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Dona de loja de roupas em Águas Claras monta looks para as clientes

Aline Silva é personal stylist e consultora de imagem. Em vez de vender apenas peças avulsas, ela elabora um visual completo para as clientes

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postado em 10/03/2019 18:06 / atualizado em 11/03/2019 16:00

A loja de roupas de Aline Silva em Águas Claras funciona quase como um closet para as clientes. Afinal, a empresária de 41 anos, que é personal stylist, raramente vende peças avulsas: em vez disso, monta looks completos, dos pés à cabeça, do sapato aos acessórios. “É muito difícil alguém vir e comprar uma roupa só. Em geral, levam o look completo e opções para formar mais combinações”, afirma. “Em poucos minutos, eu consigo olhar para a pessoa, entender o tipo físico e o estilo dela e sugerir o que vai dar certo para ela”, conta. Trata-se de um talento que ela já tinha, mas que foi aperfeiçoado em cursos como o de personal stylist, feitos depois de inaugurar a empresa.
 
 
“São coisas que eu já fazia antes, por intuição. E, com a formação, aprendi o que estava por trás disso”, explica. As clientes são de todas as faixas etárias, desde adolescentes a idosas. As compradoras são recepcionadas no espaço por uma cachorrinha shih-tzu de 9 anos, a Tchuca, que acabou se tornando o xodó da loja. Com o estilo de vendas e comunicação de Aline, as freguesas se tornam também amigas dela. “E aí nunca mais nos deixam”, afirma. A consultoria de moda express é o grande chamariz do negócio, pois Aline ensina as compradoras, ainda, como combinar cada peça para poder aproveitá-la em diferentes visuais. “E a autoestima delas vai lá em cima”, repara.

Aline estima que tem cerca de 200 clientes em sua cartela, mas elas são muito fiéis e voltam a cada nova coleção para conferir novidades. Por mês, calcula atender cerca de 40 mulheres. O volume de vendas bruto varia entre R$ 40 mil e R$ 45 mil; em meses de melhor movimento, como dezembro, pode chegar a R$ 85 mil.  “É muito difícil empreender no Brasil, mas brasileiro não desiste... Passei por maus bocados”, diz. A empresária começou a vender roupas em 2004. Em 2012, passou a ter a sede comercial em Águas Claras, quando nasceu a loja Family Wear.

Histórico

Aline Rocha/Esp.CB/D.A Press
 

Aline conta que herdou o lado empreendedor e comercial do pai (um mineiro que era representante de autopeças de carro) e a habilidade para comunicação, da mãe (paraibana, jornalista, professora, que foi dona de escola). Tanto que, apesar de ter se formado em administração, ela percebe que grande parte dos conhecimentos necessários para gerir um negócio, já tinha. “Eu puxei deles, especialmente do meu pai, esse tino. Sou a caçula e a única com essa característica. Minha irmã é cantora gospel e meu irmão, dentista”, conta. “Meu pai sofreu um acidente quando eu tinha 5 anos e ficou tetraplégico. Na cama, por telefone, ele vendia mais que os 10 vendedores que ele tinha na rua. Ele sempre dizia que um bom vendedor vende geladeira para esquimó”, brinca. A brasiliense se mudou com a família para Imperatriz (MA) por causa do trabalho do pai durante a infância, e só voltou para Brasília após a morte dele, quando tinha 18 anos.

A situação financeira mudou, e ela viu a necessidade de ajudar com as contas de casa. No início, trabalhou com consignação de joias. Depois que se casou, atuou um tempo com iluminação de ambientes e voltou às vendas: dessa vez, de lingerie. As clientes eram do círculo de conhecidos de Aline e, em muitos casos, da mesma igreja. Ela é evangélica e cantora gospel; então, acabava conhecendo muita gente. “Peguei uns kits de calcinha, sutiã e camisola para vender. No primeiro dia, vendi tudo”, recorda. “Em uma semana,  vendi o que o pessoal costumava vender em um mês e, então, virei a melhor vendedora daquela rede”, completa. “Com o tempo, senti a necessidade de montar algo para mim. Minha mãe pegou um empréstimo de R$ 3 mil para me ajudar. Com parte do valor, paguei dívidas. Com o que sobrou, uns R$ 1,5 mil, fui para São Paulo comprar roupa”, relata.
 
