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Correio Braziliense EMPREENDEDORISMO »

Saiba como captar recursos para a sua startup

Uma ideia genial não basta para ter sucesso. Para que uma empresa nascente com potencial de escalonamento saia do papel, faz-se necessário planejamento, pesquisa e, também, dinheiro. Existem várias opções para financiar o seu projeto: aceleradoras, incubadoras, investidores (anjo, semente e outros), editais de inovação...


postado em 07/10/2018 16:55 / atualizado em 08/10/2018 13:59

O alto número de desempregados no Brasil que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ultrapassa os 13 milhões tem impulsionado a abertura de startups. De acordo com o StartupBase, banco de dados da área, existem 124 companhias do tipo registradas em Brasília pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups). No Brasil, são 6.323, mas estima-se que, ao todo, sejam mais de 15 mil empresas, atuando nas mais diversas áreas. Com mais dificuldades de se inserir no mercado formal, cada vez mais jovens, especialmente recém-formados, partem para o plano B: abrir o próprio negócio. Muitas vezes, são ideias geniais, com alta chance de replicabilidade por meio da tecnologia. Então, o que falta, em diversos casos, é apoio financeiro. A boa notícia é que há uma diversidade de caminhos para conseguir recursos para esse tipo de organização nascente: editais de incentivo, incubadoras, aceleradoras, investidores-anjo, financiamento coletivo, linhas de crédito tradicionais e até doações de amigos e família...
 
 
Muitas empresas as contratam pelo poder de desenvolver novas coisas, o que é bom para garantir o futuro dos negócios sem ter de arriscar tudo o que se construiu Amure Pinho, presidenteda ABStartups(foto: Arquivo Pessoal)
Muitas empresas as contratam pelo poder de desenvolver novas coisas, o que é bom para garantir o futuro dos negócios sem ter de arriscar tudo o que se construiu Amure Pinho, presidenteda ABStartups (foto: Arquivo Pessoal)
 
É preciso, porém, muita reflexão para entender que tipo funciona melhor para você e seu negócio. Para Max Oliveira, CEO da startup de compra de passagens aéreas por milhas MaxMilhas, para buscar um financiamento, a pessoa tem de refletir sobre a real necessidade daquilo. “Às vezes, não é necessário juntar muito dinheiro para lançar a empresa.” Além disso, é possível começar numa escala pequena para, depois, expandir. “Há casos em que o excesso de capital atrapalha a empresa, pois ela se desenvolve muito rápido e o produto, não; o que é um problema”, completa o engenheiro de produção. Mas para os casos em que a possibilidade de replicação da ideia foi comprovada, conseguir ajuda para escalar a mercadoria é boa opção. Para saber qual fonte financeira tentar, é importante avaliar o estágio em que a empresa se encontra. “Se estiver em fase inicial, ou seja, se o protótipo ainda não foi validado, é bom procurar investidores seed (semente), ou programas do governo”, diz o CEO da aceleradora Q4 Angels, Guilherme Tavares.
 
“Se está com o projeto na fase de captação de clientes, o ideal é buscar um investidor anjo, pois ele vai aplicar dinheiro na empresa e também comprar uma porcentagem dela”, indica. O especialista explica que o investimento deve ser uma impulsão para o negócio, mas o dinheiro não pode ser tudo. “O investidor e o empresário devem ter uma sinergia de ideias. É muito importante também usar a rede de networking do fornecedor, que vale mais que qualquer aporte, além de aproveitar consultorias para ampliar a visão de negócio”, destaca Guilherme Tavares, graduado em sistemas para internet. O foco dos investidores também varia de acordo com o que eles querem alcançar, o que é muito importante, visto que as ideias do empresário e a do investidor devem se alinhar. Antes de se lançar com tudo em qualquer tipo de parceria, é preciso entender que são poucos os programas de “doação”, que apenas despejam dinheiro na empresa. A maior parte requer algo em troca. As grandes companhias, especialmente, pedem muitos benefícios e são muito criteriosas.
 

