ENTREVISTA PEDRO HERZ »

Pedro Herz, da Livraria Cultura, dá entrevista exclusiva ao Correio

Presidente do Conselho de Administração da empresa, ele escreveu um livro em que conta a própria história e revela detalhes sobre a construção de um dos maiores impérios editoriais do país. Esta semana, virá a Brasília divulgar a obra

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postado em 04/03/2018 17:42 / atualizado em 04/03/2018 18:35

Rodrigo Braga/Revista da Cultura

 

 

Aos 77 anos, Pedro Herz lança seu primeiro livro. Nas páginas rememora a trajetória da família de origem judia que, fugindo do nazismo na Alemanha, acabou vindo para o Brasil. Ele nasceu depois que os pais, Eva e Kurt Herz, se instalaram em São Paulo. Há mais de 70 anos, eles fundaram a Livraria Cultura que, hoje, tem 2 mil empregados e 18 unidades espalhadas pelo país. Em alemão, o sobrenome de Pedro quer dizer coração e faz todo o sentido: a empresa prosperou porque os pais dele investiram numa área que amavam, empreenderam com o coração e passaram a mesma paixão para os descendentes. Os imigrantes alemães adoravam ler e encheram a casa da família de livros, de cima a baixo, tanto que a transformaram numa biblioteca e, depois, na própria livraria. Décadas depois, o empreendimento permanece sendo de gestão familiar e tem crescido, mesmo em meio à crise: em 2017, o grupo adquiriu a Fnac, que opera no varejo de produtos eletrônicos e culturais. Pedro Herz tem dois filhos e sete netos e frequenta, religiosamente, feiras de livro mundo afora, como a de Frankfurt. Em abril, participará da de Londres.



Quais as expectativas para o lançamento do seu livro em Brasília nesta semana?
Espero que eu possa encontrar amigos e conversar com pessoas que tenham interesse na obra. Estou absolutamente aberto ao que vier. Quero receber leitores, abraçá-los e conhecê-los. Brasília, onde temos três unidades desde que adquirimos a Fnac no ano passado, tem um público consumidor interessante; é um mercado que vemos com bons olhos.


Qual a receita de sucesso da Livraria Cultura em um país onde grande parte da população não tem o hábito de ler?
Eu não tenho essa receita, mas vivo buscando-a. Sei que ela não é enjoativa e requer inovação constante. É preciso sempre disponibilizar coisas novas para os leitores e tentar entendê-los. Qualquer investimento no empreendedorismo deve ser aliado à noção de que existem dificuldades — como a crise econômica que afetou todos os brasileiros, incluindo o nosso negócio —, obstáculos decorrentes do crescimento e o risco de o investimento virar pó. As pessoas vão no entusiasmo e se esquecem da realidade, das dificuldades e de olhar para as coisas de que não gostam. Depois, vem aquele choque que pode ser falta de dinheiro, de planejamento e de estratégia. É necessário ser cauteloso no passo a passo.

Qual a sua visão sobre o futuro da leitura no Brasil?
Isso está muito atrelado à educação. O hábito de ler nasce em casa. Quando os pais dão o exemplo aos filhos, é meio caminho andado, mesmo que eles ainda não sejam alfabetizados. As crianças gostam muito de livros, encontram espontaneamente um atrativo em cada um deles. Isso deve ser estimulado pela família. Na minha casa, os livros ocupavam muito espaço, a ponto de minha mãe “expulsar” todos de casa: ou eram os livros ou nós (meu pai, minha mãe, meu irmão e eu). Então, chegou um momento em que o espaço embaixo da minha cama ficou lotado de exemplares. Isso acontece na casa de todo mundo que gosta de ler. As obras acabam tomando espaço e isso é uma coisa boa.

Como a revoluçãodigital afeta o setor?
A democratização do acesso à tecnologia só aumenta o interesse pelo saber e uma das melhores e mais baratas maneiras de se conhecer algo é por meio da leitura. Além disso, o livro impresso não tem perdido espaço frente ao livro digital, pelo contrário. O livro digital não forma leitores: as pessoas aprendem a ler no papel. Mas hoje existe mais opção de escolha, a pessoa pode optar entre tela e páginas impressas.

O que o senhor aprendeu na formação de livreiro na Suíça?
O curso ensina a mexer em todas as atividades do comércio de livros, tais como contabilidade, embalagem, atendimento e idiomas. É uma série de saberes e áreas que somem ou que se somam. Enfim, conhecimentos dinâmicos.

Ao longo da sua carreira, o senhor aprendeu com algum erro?
Eu vivo cometendo erros diariamente. Todo mundo aprende mais com as falhas do que com os acertos. Um exemplo é encontrar um caminho melhor para ir para casa. Isso é um aprendizado.

 

Leia

 

 

 

 

O livreiro — Como uma família que começou alugando 10 livros na sala de casa construiu uma das principais livrarias do Brasil
Autor: Pedro Herz
Editora: Planeta
R$ 49,90
218 páginas

 

 

 

 

 

 

*Estagiária sob a supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa