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Correio Braziliense ENTREVISTA FACUNDO GUERRA »

Confira entrevista com o empreendedor subversivo

Facundo Guerra, autor do livro Empreendedorismo para subversivos, é dono de bares, casas de shows e festas em São Paulo


postado em 13/05/2018 15:32 / atualizado em 13/05/2018 18:23

"Você tem que iniciar algo quando a ideia realmente for transformar o seu entorno, que tenha propósito, e esteja alinhada com o problema que você quer resolver (foto: Julia Rodrigues/Divulgação)

 

 

Eleito, em 2016, um dos 100 empreendedores mais influentes do mundo pela revista norte-americana Good Magazine, Facundo Guerra, 44 anos, é engenheiro de alimentos pelo Instituto Mauá de Tecnologia, jornalista, mestre e doutor em ciência política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Natural de Córdoba, na Argentina, cresceu na capital paulista, onde mora e administra seis negócios, entre bares, casas noturnas e de shows. Antes disso, trilhou carreira corporativa, chegando a ocupar cargos executivos. A mudança veio em 2003: depois de ser demitido da empresa de internet onde trabalhava e compreender que não se encaixava ali, resolveu apostar no empreendedorismo.
 
Primeiramente, com uma casa noturna que funcionou durante seis anos na Rua Augusta. A partir daí, continuou a investir para agitar as noites paulistanas. Atualmente, comanda seis espaços: os bares Riviera, Mirante 9 de Julho e Z Carniceira, as casas noturnas Lions e Club Yacht, e a casa de shows Cine Joia. Além disso, abrirá  o Bar Arcos no Salão dos Arcos, no subterrâneo do Theatro Municipal de São Paulo. Há 15 anos atuando no ramo, tornou-se figura conhecida na maior metrópole brasileira e, em 2015, recebeu do site Catraca Livre o Prêmio de Cidadão São Paulo, que reconhece quem faz diferença na cidade. Facundo resume a própria trajetória no livro Empreendedorismo para subversivos — um guia para abrir seu negócio no pós-capitalismo. Nas páginas, usa os erros que cometeu para ensinar lições de negócio aos leitores, especialmente os que sonham em ter uma empresa.

Por que você decidiu ser empresário?
Na verdade, eu não tinha vontade de empreender. Isso ocorreu por desespero. Em 2003, após ser demitido, com todo o resto da equipe da empresa, eu me senti inseguro, com medo do futuro e necessidade de pagar contas. Então, eu tinha de fazer alguma coisa. A princípio, não foi nada planejado, foi por acaso. Uma amiga me chamou para ser sócio de um clube, o Vegas, aceitei, ele durou seis anos e fechou em 2012, mas eu segui no ramo.

Qual a diferença entre um empreendedor e um empresário?
Eu me considero empreendedor, pois ainda estou montando novos negócios. Essa titulação mostra que a pessoa está construindo algo novo, sempre em constante mudança de perspectivas. Algumas qualidades necessárias são paciência, curiosidade e resiliência. Já o empresário tem um comércio estabelecido, finalizado e deve ser cauteloso, conservador e cuidadoso com os riscos que toma, além de ter uma atenção muito mais voltada para o caixa.

Qual a importância do timing (momento certo) num negócio?
Perdemos muito tempo planejando coisas e conceituando negócios. Nesse meio tempo, corremos o risco de perder para o concorrente, seja porque ele lançou um serviço antes, seja porque adquiriu o ponto comercial em que você estava interessado. Tem coisas que você perde se não fizer naquela hora. O timing é muito mais importante do que fazer algo rápido: equivale a tomar a decisão para o caminho certo. Você tem que saber a hora certa para tudo.

Seu livro diz que dinheiro não deve ser o foco principal de um empreendedor. Por quê?
Não que o dinheiro não seja importante, mas a pessoa precisa saber que, se tem a pretensão de ser tornar rica, pode se frustrar, pois, provavelmente, não enriquecerá com o empreendedorismo, especialmente no seu primeiro estabelecimento. Então, é bom encontrar satisfações que vão além da financeira. Produzir com propósito pode aumentar expressivamente as chances de o negócio dar certo. Alguns elementos que vejo que podem dar sentido à firma, dependendo de cada indivíduo, são sentido de vida, aprendizados diversos, capital social, busca por excelência, vaidade, ego, reputação ou sentimento de grandeza.

Qual a sua opinião sobre empreender a partir do que gosta de fazer? 
Penso que não é bom a pessoa ser completamente apaixonada por aquilo que faz, pois isso a impedirá de ver os defeitos mais óbvios. Você tem de executar algo a partir do que gosta, sim, mas não ser obcecado por aquilo nem ignorar o mercado: não adianta se você for o único consumidor daquele produto, assim, o negócio não fluirá.

Você fala de como erros o levaram a construir sua carreira nos negócios. Que equívocos você cometeu e que lição aprendeu com eles? O que faria diferente se voltasse no tempo?
Os maiores erros que cometi foram o expansionismo desmedido (abrir um negócio atrás do outro sem arrumar o anterior, sem dar tempo de ele amadurecer, por ganância mesmo), a escolha errada de sócios (o último que tive foi um completo desastre, levou tudo o que eu tinha, foi uma relação terrível) e a falta de preocupação com o caixa (questão fundamental que deve ser o tempo inteiro uma obsessão de todo empreendedor). Mas o principal equívoco foi mesmo tentar o tempo inteiro expandir meus negócios sem entender se essa expansão estava alinhada com o propósito, com a política e o problema de cada um. Esses são três fundamentos que devem estar bem equacionados numa empresa.

Qual o conselho para quem deseja empreender?
A dica é entender o porquê de abrir a empresa. Fazer essa reflexão — que é íntima, particular — é muito importante. Pergunte a si mesmo: por que vou abrir o meu negócio, o que ele vai trazer de volta para a cidade, o que vai propor para o mundo que não existe hoje no mercado? Se você for abrir algo para copiar um modelo existente ou alguma coisa que já foi proposta antes, acho que não justifica abrir. Você tem que iniciar algo quando a ideia realmente for transformar o seu entorno, que tenha propósito, e esteja alinhada com o problema que você quer resolver. Reconheço que é difícil encontrar negócios que sejam tão inovadores, mas eu acho que qualquer empreitada tem de ter uma razão fundamental, responder a um anseio íntimo do idealizador, caso contrário, não faz sentido abrir mais uma companhia.

Leia!

Empreendedorismo para subversivos — Um guia para abrir seu negócio no 
pós-capitalismo
 
Autor: Facundo Guerra
Editora: Planeta Estratégia
239 páginas
R$ 41,90
No livro, o autor relata o caminho dele no ramo empresarial e usa os próprios erros para ajudar aspirantes a empreendedores. Ao longo da obra, Facundo Guerra ensina, de modo descontraído, como ser um empreendedor sem gravata e como encontrar o próprio caminho.

 

*Estagiária sob a supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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