Não existe almoço grátis


“Quem vai investir na empresa analisará fatores como qualificação das pessoas, uso da tecnologia, capacidade de execução do produto e tamanho do mercado”, afirma Daniel Grossi, co-fundador da aceleradora Liga Ventures, especializada em conectar grandes corporações e novas empresas. “As companhias buscam resolver problemas, combater ineficiências e melhorar a vida das pessoas, mas muitas instituições perderam esses alvos enquanto cresceram e precisam retomar isso para não perderem os clientes, por isso, passam a analisar startups”, destaca Lucile Charpentier, diretora de Marketing e Estratégia Digital da Saint-Gobain no Brasil, empresa de construção civil que tem um programa de aceleração. Em determinados casos, grandes empresas optam por contratar startups para resolver algo que elas não conseguem solucionar sozinhas. O diferencial desse segmento é experimentar poder se permitir ao erro. O que, para grandes corporações, é mais arriscado.
 
 
"O potencial de uma empresa desse tipo é muito grande. Além de ajudar na revolução do mercado, ela pode gerar novos empregos" Itali Callini, diretora de Operações da 500 Startups (foto: Estádio Unique)
 
De acordo com o presidente da ABStartups, Amure Pinho, esse setor só tem a acrescentar a velhas instituições. “Muitas empresas as contratam pelo poder de desenvolver novas coisas. O que é bom para garantir o futuro dos negócios sem ter de arriscar tudo o que se construiu”, diz. “O potencial de uma startup é muito grande. Além de ajudar na revolução do mercado, ela pode gerar novos empregos”, acrescenta a diretora de operações da aceleradora 500 Startups, Itali Collini. O perfil de donos e trabalhadores de startups é variado no que diz respeito a idade, gênero, ambições e formações. 


Entenda o setor

 

As startups são empresas iniciantes que têm por objetivo criar um modelo de serviço ou produto que resolva um problema de modo novo e replicável. Alguns dos segmentos de atuação são: serviços profissionais e financeiros, tecnologia da informação, saúde, varejo e atacado, educação, mobilidade, entretenimento, meio ambiente, turismo... Esse tipo de empresa, na verdade, pode atuar em qualquer tipo de setor. No exterior, esse tipo de negócio é comum principalmente no Vale do Silício, grande polo de inovação dos Estados Unidos. Não faltam exemplos que deram certo. Pode-se citar a Uber (prestadora de serviços de transporte) e a Nubank (de financeiros mais simples) como casos de sucesso.

Ambas viram um problema no segmento em que gostariam de atuar e foram atrás de soluções. As projeções deram certo e se tornaram empresas de grande porte que estão em constante inovação e expansão. No Brasil, apesar de crescer a cada dia, esse segmento ainda é formado, em sua maioria, por pequenas empresas: 63% são compostas por equipes de até cinco integrantes, de acordo com a ABStartups. Este ano, inclusive, o Distrito Federal ganhou uma Lei de Inovação (nº 6.140/2018), que pode impulsionar ainda mais o avanço do setor. A nova legislação estimula a pesquisa científica e tecnológica na região por meio de investimentos a fim de estimular a geração de riquezas.


Para começar

 

Segundo especialistas, o principal para se abrir uma startup é o propósito de solucionar um problema. “É preciso entender o que o cliente precisa, então, é necessário, antes de tudo, estudar”, aconselha a economista Itali Collini. A partir disso, as empresas podem obter outros ganhos. “Ao buscar sempre uma solução melhor, a iniciativa ganhará financeiramente também”, garante o publicitário e mestre em empreendedorismo Daniel Grossi. Quem decide abrir um empreendimento como esse tem de estar preparado para enfrentar também dificuldades. “Lidar com inovação é fazer algo que, às vezes, não foi feito antes. Então, é um trabalho muito árduo de erros e acertos, sem contar os altos riscos.” Planejar-se faz toda a diferença na hora de iniciar um negócio e reduz metade dos riscos envolvidos. “Ao se organizar, você saberá até que ponto pode gastar porque, às vezes, não se ganha nada no começo, então, é importante guardar dinheiro”, aconselha Itali Collini.

13 perguntas antes de lançar seu negócio. Você...


