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Restauradores de azulejos

Em loja na W3 Norte, casal vende pisos dos mais diversos tipos: desde atuais até modelos que pararam de ser fabricados e outros com até 70 anos. O acervo tem mais de 40 mil modelos


postado em 28/01/2018 14:55

 

 

Diversas prateleiras enfileiradas guardam cerca de 40 mil tipos de pisos, dos mais atuais a modelos antigos, de até 70 anos atrás. Um olhar desatento às pilhas não perceberia que, na verdade, tudo ali é superorganizado. Cada variedade, cor e tamanho de ladrilho recebe uma letra e um número, correspondente à fileira e à altura do suporte em que se encontra. Para localizar rapidamente cada qualidade de azulejo existente, amostras (com os códigos que permitem encontrar cada uma e a quantidade de itens disponíveis) ficam no balcão. É por meio desse sistema, que funciona como uma biblioteca de cerâmicas, que os proprietários, Juscelino Oliveira Ataíde, 59 anos, e Maristela Ataíde, 56, conseguem controlar o estoque da loja Azulejos e pisos antigos, na 712/713 Norte. O sistema de catalogação também permite achar com agilidade espécimes procurados pela clientela, dos mais raros aos mais comuns.

“Sem isso, nos perderíamos aqui dentro”, comenta a paranaense Maristela. A empresa é aposta certeira para quem precisa repor uma peça que não é mais vendida em lojas de material de construção. O negócio vende também tipos que estão no mercado e é procurado por pessoas que desejam adquirir apenas alguns itens — numa loja comum, seria preciso comprar pacote fechado com grande quantidade.  “O cliente traz um pedaço da cerâmica que precisa substituir e informa o tamanho. Tenho amostras aqui na bancada para comparar e achar rapidinho. Quando uma compra é feita, já atualizo o número de azulejos daquele modelo que ficaram”, explica Juscelino, que é paulista. Ele e a mulher, Maristela, se preparam para comemorar os 31 anos do estabelecimento. A loja foi aberta, inicialmente, em Taguatinga. Em 1992, o casal a transferiu para o endereço atual, na W3 Norte.

“Lá, o público ficava muito restrito a pessoas que moravam na região. Este é um local mais central, por onde passa gente de todo o DF”, observa Maristela. Agora, os microempresários recebem de 20 a 30 clientes por dia. A crise não afetou o negócio, já que as pessoas passaram a se preocupar mais com os gastos na hora de construir. Além de vender pisos, a loja recupera cerâmicas trazidas pelo público, deixando-as prontas para serem usadas novamente. “Um bloco da 311 Norte fez uma reforma orçada em mais de R$ 2 milhões e meio. Como a síndica trouxe as pastilhas retiradas de lá para a gente limpar, os custos baixaram para R$ 500 mil”, conta Juscelino. “Em outros tempos, quem ia construir ou reformar, às vezes, nem pensava em fazer isso, já queria logo comprar tudo novo”, completa Maristela, que destaca que o serviço é econômico e ecológico, pois permite reduzir a geração de entulho.

 

 

(foto: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A)
(foto: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A)
 

 

Outro serviço diferenciado oferecido pelo estabelecimento é a confecção de azulejos. “Se a pessoa traz uma peça que não temos no estoque, conseguimos fazer uma igual — desde que o design não seja registrado”, esclarece Juscelino. “Não podemos, por exemplo, reproduzir um azulejo de Athos Bulcão.” Quem quer um ladrilho diferenciado, com algum nome ou desenho, também pode optar pelo serviço. Boa parte do acervo da loja vem de pontas de estoque, demolições e resto de obra — fornecido, muitas vezes, por pedreiros, que conseguem vender as peças ali. Maristela e Juscelino, porém, são criteriosos. “Não compramos tudo. Se não, não teríamos nem espaço para guardar”, aponta Maristela. Esse aprendizado sobre o que vale a pena ou não ter no estoque foi adquirido com o tempo. “Não adianta ter modelos que não têm saída.”

Origem
Maristela era professora de matemática e Juscelino, de física. Depois de casados, resolveram trabalhar num ramo tão diferente da área de formação por terem considerado o nicho promissor. Eles queriam abrir um negócio do tipo numa cidade que não contasse com uma loja especializada em cerâmicas antigas. A vinda para o DF foi quase que por acaso. “A gente iria para Fortaleza; estávamos com a passagem de ônibus comprada, mas acabamos perdendo. Então, de última hora, resolvemos vir para Brasília”, lembra Juscelino. “Abrir um negócio sem reservas financeiras e sem estoque foi difícil. Enfrentamos com a cara e a coragem”, recorda Maristela. Eles superaram as barreiras pelo caminho com alguns dos ingredientes que formam a receita de sucesso da loja: compromisso com o cliente, transparência e vontade de sempre dar um jeito de atender a necessidade do público. Contar com um time de empregados de confiança, que está na empresa há muito tempo, também é importante. “O segredo para reter bons funcionários é valorizá-los — e não só no sentido financeiro”, ensina Maristela. “O funcionário é nosso cliente nº 1”, explica Juscelino.

 

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