Escola de guerra oferece cursos gratuitos para pessoas com ensino superior

Prestes a completar 70 anos, a instituição é especializada no estudo de estratégias nacionais em segurança e desenvolvimento. Cursos são abertos não só a militares e servidores públicos: a população em geral pode participar. Basta ter feito faculdade e ser recomendado por alguma instituição, que pode ser, por exemplo, um conselho de classe

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postado em 15/04/2018 19:09 / atualizado em 15/04/2018 19:25

ESG/Divulgação

 

Fundada há 69 anos, a Escola Superior de Guerra (ESG) é mais antiga que a capital federal, mas é desconhecida da maioria dos brasilienses e, até mesmo, dos brasileiros. Subordinada ao Ministério da Defesa, a instituição foi pensada por um grupo de oficiais militares e lideranças civis que desejavam criar no Brasil um instituto de altos estudos de política estratégica e defesa, similar a uma existente nos Estados Unidos. Passaram por lá quatro presidentes da República, incluindo Tancredo Neves, primeiro chefe do Executivo eleito após o regime militar. Desde 1949, a organização formou 8 mil alunos em dois câmpus: Rio de Janeiro e Brasília.

 

ESG/Divulgaçãop
 


Na capital federal, onde estudam 100 alunos e trabalham 35 funcionários, o centro de capacitação só tomou forma em 2011, apesar de o projeto de trazer uma unidade para cá datar da década de 1970 (no câmpus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília, ficam as ruínas de uma construção inacabada que abrigaria a escola).  O leitor menos familiarizado pode pensar que se trata de um quartel-general de estudos com rigor e disciplina imperando, mas não. A ESG é um ambiente acadêmico que visa desenvolver e consolidar os conhecimentos necessários para o planejamento da defesa nacional.

 

ESG/Divulgaçãop
 

 

Civis e militares estudam para exercer funções de direção e assessoramento superior, em instituições públicas ou particulares. Os estudantes têm um apelido carinhoso na escola: estagiários. É assim que eles são chamados, uma tradição da instituição. Em 2018, serão 470 estagiários no total. O general Wilson Mendes Lauria acaba de assumir a direção do câmpus Brasília, substituindo o antigo diretor, que ficou sete anos no cargo: o brigadeiro Delano Menezes. A missão de Lauria é dar início ao Curso de altos estudos em defesa (Caed). As experiências do carioca de 53 anos como comandante de Cavalaria no Rio Grande do Sul, adido da República da Guiana e mestre em estudos na escola de guerra do Exército Americano são as credenciais para que o projeto dê certo. A primeira turma do Caed tem 60 alunos; e as aulas começaram em 27 de março, focando em políticas e estratégias em defesa, segurança e desenvolvimento nacional. Ficou interessado em estudar na instituição? O general Lauria faz um convite: “Venha nos conhecer. A ESG é um patrimônio do nosso país. Trabalhamos aqui para o benefício do Brasil”.

Por dentro da ESG

Ficou interessado?
A boa notícia é que as capacitações da ESG não são restritas a militares nem a servidores públicos. Qualquer pessoa que tenha nível superior completo pode participar dos processos seletivos, desde que seja indicada por uma instituição, que pode ser uma universidade (pública ou particular), um conselho de classe, um órgão público, um banco, entre outras. Os critérios das seleções são publicados no Diário Oficial da União e podem envolver requisitos regionais e passado acadêmico, por exemplo. Saiba mais: www.esg.br.

 

>> Entrevista Wilson Mendes Lauria

 

 

Arthur Menescal/Esp.CB/D.A
 

 

O novo diretor da unidade do DF

General desde 2015, ele assume o câmpus Brasília, que tem 100
alunos, para implantar um curso de estudos avançados em defesa

 

Arthur Menescal/Esp.CB/D.A
 

 

Qual a proposta inicial da ESG?
Ela foi criada para pensar o Brasil naquele contexto de pós-guerra em face a uma nova ordem mundial que estava surgindo: a guerra fria. É uma escola do Estado, mas é um ambiente acadêmico de livre expressão, sem qualquer freio para a discussão de ideias sobre o país. O objetivo é encontrar soluções para o desenvolvimento, a segurança e a defesa nacionais. Segurança e desenvolvimento estão intimamente ligados: um não existe sem o outro.