1) ...criou um produto ou serviço para atender uma necessidade real do mercado?
2) ...testou sua solução com alguns potenciais clientes e provou a viabilidade de atender esse mercado?
3) ...definiu missão, visão e valores?
4) ...estabeleceu claramente seu modelo de negócios e de onde virão suas receitas e despesas?
5) ...desenhou o esboço do planejamento estratégico para desdobrar em metas básicas de acompanhamento?
6) ...conhece os concorrentes e possíveis substitutos? Não seja egocêntrico nessa resposta.
7) ...identificou e definiu o segmento de mercado em que vai buscar seu público-alvo?
8) ...validou a solução com os clientes para entender o que você precisa fazer?
9) ...construiu um funil de vendas e testou canais de maior atração?
10) ...definiu a identidade visual e storytelling da marca?
11) ...acompanha a taxa de churn (perda) dos clientes a cada mês ou já tem os KPIs (indicadores chaves de desempenho) para isso?
12) ...criou a estrutura básica de tecnologia para servidores, sistemas e infraestrutura?
13) ...organizou a contabilidade básica: impostos, orçamento, capital de giro e fluxo de caixa?

Tendo validado essas premissas e o projeto e conseguido sobreviver a esses questionamentos, há mais chances de sucesso de acordo com Diego Daminelli, cofundador e diretor de Marketing do clube de café em cápsulas Moccato, e acelerador de negócios da Organica Aceleradora

Eles respiram inovação

 

Carlos,João e Rafael(foto: Marília Lima/Esp. CB/D.A Press )
Carlos,João e Rafael (foto: Marília Lima/Esp. CB/D.A Press )
 

Conheça histórias de pessoas que apostaram numa ideia e abriram a própria startup

Doações sem custos

 

É difícil imaginar que é possível fazer uma doação para alguém sem gastar nada. Porém, isso é realidade na startup de impacto social Ribon. “Para doarem, as pessoas só precisam baixar o aplicativo gratuito e entregar as moedas virtuais que ganham”, explica o idealizador e cofundador Rafael Gonçalves Rodeiro, 23 anos. Ele, que estuda engenharia de produção na UnB, teve a ideia de criar um sistema em que as pessoas poderiam ser solidárias sem gastar em 2014. A partir daí, procurou sócios para ajudá-lo a colocar o projeto de pé. Foi assim que João Moraes, 23, que cursa design na UnB, e Carlos Menezes, 23, ex-aluno de ciência da computação da UnB, se juntaram à empresa. 

O aplicativo funciona da seguinte forma: o usuário recebe 100 ribons (moeda virtual) por dia que entra e escolhe a que causa doar (água potável, fortificação alimentar, medicamentos e saúde básica). O dinheiro que é cedido vem de notificações patrocinadas por empresas e é convertido em ribons. Entre 70% e 80% dos recursos arrecadados vão para causas sociais e o restante é reinvestido na empresa. “No Ribon, entendemos que é viável e possível que a extrema pobreza seja erradicada no mundo em 2030. E queremos ser peça-chave nesse momento, fazendo com que todas as pessoas ao nosso redor vivam isso no dia a dia delas”, afirma Rafael.

A empresa participou do programa de aceleração da Cotidiano, recebendo R$ 100 mil de investimento. “A aceleradora virou sócia minoritária da empresa e ficou com uma porcentagem de 5% a 10%”, afirma. De acordo com ele, a experiência foi muito boa por três motivos: mentoria, conexões com grandes empresas  e o investimento. Os sócios agora buscam mais investidores.”Não estamos procurando outro programa de aceleração, mas estamos abertos para receber outros fundos”, observa. Ele explica como capta investidores. “Eu procuro aqueles em que estou interessado, logo tento marcar reuniões para apresentar a empresa”, conta Rafael.
 
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Sustentabilidade em foco

 

Gabriel e Luiz Filipe: parceria para enfrentar dificuldades(foto: Marília Lima/Esp. CB/D.A Press )
Gabriel e Luiz Filipe: parceria para enfrentar dificuldades (foto: Marília Lima/Esp. CB/D.A Press )
  

O futuro é sustentável. Luiz Filipe Guerra, 26 anos, e Gabriel Castro, 23, estão convencidos disso. Os estudantes de engenharia elétrica da Universidade de Brasília (UnB) desenvolveram a startup Atmosphere pensando nisso. O objetivo da empresa é fazer com que as pessoas entendam o uso da energia de forma sustentável. O projeto Atmosphere é um mínimo produto viável (MVP) que faz a leitura de grandezas elétricas (tensão, corrente, potência ativa e reativa) de um quadro elétrico. Esses dados são lançados na nuvem e, a partir daí, o sistema repassa para o cliente informações sobre como economizar energia. “Essas referências podem contribuir para um melhor dimensionamento de um sistema fotovoltaico de energia solar, por exemplo”, explica Luiz. A empresa foi aberta no formato microempreendedor individual (MEI). A Atmosphere não passou por nenhuma aceleração ou incubação ainda porque os sócios avaliam que o momento é de estabilizar o projeto para, então, buscar investimento. “Estamos em um estágio de ir para o mercado”, explica. “Apesar de participarmos de alguns editais, precisamos que nossa empresa se mantenha sem investimento por enquanto, queremos que ele venha para acelerar o processo de amadurecimento”, explica.
 

Da demissão ao sucesso

 

Tatiana e Everton criaram uma plataforma de saúde mental
Tatiana e Everton criaram uma plataforma de saúde mental
 
Ao ser demitida pela segunda vez, em 2015, a engenheira civil Tatiana Pimenta, 37 anos, tirou um tempo para si e para a família e decidiu que deveria mudar de foco. A mudança repentina fez com que ela pensasse em um negócio. “Sempre tive vontade de empreender, mas não sabia em quê”, afirma. Ela também recebeu outra notícia impactante: o pai havia sido diagnosticado com câncer. “A partir daí, comecei a reparar mais ainda na falta de profissionais de saúde. O que me deixou em alerta”, explica. Por incrível que pareça, foi durante uma caminhada que Tatiana teve a ideia que mudou o rumo dela. “Veio de forma natural. Como eu estava bem preocupada com questões de saúde, achei que abrir algo na área era mais que necessário”, relembra. Foi aí que surgiu a Vittude, startup de saúde mental, que trabalha por meio de plataforma para atendimentos on-line. A idealização da empresa não foi só de Tatiana, ela contou com a ajuda do sócio e amigo Everton Höpner.

“Fui consultor de empresas por sete anos e isso me deu a oportunidade de passar por várias firmas. Assim, eu percebia vários erros e tinha vontade de arrumar, mas não podia. Então, tive o prazer de conhecer a Tatiana e começamos a desenvolver a ideia para resolver um problema”, conta o engenheiro de produção pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). A plataforma de atendimento é desenvolvida para uma interação entre os profissionais de saúde e os pacientes. “Os especialistas se filiam a nós e então fazemos uma agenda conjunta em que eles podem escolher os horários e formas de atendimento (on-line ou presencial)”, explica a empresária. As consultas custam entre R$ 30 e R$ 500 e mudam de acordo com a região em que o paciente está inserido. Para ela, a perda de emprego só agregou a quem ela queria ser com a Vittude. “Acredito que é importante ter um acompanhamento psicológico e, com a empresa, eu tenho a certeza de que estou ajudando outras pessoas”, acrescenta Tatiana.

“Espero que sejamos referência em saúde mental. Assim como as pessoas tem tanto cuidado com o corpo, quero que elas tenham com a mente”, complementa Everton. Atualmente a Vittude conta com mais de 4 mil pacientes, cerca de 1.600 psicólogos com atuação em mais de 200 cidades do país, sem contar o atendimento de brasileiros no exterior. A empresa foi acelerada pela Startup Farm e, este ano, foi selecionada para programas de aceleração do Facebook. A fundadora teve a oportunidade de vivenciar uma imersão no Vale do Silício para representar o empreendedorismo feminino, entre maio e junho deste ano. “A experiência foi incrível, ganhei um networking global. Além de ter contato com fundos de investimentos internacionais, o que mais agregou foi aprender a pensar macro e em uma dinâmica de apresentação pitch (apresentação de venda da ideia)”, conta Tatiana. Ela também participou do Global Entrepreneurship Summit (GES), em Hyderabad, na Índia, em 2017. O evento destaca o apoio às mulheres empreendedoras e o fomento ao crescimento econômico global.


Inovação desde cedo

 

A equipe da Task247: Henrique e Lucas (ao fundo) e Izabella, João Paulo e Hêber (à frente)
A equipe da Task247: Henrique e Lucas (ao fundo) e Izabella, João Paulo e Hêber (à frente)
 
A primeira startup dos jovens Henrique Monteiro, 18, Lucas Cefas, 19, Izabella Expedito, 18, João Paulo Alvarenga, 18, e Hêber Lacerda, 18, foi a Sensorial Stick, que desenvolveu uma bengala com sensor para que as pessoas com deficiência visual não precisassem esbarrar em objetos para saber que eles estavam lá. Porém, a ideia não evoluiu. “Os custos eram muito altos”, explica Henrique Monteiro. Essa equipe se uniu em 2017, em uma feira de robótica no Colégio Cotemig em Belo Horizonte (MG), onde fizeram ensino médio-técnico. Ao apresentarem o projeto do Stick na feira, eles foram selecionados para fazerem parte de um programa de aceleração da Q4 Angels. E ao ingressarem na aceleradora, decidiram mudar de projeto e focar na área de software, que tem mais a ver com a empresa.

“A nova ideia surgiu a partir de pesquisas e ao percebemos que os serviços de atendimento ao cliente têm muitas reclamações, daí pensamos em algo nesse sentido”, explica o técnico em informática Henrique. A Task247 foi a segunda ideia do grupo, tendo por objetivo medir o índice de satisfação dos clientes. Ao ligar para uma empresa que usa o software, a pessoa poderá, ao fim da ligação, dar uma nota para o atendente. Quanto mais pontos positivos o profissional de telemarketing ganha, mais remunerado será, pois atingirá metas. Além disso, o profissional poderá atuar de casa e como freelancer. “Com isso, esperamos uma melhoria no atendimento ao cliente, baseado no bem-estar de ambos. Buscando a satisfação e felicidade dos interessados em resolver algo”, explica Henrique.

No DF
Confira chances de aporte financeiro exclusivamente brasilienses

Incubadoras
» Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (CDT/UnB): cdt.unb.br.
» Iesb Lab: www.iesb.br/IESBLab
» Casulo do Centro Universitário de 
Brasília (UniCeub): www.uniceub.br
» Universidade Católica de Brasília (UCB): www.ucb.br/itec

Aceleradoras
» Aceleradora de Startups e Inovação (ACE): acestartups.com.br
» Cotidiano: cotidiano.com.br
» Acceleratus: www.acceleratus.com.br

Investidores / editais
» Polaris Investimentos: 
» Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP/DF): 
www.fap.df.gov.br 
Saiba mais: ribon.io 
Radiografia 
 
 

 

6 passos para se lançar no mercado

Max Oliveira, CEO e cofundador da MaxMilhas, engenheiro de produção pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica as etapas iniciais para startups que estão começando


1) Entenda que você não está abrindo um site, mas um negócio: quando você está começando, muitas vezes, pensa que está abrindo apenas um site. Mas esta é apenas uma das variáveis do negócio e, no nosso caso, uma das interfaces de se chegar ao cliente. Existem dezenas de outras coisas mais complexas: seus clientes, aos quais será um desafio enorme atender com excelência; os fornecedores, alguns cruciais para apoiar os seus negócios e outros que vão te dar o cano; os colaboradores, que são o mais importante para o sucesso do negócio; entre outros. Ter consciência disso logo no início é importante para se tomar as decisões certas.

2) Escolha o momento certo para sair do trabalho: existe a hora adequada de largar tudo para se dedicar apenas à sua startup. Com uma equipe boa e persistente, é possível mudar de negócio até chegar a um produto com aderência ao mercado. Só que é preciso ter outra fonte de renda até que a empresa comece a gerar dinheiro. Não se iluda: no começo, você pode até pensar que dinheiro não é problema, mas é, sim. Assim, uma saída precipitada do trabalho (fonte atual de renda) pode ser o motivo que fará sua empresa dar errado.

3) Tenha cuidado para não escalar o negócio antes da hora: primeiro, não se consegue escalar facilmente um mínimo produto viável (MVP), que é o produto com os mínimos requisitos suficientes para interagir com os clientes. Transformar isso em algo sólido (plataforma on-line escalável), com equipe sem experiência suficiente e com o negócio rodando, é superdifícil. Se você escala rápido demais, problemas podem sair de seu controle. A dica é não se precipitar em investir toda a verba em marketing e gerar volume exagerado de acessos sem estar pronto para isso. Tenha em mente que você precisa desse dinheiro para estruturar o seu time e superar obstáculos. Para essa etapa da jornada, é muito importante o apoio de aceleradoras, mentores e pessoas mais experientes.

4) Lembre-se que uma ideia não vale nada: quando se tem a ideia, você tenta escondê-la como um tesouro. Assim, não tem feedback das pessoas e não modela a proposta, que acaba não virando nada. Quando se empreende, não adianta fingir que você acredita que a ideia não vale nada, pois, no fundo, a gente sempre acha que nossa ideia vale milhões. Mas tenha maturidade para entender que a execução dela é o que tem valor. Por que você tem medo de um concorrente? A resposta é: porque você ainda não está seguro da capacidade superior de sua equipe. Quando você entende que o concorrente faz parte do jogo, e o desafio não é tentar esconder o negócio, mas, sim, operar melhor que qualquer outro, você começa a encarar o jogo do jeito certo.

5) Dê importância ao RH: poucas empresas têm alguém focado em gestão de pessoas e desenvolvimento organizacional desde o começo. Isso é coisa de empresa grande e também é crucial. A firma é feita de pessoas. Não é questão de delegar totalmente a contratação, pois é importante que o fundador participe ativamente desse processo. Mas é importante ter alguém dedicado a recrutamento e seleção, além das questões comportamentais e organizacionais das pessoas da startup. Isso pode ajudar bastante no momento de escalar seu negócio. Você terá de entrevistar todas as primeiras pessoas contratadas e a decisão final de contratação deve ser sua. Porém, o apoio de um especialista nessa área é supervalioso e investir nesse setor trará os profissionais mais capacitados para seu time.

6) Tenha um propósito ou não tenha nada: antes de começar a empreender, é preciso ter um propósito que guie nossas ações e decisões. A trajetória do empreendedor é bem mais difícil do que geralmente imaginamos no início do projeto. E, para superar os desafios, você deve saber muito bem o que te incentiva. O propósito tem que ser forte para que você consiga se manter em pé nas inúmeras vezes em que se deparará com problemas tão grandes que te implorarão para desistir. Já adianto que, se seu incentivo é apenas ficar rico, talvez isso não seja suficiente para você aguentar toda a jornada. 
 

Radiografia do setor

Confira dados da ABStartups e da StartupBase sobre as empresas do tipo no país

 

 

Por unidade da Federação
 
São Paulo 2118
Minas Gerais 616
Rio de Janeiro 492
Paraná 345
Santa Catarina 303
Rio Grande do Sul 298
Ceará 131
Pernambuco 128
Distrito Federal 124
Bahia 110
Goiás 109
Mato Grosso 77
Mato Grosso do Sul 66
Espírito Santo 48
Amazonas 46
Paraíba 44
Piauí 44
Rio Grande do Norte 40
Alagoas 34
Pará 29
Maranhão 23
Tocantins 22
Rondônia 14
Acre 13
Sergipe 12
Amapá 9
Roraima 4

 

 

 

Antiguidade

Anos Quantidade de startups

 

0 231

1 467

2 397

3 665

4 334

5 183

6 ou mais 407

 

 

Formalização

 

Formalizadas 69,72%

Não formalizadas 16,13%

Em processo de formalização 14,15%

 

 

Diversidade da equipe

 

Somente homens 37,47%

Maioria homens 36,66%

Igualdade de gênero 15,66%

Maioria mulheres 7,19%

Somente mulheres 3,02%

 


Segmento

 

Serviços profissionais 16,24%

TI e telecomunicação 11,02%

Serviços financeiros 8,82%

Saúde 8,24%

Varejo / atacado 7,54%

Educação 7,08%

Mobilidade 5,68%

Entretenimento 4,41%

Agronegócios 3,94%

Imobiliário 3,71%

Produtos de consumo 3,36%

Meio ambiente 2,78%

Turismo 2,55%

Biotecnologia 1,97%

HR Tech 1,74%

Lawtec 1,62%

Outros 9,28%

 

 

Principal perfil de cliente

 

Empresas (B2B) 41,53%

Empresas e consumidor (B2B2C) 34,11%

Consumidor final (B2C) 18,33%

Consumidor final (P2P) 2,67%

Governador (B2G) 2,09%

Startups (B2S) 1,28%

 

 

Fonte inicial de investimento

 

Reservas pessoais dos sócios 76,22%

Investimento anjo 9,28%

Subvenção econômica 4,52%

Aceleradoras 4,29%

Venture Capital 1,39%

Financiamento bancário 1,04%

Investimento interno 0,93%

Sem investimento 0,81%

Angariamento individual 0,81%

Financiamento coletivo 0,35%

Outros 0,35%

 

Faturamento anual

Sem faturamento 38,63%
Menos de R$ 50 mil 29,70%
De R$ 50 mil a R$ 250 mil 15,20%
De R$ 500 mil a R$ 1 milhão 6,26%
De R$ 250 mil a R$ 500 mil 4,52%
De R$ 1 a R$ 2,5 milhões 2,32%
Acima de R$ 2,5 milhões 3,36% 
 
Glossário
Tipos de aporte financeiro
Aceleradoras
Ajudam empresas com potencial de crescimento a avançarem de maneira mais rápida, para que elas consigam pagar as próprias contas no menor tempo possível. A contrapartida é a participação nos lucros.

Incubadoras
Não oferecem aporte financeiro. É indicado para quem busca ajuda para planejamento e infraestrutura.

Investidores-anjo
Aplicam recursos financeiros em negócios com alto potencial de retorno, que, consequentemente, terão um grande impacto positivo para a sociedade. Normalmente, os investidores têm participação nos lucros ou viram sócios da empresa.

Investidores-seed ou semente
Seria o primeiro investimento após o investimento-anjo, em geral de valor maior e para empresas consolidadas.

Venture capital
São fundos que investem em empresas que já faturam alguns milhões de reais. O objetivo é ajudar a companhia a crescer para fazer uma venda, fusão ou abertura de capital mais
para a frente.

Aplicações do governo e entidades
Editais são lançados com benefícios e propostas para startups. Nos casos de programas do governo, em geral, não há contrapartida, mas a empresa precisa justificar e comprovar o que fará com os fundos. 
 
OPORTUNIDADES  
 

Confira chances de investimento com inscrições abertas


Programas de aceleração

WOW e Lojas Renner
Tem inscrições abertas até sábado (13) no site www.wow.ac/renner. É voltado a startups em estágio operacional, com faturamento e pelo menos um cliente ativo, nas áreas de sustentabilidade, indústria 4.0, energia, economia circular, construção, logística, varejo, IOT, blockchain & rastreabilidade, big data, wearables, novos tecidos e materiais, gestão de resíduos, eficiência de processos

Oxigênio Ignição
O programa da Oxigênio Aceleradora tem inscrições abertas até 21 de outubro pelo site oxigenioaceleradora.com.br. Podem participar startups com produto desenvolvido

Ahead 10
Promovida pela Startup Farm, a iniciativa tem prazo de registro até 4 de novembro pelo site startup.farm/aceleracao. Podem participar empresas de qualquer segmento.

Health Angels
Essa aceleração é voltada para empresas atuantes no setor de saúde. As inscrições são contínuas pelo site www.healthangels.com.br.

Bossa Nova Investimentos (BNI)
O programa é para donos de startups que estejam operando e faturando há pelo menos seis meses nos segmentos de educação, saúde, fintech, lawtech, soluções para PME e softwares para varejo. Bastar enviar a proposta para avaliação no site www.bossainvest.com/analise.

Campus Party Brasil
As inscrições para a 6ª edição do programa Startup & Makers, da Campus Party Brasil, estão abertas até 14 de dezembro. A iniciativa é destinada a projetos inovadores de empresas em estágio inicial ou avançado. Nesta edição, as empresas contarão com mentoria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). O programa selecionará 70 startups em estágio inicial (early stage), 70 em estágio avançado (growth stage) e um grupo de makers - entusiastas e hobbyistas que são capazes de criar, construir, modificar ou fabricar objetos e/ou projetos, com ou sem o uso de tecnologia. Todas as empresas ficarão na área Open Campus, que é gratuita e aberta ao público. As inscrições podem ser feitas pelo formulário bit.ly/inscricaostartups2019. Confira o edital em bit.ly/editalcampus.

Oscar da startups
A Associação Brasileira de Startups (ABStartups) está com inscrições abertas para a 5ª edição do Startup Awards, o Oscar das startups brasileiras. As indicações podem ser feitas até sexta-feira (12). Os interessados podem sugerir os nomes dos candidatos para competir nas seguintes categorias: investidor anjo, profissional de imprensa, universidade, coworking, aceleradora, impacto, mentor, corporate, herói/heroína do ano, startup do ano e comunidade. Os três nomes mais votados em cada área irão para júri. O resultado será divulgado em 30 de novembro. Informações e indicações: startupawards.com.br.

PARA FICAR DE OLHO
Acompanhe oportunidades que não estão com oportunidades abertas no momento, mas são promissoras

Finep Startp
Programa de investimento vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). O objetivo é apoiar a inovação em empresas nascentes que precisam de investimentos para o crescimento. O processo seletivo inclui avaliação de plano de negócios, banca avaliadora presencial, visita técnica e avaliação de documentação jurídica. São convocadas as 75 empresas mais bem posicionadas. Essas fazem uma apresentação para uma banca de seleção presencial, sendo então definidas as 25 empresas finalistas. As selecionadas recebem o apoio financeiro de até R$ 1 milhão, determinado de acordo com a necessidade de capital de cada uma. A abertura da próxima rodada do Finep Startup está prevista para 7 de janeiro de 2019 pelo site www.finep.gov.br.

InovAtiva Brasil
Programa gratuito de aceleração para negócios inovadores de qualquer setor e região do Brasil, organizado pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). As inscrições para a próxima edição do InovAtiva Brasil estão previstas para serem abertas em fevereiro de 2019 pelo site www.inovativabrasil.com.br.

Startup Brasil
Uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), com gestão da Softex e em parceria com aceleradoras oferece aceleração, bolsas e outros benefícios. Até o momento, em cinco turmas, o programa beneficiou 229 startups. Informações: startupbrasil.org.br.

Núcleo de desenvolvimento
A Fundação Getulio Vargas (FGV) inaugurou em agosto o Núcleo de Estudos em Startups, Inovação, Venture Capital e Private Equity (FGVnest). O objetivo da organização é contribuir para o ecossistema empreendedor de alto impacto do país. Gerando e disseminando conhecimentos para empresas, startups, investidores e público em geral. "A ideia é que sejamos um ponto de referência para essas instituições. Por meio de um ambiente de trocas, estudos técnicos, pesquisas acadêmicas e aplicadas, ao promover diversas iniciativas (startup club, desafio, clínica de mentoria, radar de investimento, workshops, entre outros)", explica o fundador e coordenador do FGVnest, Caio Ramalho.  Saiba mais: portal.fgv.br. 
 
Evento para startups de educação em Brasília
O  4º Edtech Meetup Brasília, evento que reúne as startups de educação para debates sobre o tema, será em Brasília, em 16 de outubro. São oferecidas 300 vagas para edtechs, acrônimo para education+technology, educadores e diretores de instituições de ensino, membros do governo e entusiastas do futuro da educação. O evento será no auditório da Casa Thomas Jefferson, no Setor de Grande Áreas Norte (SGAN) 606. As inscrições para o 4º Edtech Meetup são gratuitas e são feitas no site.

Investimentos
A Safira Energia, empresa do setor energético, lança nesta segunda-feira (8) o programa Safira Labs, um espaço de incubação e aceleração de startups. Podem participar do programa empresas de diversos setores. A Safira oferecerá workshops com conteúdo de liderança, pitching day, comunicação, treinamento comercial e mentorias. A melhor startup ganhará uma viagem ao Vale do Silício. Os interessados em participar têm até 1° de dezembro para se inscreverem no site.   

Aceleradoras
Building Blocks da Saint Gobain: buildingblocks.liga.ventures
Startup Farm: startup.farm
Programa Natura Startups: www.natura.com.br/startups
Programa de Open Innovation da TIM: www.tim.com.br
EDP Starter Brasil: www.edpstarter.com/brasil
Microcamp Startups: promocao.microcamp.com.br/start
Programa de Aceleração da Visa: www.visa.com.br
StartMeUp, plataforma   de   investimento   colaborativo: www.startmeup.com.br
Vetor AG: vetorag.com.br
Anjos do Brasil, investidora anjo:www.anjosdobrasil.net
 

 
 
*Estagiária sob a supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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