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Quem fala inglês ganha salário até 70% maior

Se quiser se destacar, é preciso aprender o idioma estrangeiro. No futuro, porém, a tendência é que isso não seja mais diferencial, mas, sim, competência básica

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postado em 30/09/2018 15:34 / atualizado em 05/10/2018 20:42

Quem fala inglês ganha mais

Pesquisa do site de empregos Catho revelou que a diferença salarial entre um profissional com e sem domínio do idioma pode chegar a 70%. Quando o assunto é o espanhol, chega a 40%

Que ter inglês no currículo é algo bom todo mundo sabe. Mas uma pesquisa do site de empregos Catho mostrou que não é só isso. Os conhecimentos linguísticos são importantes não apenas na hora da contratação, mas também na de promoção. Em média, quem sabe falar o idioma da terra do Tio Sam tem salário 70% maior do que quem não tem esse domínio. No Brasil, essa diferença é muito grande porque o conhecimento de uma língua estrangeira ainda não é regra. Em um ranking de 70 países, organizado pela EF Education First, empresa de educação internacional especializada em intercâmbio, o país ocupa a 41ª colocação em nível de inglês. De acordo com Fernando Gaiofatto, gerente da Catho Educação, ter o domínio de outro idioma é habilidade desejada em cargos altos e em empresas competitivas globalmente.
 
 
Catarine Cavalcante/Esp.CB/D.A Press
 
“O que vemos é que, normalmente, se a pessoa sabe falar outros idiomas, está apta a ajudar a empresa em outras funções, interagindo com pessoas de outros países e trazendo visões de fora”, diz. “Mesmo que a empresa seja brasileira, existe a necessidade de ter aprendizado contínuo e troca com outros lugares”, destaca João Dantas, gerente de RH da Gi Group Brasil. É por isso, que, de acordo com Renato Grinberg, especialista em gestão e liderança, trabalhadores craques no inglês têm mais capacidade de alcançarem cargos mais altos. “Já vi casos de pessoas menos competentes serem promovidas porque falavam inglês, enquanto seus pares, não. O inglês é um dos idiomas mais falados no mundo. Hoje, esta é uma habilidade essencial para quase todos os cargos”, destaca.
 
 
Arquivo Pessoal
 
Apesar disso, Fernando Gaiofatto chama a atenção para o fato de que ter a competência pura e simplesmente não adianta. “Não se pode achar que isso basta. O crescimento profissional não é só baseado nas habilidades técnicas, mas, sim, nas socioemocionais”, frisa. Ou seja, é preciso saber usar o idioma demonstrando competências como liderança e trabalho em equipe. A diferença de salário entre aqueles preparados para se expressar na língua e os sem domínio pode ser sentida no bolso. De acordo com a pesquisa da Catho, um presidente de empresa com inglês básico recebe em média R$ 10.712; enquanto um fluente pode receber R$ 15.395,17. “É difícil achar esse profissional. Então, acaba tendo de aumentar o salário para um cargo conseguir ser atrativo”, explica João Dantas. A mesma pesquisa da Catho também mostrou que o espanhol pode gerar uma diferença salarial de 40% entre os que dominam e os que não dominam a língua.

Mais oportunidades 

 

Catarine Cavalcante/Esp.CB/D.A Press
 

A advogada Priscila Spadinger, 37 anos, afirma com orgulho que não teria chegado à posição de sócia do escritório Andrade Silva Advogados se não soubesse falar inglês. “Não consigo imaginar alguém na minha posição sem isso. O idioma faz parte do meu dia a dia. Como temos clientes internacionais, sempre sou colocada à frente deles”, conta. A percepção de que falar outra língua é importante surgiu durante a graduação na Faculdade de Direito Mílton Campos. “Minha família não se preocupou em me dar uma segunda língua. Quando eu estava na faculdade, quis fazer um intercâmbio na Inglaterra e tive de aprender. Mas eu sempre vi que ganhava mais quem sabia inglês. Não adianta fazer mais do mesmo”, destaca. Para o bancário Felipe Veiga Rodrigues, 41 anos, ter aprendido inglês se converteu em oportunidades dentro do trabalho.
 
 
BTS /Divulgação
 
“Lá na empresa, tem um concurso de inovação, e o projeto vencedor é incubado no Vale do Silício (Estados Unidos). Eu fui selecionado com os outros integrantes e, para poder participar, é necessário ter certificado de inglês”, lembra. O graduado em tecnologia da informação reparou na necessidade de aprender o idioma quando fez uma viagem à Alemanha a trabalho. “Eu percebi que tinha que aprender”, destaca. Ter o idioma também foi essencial para que Anna Salles, 24 anos, conseguisse realizar o sonho de estudar nos Estados Unidos e de ser atriz. “Quando eu estava perto de me formar, surgiu a oportunidade de fazer uma audição para a New York Film Academy. Eu voei para São Paulo, fiz a audição, duas cenas de filmes, em inglês e voltei para Brasília. Quinze dias depois, veio a aprovação e com uma bolsa de estudos”, lembra, feliz. Ela é graduada em artes cênicas pela Universidade de Brasília (UnB) e mora há dois anos nos Estados Unidos.
 

Valorização pode durar pouco

 

Arquivo Pessoal
 

João Dantas, pós-graduado em recursos humanos e liderança pela Business School São Paulo (BSP), com MBA em gestão estratégica de pessoas e bacharelado em administração de empresas pela Universidade Estácio de Sá, ressalta que logo, logo o inglês não será mais algo incomum. Para ter um diferencial no currículo, será preciso ir além. “Um diferencial seria saber falar mandarim. O inglês é básico, e todo mundo deveria ter essa habilidade”, destaca. Mas, de acordo com Renato Grinberg, diretor-geral da prática de liderança e gestão da BTS, consultoria de gestão, compreender idiomas diferentes pode até agregar valor ao currículo, mas só em circunstâncias especiais. “Além do inglês, o espanhol é um diferencial. Os outros idiomas somente serão úteis se a empresa for daquele país específico”, ressalta.

Palavra de especialista 


O idioma global

O inglês é muito usado no mundo globalizado, hiperconectado, em que vivemos. Bilhões de pessoas falam a língua, que é adotada como segundo idioma por pelo menos um bilhão de pessoas. Saber inglês também é ter uma postura aberta para o mundo. Os idiomas falados em grandes potências mundiais são sempre valorizados e vistos como diferenciais, dependendo da área de atuação do profissional e da necessidade de usá-los no dia a dia, como o mandarim e o espanhol, que são as línguas mais faladas nativamente. Hoje, ter uma segunda língua é essencial. Ter mais que isso é diferencial. 

Na verdade, o destaque está em ter um bom nível de conhecimento na segunda língua, sabendo expressar ideias e transitar por elas claramente. A melhor forma de comprovar o nível de conhecimento em inglês é obtendo uma certificação. Entre os exames disponíveis, estão os de Cambridge Assessment, para vários níveis, reconhecidos em instituições do mundo inteiro e considerados vitalícios. Ou seja, não é preciso esperar uma oportunidade de, por exemplo, estudar fora para fazê-los, pois não vão perder a validade. No currículo, indicar até que nível cursou em uma escola de idioma, seguindo o Quadro Europeu ou classificando de básico a avançado ou fluente, não tem a mesma validade. Até mesmo porque tudo depende da prática, e uma pessoa pode ter uma competência (escrita, fala, escuta ou leitura) mais desenvolvida que a outra. Ao fazer qualquer referência externa, é sempre bom inserir datas. Se você fez cursos mais recentes para treinar as habilidades da língua, vale também mencionar no currículo. Mas tudo poderá ser testado futuramente. Então, o primeiro passo é nunca mentir sobre o grau de domínio do inglês. Se tiver uma experiência internacional ou intercâmbio, é bom indicar quando foi feito, qual tipo e duração, o que é um bom diferencial. Na hora de participar de uma entrevista de emprego, uma boa dica é pesquisar expressões ou modelos na língua inglesa usados dentro da sua área de atuação e no meio profissional. Opte por descrever suas habilidades de forma direta, mas criativa.

Use verbos de ação, tente evitar a repetição do pronome pessoal (eu), alterne inícios de frase com verbos no gerúndio ou particípio passado. Um treino básico é pensar em como resumiria o seu perfil profissional e descreveria experiências anteriores começando pelas mais recentes.
 
Valéria França, graduada em pedagogia com doutorado em linguística aplicada; trabalha nesse ramo há 27 anos; 
atualmente, é gerente de Treinamento da Cultura Inglesa

Não minta!


Atenção ao currículo! 
Agora, apesar de o inglês ser considerado atrativo — e, em muitos casos, ser até pré-requisito — em seleções, o profissional não pode cair na tentação de mentir ou supervalorizar a habilidade que tem no idioma. De acordo com Fernando Gaiofatto, isso pode gerar o efeito contrário. “Qualquer coisa que você coloca que não seja verdade é ruim. Chega à hora da entrevista, o recrutador faz uma pergunta em inglês,  e a pessoa não consegue desenvolver, o recrutador vai perceber que o candidato não tem domínio”, afirma.
  
Saiba onde estudar 
 
Gratuitos ou comunitários
 
Centros Interescolares de Brasília (CILs)  
Unidades da escola pública de línguas do Governo de Brasília oferecem vagas prioritárias para estudantes da rede pública de ensino; oportunidades remanescentes são abertas para a comunidade no início de cada semestre.
Línguas ofertadas: inglês, espanhol, francês, alemão e japonês
Unidades: Asa Sul, Asa Norte, Taguatinga, Sobradinho, Planaltina, Ceilândia, Gama, Guará, Paranoá, Samambaia, Santa Maria e São Sebastião
De graça

UnB Idiomas 
Escola de línguas com preços acessíveis e ainda mais em conta para alunos da Universidade de Brasília (UnB); qualquer pessoa pode se inscrever.
Línguas ofertadas: alemão, árabe, coreano, espanhol, esperanto, francês, grego moderno, inglês, italiano, japonês, mandarim e russo.
Unidades: Câmpus Darcy Ribeiro (Asa Norte), Ceilândia, Gama, Planaltina e no Setor Comercial Sul

Centro de Línguas Idiomas sem Fronteiras (Celin Idiomas)
Cobra taxa única de R$ 348 por semestre, relativa ao material.
Línguas ofertadas: inglês, espanhol e francês
Endereço: Faculdade Dulcina de Moraes
Informações: www.celinidiomas.com.br

Cursos voltados para o mercado de trabalho
 
Cultura Inglesa 
Curso: Business english
É voltado para quem tem conhecimento intermediário em inglês e que precisa se comunicar no trabalho.
Unidades: Águas Claras, Gama, Taguatinga, Sudoeste, Asa Sul e Asa Norte
Informações: www.culturainglesa.net

Casa Thomas Jefferson 
Curso: Classic expert
É voltado para consolidar o conhecimento em inglês. Ao fim do curso, a ideia é de que o aluno possa usar o idioma com segurança em qualquer situação.
Unidades: Águas Claras, Asa Norte, Asa sul, Lago Sul, Sudoeste e Taguatinga.
Informações: thomas.org.br

Centro de Cultura Anglo Americana (CCAA)
Curso: Business english
Simula o universo dos negócios para ensinar a lidar com cada situação.
Unidades: Águas Claras, Asa Norte, Asa Sul, Gama e Guará
Informações: 
www.ccaa.com.br
De graça e on-line 
Learn English Online
Do inicial ao intermediário, são mais de 56 lições. Há também um fórum para dúvidas.
Acesse: www.learn-english-online.org

Duolingo 
São 24 idiomas disponíveis e todos podem ser aprendidos por joguinhos.

SparkNotes 
Tem todas as matérias estudadas no ensino médio dos Estados Unidos, tudo de forma gratuita.

edX
Plataforma de cursos on-line da Universidade Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Tem cursos de inglês, francês e mandarim.
 
 
 
*Estagiária sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa