ENTREVISTA DANIELA KLAIMAN »

Última matéria da série "A revolução tecnológica" discute empreendedorismo

Consultora de tecnologia e futurismo analisa tendências de mercado para os próximos anos

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postado em 04/03/2018 17:46 / atualizado em 04/03/2018 18:54

Arquivo Pessoal

 

 

Os impactos das transformações causadas pelo mundo digital não deixam de fora os negócios. Criar o próprio empreendimento, que não é tarefa simples, se tornará atividade ainda mais complexa. Diversos tipos de mercado estão se fechando e será preciso saber se reinventar e fazer pesquisas de mercado aprofundadas. Por tudo isso, a última reportagem da série “A revolução tecnológica”  aborda o empreendedorismo do futuro. As empresas físicas deverão contar com espaços modernos e equipes enxutas, além de versão digital. Prestar serviço em vez de vender produto é outra forte tendência. Para esclarecer este contexto, confira entrevista com Daniela Klaiman, graduada em empreendedorismo, tecnologia e futurismo pela Universidade Hebraica de Jerusalém, mestre em comunicação e marketing e em pesquisa de tendências pela Universidade Abat Oliba, em Barcelona.



O que terá espaço no empreendedorismo nos próximos anos?
As novas empresas vêm para pegar o mercado tradicional, mas trazendo inovação, mudando formatos e modelos de funcionamento, culminando no encerramento de formas ultrapassadas de negócios. Empreendimentos tradicionais precisarão se atualizar. Um exemplo clássico: a Netflix, prestadora de serviço de streaming de vídeo, se popularizou exponencialmente, enquanto a Blockbuster, rede de locadoras de DVD, fechou as portas em 2014. Outro caso emblemático: o Instagram criou espaço para que fotos se proliferassem virtualmente, ao passo que a Kodak, de revelação de fotografias, declarou falência em 2012. Companhias como Uber (de caronas remuneradas) e Airbnb (que permite reservar hospedagens) chegaram desafiando modelos atuais, democratizando o mercado. Ainda terão espaço inciativas em nichos clássicos, como o de alimentação, mas será fundamental prestar mais atenção às vontades do consumidor. Se a pessoa quiser abrir um restaurante ou outro negócio no ramo, deverá entender o que as pessoas vão querer comer daqui para frente: comidas orgânicas e de pequenos produtores, por exemplo. Além de se adaptar aos desejos do consumidor, é preciso obedecer à ordem de baratear produtos e expandir a clientela, buscando crescimento exponencial por meio da tecnologia.

O que deve perder espaço?

Produtos e coisas muito grandes, enquanto a prestação de serviços estará em alta. Tudo o que se relaciona com produtos físicos tem custo mais alto, pois requer grandes centros de produção. Existe uma vontade cada vez menor de possuir e cada vez mais de usar e se diferenciar. Então, as pessoas deixarão de consumir coisas fixas para adquirir o direito ao uso delas. A indústria automobilística e o mercado de moradia devem mudar bastante nos próximos anos, visto que, em vez de comprar um carro ou uma casa, a pessoa poderá simplesmente optar por usar serviços, como oferecem Uber e Airbnb, ou alugar um apartamento pelo resto da vida. Antes, todo mundo comprava CDs e tinha vários em casa; hoje, não precisam ter nenhum para ter acesso a todas as músicas.

Robôs e inteligência artificial precisam estar presentes nos novos negócios?
Com certeza, em 100% dos casos. Essas tecnologias necessariamente estarão presentes e, em grande parte das empresas, já estão. Passamos por processo de digitalização de todos os ambientes de trabalho, justamente para reduzir custos, aumentar efetividade e o relacionamento com o consumidor (algo em alta). Casos de negócios bem-sucedidos que não tenham tecnologia serão raridade. Em muitos casos, o uso de softwares não precisa estar visível, pode ser algo nos processos produtivos internos, mas que fará diferença. A principal tecnologia usada agora é a de blockchain (cadeia de blocos que registra várias formas de transações em diversos computadores), que traz confiança e transparência. O recurso de realidade aumentada (que promove interação entre elementos virtuais e reais e usa escala 3D) também virá com tudo e pode ser bastante utilizado. Outro recurso que veio para ficar é o machine learning (aprendizado de automático ou de máquinas), quando um robô aprende por meio dos dados e consegue replicar coisas.

O mercado brasileiro está acompanhando os avanços?
Nosso país não cria tecnologia: a gente pega tecnologia criada em outros lugares e usa para modelos de negócio que funcionam aqui. Os países mais desenvolvidos, no entanto, priorizam esse tipo de desenvolvimento.


Debate sobre inovação

Na próxima quinta-feira (8), evento da EI! (comunidade de empreendedorismo e inovação da Fundação Assis Chateaubriand) discutirá  “Os desafios do empreendedor no mundo hiperconectado”, ensinando formas de se reinventar neste mercado com novos hábitos de compra. As vagas são limitadas e as inscrições estão abertas no site www.ei.org.br. O encontro será coordenado por Israel Batista, professor de história, coach e intraempreendedor, que trará exemplos de marcas que se destacam na era da 4ª Revolução Industrial. Cada participante escolhe quanto deseja pagar no ingresso. O debate será das 19h30 às 21h, na sede do Correio Braziliense, no SIG Quadra 2, Lote 340.

 

Onda saudável 

 

 

Lanna Silveira/Esp.CB/D.A Press
 

 

Juliana Marques, 31 anos, atenta a essa tendência, abriu uma franquia da Terra Madre, empresa de alimentos saudáveis e orgânicos, em Águas Claras, em setembro de 2016. Nutricionista, ela observa crescimento da procura por esse tipo de produto, tanto na empresa dela quanto no mercado em geral. “As pessoas querem consumir coisas mais naturais, mesmo que tenham validade menor e custem mais caro. Aquilo que tem escrito artesanal ou orgânico tem valor maior na visão do cliente. Enquanto o que vem da indústria, mesmo de marcas reconhecidas, tem perdido espaço”, compara. “O intuito é viver mais e com saúde, fugir de conservantes e aditivos químicos. E dá para fazer isso consumindo de produtores de Brasília”, conta. Juliana acredita que o setor surfa na onda da valorização do cuidado com o corpo e com o bem-estar, positiva para nutricionistas e educadores físicos. “E esses profissionais são totalmente a favor de produtos orgânicos e ajudam as pessoas a terem mais consciência sobre o que comem.”

Na Terra Madre, é possível comprar não só frutas, verduras e legumes, mas também grãos, farinhas, biscoitos e azeites orgânicos. “No Brasil, o leque de artigos orgânicos ainda é pequeno, diferentemente de outros países onde você encontra roupas, sapatos, rações e variados itens com o selo”, explica. Biscoitos, bolos e pães pouco calóricos, sem sódio e voltados para quem tem alguma restrição alimentar (a lactose e glúten, por exemplo) estão entre os itens mais vendidos na loja. A tecnologia faz parte do dia a dia do negócio: por meio de um software de automação comercial e de gestão, oferecido pela marca aos franqueados, Juliana controla o estoque, a chegada de novos produtos e as vendas. Como tudo fica registrado, há mais transparência e confiabilidade. A carteira de clientes da loja tem cerca de 10 mil pessoas. Por mês, o empreendimento recebe quase 900 consumidores. E o contato com eles é bastante intenso nos meios digitais. “Nas redes sociais e no WhatsApp, o público pergunta sobre produtos, faz reservas, encomenda, pede entregas”, diz.

Informações: www.facebook.com/TerraMadreAC

 

 


*Estagiário sob a supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa