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Plataforma digital otimiza o trabalho de reforço escolar

Estudantes de engenharia da UnB criam ferramenta digital que facilita trabalho de professores particulares

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postado em 02/12/2018 19:01 / atualizado em 02/12/2018 19:05

O formato das aulas particulares que três amigos e estudantes do curso de engenharia da computação, na Universidade de Brasília (UnB), davam a alunos do ensino médio era o tradicional. Tiago Lenza, 25 anos, Marcos Yan, 26, e Matheus Rosendo, 25, aproveitavam o conhecimento que tinham nas matérias ditas exatas — matemática, física, química e biologia — a fim de atuarem como professores aos interessados em reforço escolar. A dificuldade de encontrar alunos, aliada aos empecilhos como deslocamento, confiabilidade e comunicação ágil, motivou a criação da Colmeia, plataforma que simplifica a contratação de professores particulares. “Com essa onda de ‘uberização’, resolvemos formalizar esse mercado em que, normalmente, o educador não tinha garantia de que iria obter o valor da aula. O pai precisava receber em casa alguém que ele não conhece o suficiente, a partir da experiência de outra pessoa”, afirma Tiago Lenza.
 
 
Aline Rocha/Esp.CB/D.A Press
 
A partir da concepção da ideia, os jovens partiram para a prática. Cada um dos sócios desembolsou cerca de R$ 2 mil à época, em 2016. Logo nos primeiros meses de serviço lançado, o cenário se mostrava promissor. “Testamos no mercado e, embora, tivéssemos pouquíssimos clientes, vimos que havia um potencial muito grande”, relembra Tiago. Dois anos após sua criação, a Colmeia está presente em Brasília, Goiânia e São Paulo, com planos de expansão para Rio de Janeiro e Belo Horizonte para o ano que vem. Já são mais de 100 professores cadastrados somente no Distrito Federal — e uma lista de espera que ultrapassa três mil pedidos.

A plataforma funciona tanto pelo aplicativo quanto pelo site da Colmeia. O interessado escolhe a disciplina e a etapa de ensino para a qual precisa da aula de reforço particular, nos níveis fundamental ou médio. Depois disso, o aluno tem acesso a uma lista de professores, que traz minibiografia, datas e horários disponíveis, além de poder checar a pontuação do docente, feita com base nas avaliações dos contratantes anteriores. O grande trunfo, segundo Tiago, é a praticidade do processo que, desde o agendamento até o pagamento, é feito on-line. Além disso, o sócio-fundador classifica a seleção dos professores como “bem rigorosa”. Ele conta que os candidatos são avaliados pelo histórico escolar, currículo, entrevista virtual e que os antecedentes criminais são checados para garantir o máximo de segurança aos clientes.

Pais e alunos

 

A economiária Ludmila Albertini, 42, tinha dificuldade de acompanhar os estudos da filha Júlia, 11, por causa da rotina puxada de trabalho. Foi então que ela optou pela plataforma, com a qual se mostra satisfeita. “Facilitou a minha vida como mãe, na função de apoiar e de ajudar. Os professores são qualificados, normalmente universitários da UnB”, afirma. As aulas de reforço de Júlia, que está no quinto ano, são pontuais, afirma a mãe. Ocorrem somente em períodos próximos às provas no colégio ou quando a filha apresenta alguma dificuldade. Matemática e português costumam ser as disciplinas requisitadas por ela.

A mãe conta que a filha teve aulas de reforço no formato tradicional, mas que não se adaptava devido ao TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade). “Era um reforço escolar em uma sala com várias pessoas. Minha filha dizia que havia muito ruído na sala, muitas pessoas conversando”, conta. Ludmila conta que, com a plataforma, os professores vão até a casa dela e são mais sensíveis às dificuldades da menina. “Alguns professores têm um conhecimento sobre o TDAH, não apenas sobre as disciplinas. Eles são atenciosos com ela”, relata. Mãe e filha também fazem inglês duas vezes por semana para melhorar a fluência no idioma.
O gerente nacional da Caixa Econômica Federal, Luiz Roberto Caires, 41, conheceu a Colmeia por amigos e relata que retomou o sonho de estudar a língua inglesa e se tornar fluente. “Frequentei cursos rápidos e não conseguia me adaptar, porque tinha que remarcar ou cancelar, devido ao trabalho. Sempre tive vontade de voltar e nunca colocava em prática. O aplicativo e a praticidade me fizeram voltar a estudar inglês”, diz. Luiz tem aulas de inglês corporativo duas vezes por semana. 

Professores

 

Engenheiro elétrico pela UnB, Matheus de Moraes descobriu o gosto pela prática docente. Aproveitando a aptidão em matemática e física, ele se candidatou e foi selecionado para dar aulas particulares das disciplinas, as quais ensina na Colmeia há um ano e meio. O professor tinha dado aula em escolas particulares anteriormente, mas optou pela plataforma em função da comodidade no deslocamento. “Dou aulas somente nos lugares próximos à minha casa e nos horários que posso”, afirma ele, morador da Candangolândia.

Segundo Matheus, contam como grande atrativo no aplicativo o fato de não ter que cobrar os clientes ou correr o risco de não receber pela aula dada devido à inadimplência. O professor tem cerca de seis alunos fixos mensalmente e outros tantos esporadicamente. Não falta trabalho. A cubana Ana Laura Afonso chegou ao Brasil há dois anos e meio para fazer o mestrado em tecnologias química e biológica na UnB. Bioquímica pela Universidade de Havana, ela aproveitou a língua nativa para dar aulas na Colmeia. “Eu dava poucas aulas, apenas de espanhol. Aprendi o português para dar as matérias que fazem parte da minha formação (matemática, física, física, química e biologia)”, conta. Ana Laura mora na Asa Norte e gosta da praticidade que o negócio oferece na comunicação entre professores e alunos. “Há muita flexibilidade de escolher os horários para trabalhar. Posso mudá-los de um dia para o outro. Tem um chat que consigo falar com os alunos ou pais de última hora, em caso de alguma emergência”, elogia.
 


*Estagiário sob supervisão de Ana Sá