?
O livro fala da necessidade da gestão da informação. Sem isso, não é possível formar mentes brilhantes ou liderar a própria mente; e ninguém pode ser um líder no mundo de fora se não aprender a liderar o intelecto. Ninguém pode ser um brilhante profissional liberal como médico, engenheiro, dentista ou arquiteto sem aprender a pilotar a aeronave mental. É utopia. Só se consegue desenvolver ousadia, criatividade e empreender se o nosso eu — que representa a capacidade de escolha, autodeterminação e consciência crítica — desenvolver habilidades fundamentais para dirigir o próprio script.

 

 

O homem mais inteligente da história
O livro mais recente de Augusto Cury narra a trajetória do psiquiatra ateu Marco Polo, que é desafiado a estudar a inteligência de Jesus sob a perspectiva científica e não da religião.
Autor: Augusto Cury
Editora: Sextante
272 páginas
R$ 29,90

 

 

 

 

 

Entrevista com Augusto Cury

 

 

 

 


* Estagiário sob supervisão de Ana Paula Lisboa