Aline Rocha/Esp.CB/D.A Press

A viagem foi uma aventura, pois ela nunca tinha estado lá e não conhecia ninguém na cidade. “Fui para o bairro do Bom Retiro, onde as lojas vendem por atacado. E, para fornecerem produtos para você, é preciso ter CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica); coisa que eu não tinha”, revela. “E, se fosse primeira compra, tinha que ser à vista e acima de certa quantidade de peças.” Aline não estava conseguindo sucesso nas negociações, até que conseguiu fechar um negócio, apenas porque a dona da loja estava com pressa. “Ela ia viajar para a Coreia e não podia se atrasar. Então, por causa disso, vendeu para mim, parcelou o valor e fez meu cadastro na loja. E, graças a isso, eu consegui comprar também em outras lojas de lá”, comenta. Depois dessa vez, foram muitas idas e vindas para São Paulo. “Não foi fácil. Numa dessas, depois de estar com a mala pronta, cheia de roupas, caí dentro de um bueiro com a enxurrada”, lembra. “Hoje, conto com alguém que faz esse trabalho por mim. Eu só escolho, nem preciso pegar no carrinho”, compara.

Aline sempre foi uma das principais vitrines do próprio trabalho porque tinha jeito para combinar as peças. “Eu sempre andei estilosa. O pessoal me via usando na igreja e queria. Já teve vez que pediram para eu tirar a roupa do corpo porque queriam aquela”, descreve. “Eu atendia com horário marcado e montava os looks”, aponta. “Mesmo sendo algo informal, eu vendia as peças com uma sacola personalizada cor-de-rosa. E aquilo ali chamava a atenção para atrair mais clientes”, diz. Os resultados a levaram a abrir loja física em 2012, quando nasceu a Family Wear. Apesar de o negócio ser voltado para mulheres, o intuito é de, no futuro, passar a oferecer roupas para toda a família. 

Consultoria exclusiva

Além de montar looks na loja, Aline presta um serviço de consultoria de imagem. Mais ou menos no estilo do programa Esquadrão da moda, do SBT, e outros reality shows do tipo. No entanto, ela esclarece que não joga tudo da cliente no lixo, como é característico em quadros do tipo. “Eu aproveito o que a pessoa já tem e já gosta e sofistico isso”, explica. Tudo começa com uma entrevista muito completa para entender o estilo de vida, o tipo de corpo, as cores que deixam a pessoa com melhor aparência, a rotina e outras características da freguesa. A segunda etapa é revisa o armário. “Fazemos um limpa no guarda-roupa. E, a partir disso, verificamos que peças ela precisa comprar.” A próxima etapa é ir às compras. 
 
Arquivo Pessoal
  
 
“Que pode ser tanto na minha loja ou em outras. Acompanho e oriento durante todo o processo.” Por fim, com o que ficou no closet e as novas aquisições, Aline entrega um look-book. “É um dossiê bem completo, com diversas combinações de como usar as peças”, diz. Todo o processo deve ser feito em cerca de um mês. “No mais tardar, três meses”, alerta. Aline cobra R$ 200 por hora pelo serviço. “O preço total vai depender do tamanho do armário da cliente, do tanto de tempo que ela precisar. Às vezes, cobro R$ 4 mil por uma consultoria. E a pessoa sai satisfeita, sabendo que isso é um investimento e ainda vai fazer ela economizar, pois não vai mais comprar errado ou acabar com peças que não usa no armário”, comenta. De tempos em tempos, as clientes voltam para revisar ou montar mais looks.
 
Arquivo Pessoal
  
 
Clientes como a cantora gospel e empresária Mônica Vaz, 39 anos, são só elogios para o serviço. “Eu estava para produzir um CD e tinha uma amiga que me dava dicas de moda, mas eu queria algo mais, então ela ficou de ver alguém para me ajudar e me levou à loja da Aline. Quando cheguei lá, eu me deparei com minha vizinha de porta, que eu nem sabia que tinha uma empresa e que era personal stylist”, lembra. Assim, Mônica se tornou cliente tanto da Family Wear quanto da consultoria. E os resultados, ela conta, vão além da estética.
 
“Eu me apaixonei por esse trabalho. De lá para cá, minha vida deu uma guinada. Foi muito, muito bom mesmo. Todo mundo que me conhece viu a transformação. Não só externamente, mas de dentro para fora, na minha autoconfiança, na minha autoestima”, relata. Além, é claro, de informação de moda. “Eu olhava para peças como blazer e achava que só podia usar com conjuntinho. Hoje, eu uso com tênis, com scarpin, com coisas que eu nem imaginava”, conta. “Agora, eu consigo ir a uma loja e comprar de forma equilibrada, em vez de comprar um monte de coisa. Aprendi que não preciso de tanto para formar meu look”, destaca. “É um investimento que vale a pena, mudou minha vida com certeza.” 

Saiba mais
 
Family Wear
99267-7401 / 2194-8565
Rua 21 Norte, Lote 3, Green Park Center, em frente à Uniplan, em Águas Claras / @familywear