Qual a contribuição da instituição para o país?
Discutir e propor políticas públicas. Nós incentivamos o debate e, a partir disso, surgem ideias. Apresentamos propostas e, depois, participamos de seminários. Por exemplo, um dos temas que certamente estará presente nas aulas é a intervenção federal no Rio de Janeiro. Segurança alimentar será um deles também. Aproveitamos a pluralidade de pessoas que vêm de diversos lugares, e cada uma pode aproveitar a experiência pregressa para contribuir com esses debates.

 

Como se deu o projeto de expansão da instituição para a capital federal?
O câmpus daqui começou a ser construído na década de 1970 e, por razões econômicas, o projeto foi interrompido. Em 2008, quando foi editada a primeira estratégia nacional de defesa, isso voltou a ser discutido. Em 2011, um grupo muito pequeno de pioneiros veio para Brasília e implementou o Curso Superior de Política Estratégica (CSUPE), com aproximadamente 60 alunos: dos quais,25% eram militares e 75%, civis.

Quais são seus objetivos para o câmpus Brasília?
Dar continuidade ao trabalho. Eu cheguei aqui e o câmpus estava muito bem. Nos últimos sete anos, com uma equipe reduzida, mas muito dinâmica, fizeram um trabalho primoroso. Depois, quero fazer com que o Caed dê certo, que seja aceito pelos alunos. O plano é que o curso seja reconhecido pelos estudantes, que possam contribuir, pensando soluções inovadoras para o nosso país, entendendo o mundo onde vivemos e trabalhando em benefício do Brasil.

O senhor veio para o DF implementar um curso similar ao que estudou no Rio de janeiro.
Como é estruturado o Caed?

É uma especialização lato sensu de altos estudos, com 500 horas de carga horária. Trabalha-se a dimensão política-estratégica, não discutindo questões táticas, mas debatendo problemas para traçar objetivos e estratégias. Entre as disciplinas, uma muito interessante se chama “temas transversais”. Nela, procuro trazer personalidades para fazerem um painel e oferecerem discussão sobre determinado tema. O problema em relação aos refugiados venezuelanos em Roraima é um bom exemplo de assunto sobre o qual pretendemos conversar.

Quem se forma no Caed está apto a fazer o quê?

Eu fiz esse curso no ano passado. Quem se forma se torna um multiplicador do que aprendeu. Normalmente, no curso de altos estudos, o concludente vai para funções de assessorias em alto nível. No Exército, isso aconteceria da seguinte forma: um coronel desses será um assessor dentro de um órgão de direção setorial ou dentro do órgão de direção- geral, que é o estado-maior do Exército. Os quadros civis estão habilitados a serem assessores do alto nível da sua instituição.

As aulas funcionam de que forma?
Chamamos de sala de aula invertida. Muitas vezes, realizo uma discussão em grupo, algo que o curso enfatiza. De 20% a 30% da nossa carga horária é de aula formal, com o professor expondo. O resto é conduzido em dinâmicas de pequenos grupos, de 10 a 12 pessoas, com um orientador, em muitos casos até um aluno conduzindo uma discussão sobre certo tema. No fim dessa discussão, o grupo apresenta um trabalho escrito e um oral. Construímos o saber dessa maneira.

 

 

Opções de formação

 

 

Reprodução/ESG
 

 

Confira mais detalhes sobre as aulas

 

Oferta local
Atualmente a ESG está instalada no Anexo do Ministério da Defesa, na Esplanada dos Ministérios. Trata-se de uma sede provisória e existe um projeto para construir uma definitiva até 2023 num local não definido (no câmpus Darcy Ribeiro, ). Três cursos são ministrados no câmpus Brasília:
1) Curso de direito internacional de conflitos armados (CDICA), com 40 alunos por turma
2) Curso de altos estudos em defesa (Caed), com 60 alunos por turma
3) Curso de diplomacia de defesa (CDIPLOD): aulas começarão no segundo semestre de 2018, com 30 alunos

 

Reprodução/ESG
 

 

Oferta total
Somados os dois câmpus, a instituição tem 12 cursos. Confira: análise de crises internacionais; altos estudos em defesa; curso avançado de defesa sul-americano; estado-maior conjunto; altos estudos de política e estratégia; gestão de recursos de defesa; superior de defesa; logística e mobilização nacional; superior de inteligência estratégica; direito internacional de conflitos armados; programa de atualização da mulher; e diplomacia de defesa.

 

 

 

* Estagiário sob a supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa