PERFIS DE SUCESSO- CAMILA SALLABERRY E FLáVIA RUIZ »

Startup transforma fotos pessoais em álbum de figurinha personalizado

Serviço proposto pela Fotoploc agrada especialmente os casais e empresa tem dobrado faturamento

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postado em 02/12/2018 18:32 / atualizado em 02/12/2018 18:56

Com a popularização das máquinas digitais e, depois, dos celulares equipados com câmeras de boa qualidade, o costume de revelar fotos praticamente caiu em desuso — tanto que grandes empresas que se baseavam nesse modelo de mercado foram à falência. No entanto, o público ainda pode se interessar, sim, por ter as fotografias em papel, desde que num formato diferente, criativo e personalizado. É no que aposta a startup Fotoploc, que cria álbuns de figurinhas customizados com as imagens enviadas pelos clientes. Todo o tema é escolhido pelo consumidor, e as fotos, numeradas e com adesivos no verso, vêm em pacotinhos. Assim, além de eternizar momentos especiais, é possível passar um período agradável com o parceiro, amigos ou família colando os cromos. A fórmula tem dado bastante certo agora, com faturamento anual acima de R$ 1 milhão, mas já passou por poucas e boas — inclusive uma falência — até chegar ao ritmo adequado. A idealizadora e fundadora é a economista Camila Sallaberry, 33 anos.
 
 
Mesmo sem experiência com design, ela bolou o projeto sozinha e conseguiu imprimir. “Foram quase três meses para fazer. O resultado foi bem legal. Meu namorado amou o álbum e eu fui entregando os pacotes de figurinhas aos poucos; então, foi uma experiência longa que envolveu a minha família e a dele”, conta.  Nascia assim a Fotoploc. “Percebi que poderia, sim, ser uma oportunidade. Lancei um blog oferecendo o serviço e as pessoas foram divulgando. No primeiro dia, tive mais de 1.000 visitas”, relata. “Fiquei muito feliz, porque era a primeira vez que eu não estava representando nenhuma empresa ou marca, era eu mesma”, observa.

Aprendizados

 

Tudo ia bem e passar a ter um sócio investidor, em 2013, pareceria uma boa oportunidade. No entanto, o que era para impulsionar o crescimento do negócio acabou por se tornar uma armadilha. “Eu usei o dinheiro que veio com isso para abrir uma sala no fim da Asa Sul e contratar duas pessoas. Logo em seguida, fali”, admite. “Em vez de usar o investimento em custos fixos, deveria ter aplicado em marketing, pois a empresa não tinha um volume de vendas saudável. Eu não tinha noção de que as coisas não ‘explodem’ sozinhas”, afirma.
 
 
Camila (de vermelho) e Flávia
 
A lição foi importante para que, no ano seguinte, a economista recomeçasse com outra visão e outra postura. “Eu parei de fazer investimento sem ter receita, ou seja, passei a ter mais responsabilidade financeira, além de foco em vendas.” Em 2014, Camila percebeu que precisava reestruturar o negócio. “Eu fazia tudo sozinha e adoeci. E, para ter melhor resultado, tinha de parar de vender para produzir ou parar de produzir para vender.” Em 2015, ela foi procurada por três sócios investidores e buscou mão de obra de confiança. Foi assim que a publicitária Flávia Ruiz, 32, entrou no negócio. No início, como funcionária; e, depois de alguns meses, como sócia. “Eu trabalhei com ela na Aiesec e num supermercado e éramos amigas”, conta Camila. Então, quando soube que Flávia tinha ficado desempregada, convidou-a para trabalhar com ela.
 
 
Aline Rocha/Esp.CB/D.A Press
 

“Eu estava numa empresa maior e, com a crise, todo mundo foi demitido. No outro dia, a gente saiu para conversar e achei ótima a ideia de entrar para ajudar”, lembra Flávia. Foi então que Camila pôde se concentrar na divulgação e nas vendas, enquanto a amiga se encarregava da produção dos álbuns. O que impulsionou enormemente os resultados. “A gente saiu de 90 álbuns produzidos em 2014 para 600 em 2015. Em 2017, foram 2.877 álbuns e faturamento de R$ 535 mil. Em 2018, até hoje, foram 7.570 álbuns e mais de R$ 1 milhão em vendas”, comemora a fundadora. No ano passado, o negócio deixou de ser micro para se tornar pequena empresa. Entre os motivos para o sucesso estão a responsabilidade financeira, o foco num produto específico e com pouca concorrência no mercado e também parcerias acertadas. “Até 2016, éramos só nós duas fazendo tudo. Agora, contamos com 20 pessoas no time. Estamos no pedido 17 mil e tanto. A gente tem uma sintonia muito boa, o que nos fez atrair uma equipe que também combine com a gente, com perfil mais livre e criativo”, afirma Flávia. Hoje, a empresa conta com uma sede na Asa Norte, mas todos os pedidos são feitos pelo site. As encomendas vêm de todas as partes do Brasil — a maioria, inclusive, é de fora do Brasil. 
 
 
Aline Rocha/Esp.CB/D.A Press
 

Mundialmente, já entregaram em todos os continentes; na maior parte das vezes, para brasileiros que moram em outros países; mas também portugueses. O pedido mais comum é de álbuns de casais. As sócias cogitam o formato de franquia para expandir.