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Correio Braziliense RENDIMENTO »

Especialistas ensinam como aumentar a produtividade no trabalho

Confira dicas que podem ajudá-lo a melhorar seu desempenho. E, se você é chefe, veja orientações para alavancar a produtividade dos seus funcionários


postado em 05/02/2019 14:00 / atualizado em 05/02/2019 20:45

Segundo especialistas, fazer o que gosta, motivação e planejamento são essenciais para conseguir bons resultados. No entanto, a eficiência não depende só do empregado: o chefe tem papel fundamental para colocar as pessoas certas nas funções certas e entender como ajudar a equipe a render mais
 
 
"Geralmente a pessoa perde o foco por simplesmente não gostar do que faz. Ela tem de olhar para dentro de si e identificar o que incomoda" Wilma Dal Col, diretora de gestão de talentos (foto: Arquivo Pessoal)
 
Em uma escala de 0 a 10, como você avaliaria sua produtividade no trabalho? Responder a isso sozinho é, por vezes, complicado, pois a pessoa pode não ter real noção de quanto deveria render. Então, tão importante quanto a primeira pergunta é saber qual nota seu superior e seus colegas dão para seu nível de eficiência. Se a pontuação for baixa, é preciso reagir. Fazer uma tarefa de cada vez — no lugar de “multitarefar” —, fugir das distrações, ser organizado e se programar bem antes do prazo final de tarefas podem ser boas opções para quem busca ter mais rendimento e sucesso profissional. Diretor da unidade da Federação Brasileira de Coaching Integral Sistêmico (Febracis) em Goiás, Gustavo Sampaio observa que o autoconhecimento, sabendo reconhecer talentos e dificuldades, é imprescindível para aumentar os resultados.

A partir disso, é preciso definir a melhor forma de exercer as atividades, tendo noção de quais você executa melhor. “Mire objetivos que vão gerar resultados positivos para a empresa. Para isso, pesquise e veja a missão e o valor que a organização prega e se adapte a eles”, explica. Apesar de a produtividade no ambiente de trabalho exigir competências técnicas, os funcionários não devem se limitar apenas a isso. Para obter bons resultados, a mudança deve começar pela própria pessoa. “Seja grato pelo trabalho, pelas pessoas que convivem com você, pelo salário e por tudo que a empresa proporciona, pois isso influencia diretamente na produtividade”, orienta ele, que é coach financeiro, empresarial e de carreira.
 
 
"Seja grato pelo trabalho, pelas pessoas que convivem com você, pois isso influencia diretamente a sua produtividade" Gustavo Sampaio, coach de carreira (foto: Arquivo Pessoal)
 
Saber identificar o que gera distração também é importante, segundo Wilma Dal Col, diretora de Gestão de Talentos do ManpowerGroup. “Existem pessoas que perdem o foco facilmente, principalmente quando enfrentam algum desafio ou obstáculo. Mas é importante ter o controle da situação e não mergulhar na urgência e priorizar as coisas que precisa fazer”, observa. Wilma Dal Col defende que, em geral, a falta de produtividade está ligada ao desinteresse e à ausência de propósito do funcionário. “Geralmente a pessoa perde o foco por simplesmente não gostar do que faz. Nesse caso, ela tem de olhar para dentro de si e identificar o que a incomoda. Isso serve para até mesmo se conhecer melhor.” Outras questões envolvidas são de personalidade, como uma natureza desorganizada e indisciplinada, o que também pode ser empecilho para o alto rendimento no trabalho.
 

Distrações

 

Alguns dos fatores que podem gerar perda de foco e resultados pífios são: conversas por mensagens de celular, navegar na internet, fofocas, conflito entre pessoas da organização, insatisfação e falta de treinamento e capacitação. “É fundamental que os líderes tenham inteligência emocional suficiente para se comunicar com a equipe e entender quais são os impedimentos para o pessoal gerar resultados,” salienta o coach Gustavo Sampaio. Para além das distrações, há fatores que as companhias podem oferecer, a fim de estimular a produtividade: como disponibilizar um ambiente confortável, bem equipado, com iluminação, ventilação e tecnologias necessárias à execução das atividades, pois isso traz fluidez e otimização dos trabalhos.


O papel do gestor

 

Andréa Andres e o funcionário Yago Lombardi: a chefe usa várias estratégias para motivar a equipe(foto: Aline Rocha/Esp.CB/D.A Press )
Andréa Andres e o funcionário Yago Lombardi: a chefe usa várias estratégias para motivar a equipe (foto: Aline Rocha/Esp.CB/D.A Press )
 

A tarefa de reconhecer as habilidades de um trabalhador não é só do empregado, mas também do empregador, pois, de acordo com Gustavo Sampaio, o funcionário só tem resultado em determinada tarefa, se estiver motivado e na função certa. “O gestor deve fazer um processo seletivo rigoroso para conseguir colocar a pessoa adequada no cargo.” Para ele, um dos motivos que mais atrapalham a produtividade de um colaborador é a falta de capacidade do gestor de mapear o perfil comportamental do time. Wilma Dal Col observa que a produtividade, tanto individual quanto do time, também é responsabilidade do chefe. Segundo ela, o líder deve perceber a improdutividade do funcionário para tomar as devidas providências. “Em geral, para sanar esse problema, o empregador pode conversar com os subordinados sobre carreira e propósito. É preciso que a empresa dê essa abertura à pessoa”, orienta.

Para investir no desempenho dos colaboradores, Andréa Andres, 43 anos, não mede esforços. A proprietária da agência Conectando Pessoas elenca algumas atitudes para manter os funcionários em alto nível de produção. “Aqui, temos algumas regras que ajudam bastante para obtermos uma meta bacana, que são: simplificar, comunicar, compartilhar, ensinar e alcançar. Quando o colaborador chega aqui, ele sabe com clareza o que tem e precisa fazer”, conta. A empresa surgiu em 2007 e conta com 12 funcionários. Outro passo essencial para alcançar produtividade é contratar as pessoas certas.
 
 
(foto: Aline Rocha/Esp.CB/D.A Press )
(foto: Aline Rocha/Esp.CB/D.A Press )
 

A alimentação é outra artimanha da gestora, especialista em marketing digital, para impulsionar a produtividade. “Toda sexta-feira paramos de trabalhar às 17h para fazer um lanche, seja uma pizza, uma cerveja, sejam biscoitos. Acredito que a pessoa que trabalha com vontade de comer alguma coisa não rende muito”, esclarece. “Também não deixo os empregados fazerem hora extra, mas, no tempo em que estamos lá, vamos dar o nosso melhor”, diz. Yago Lombardi, 25, é um dos funcionários de Andréa. O tecnólogo em marketing atua no cargo de atendente e tem o papel de orientar a equipe e participar ativamente do gerenciamento de clientes. “Eu me considero realizador, pois gosto de ver as coisas finalizadas. Sou um excelente executor e aprendo diariamente a buscar a excelência em tudo que faço, tanto na agência quanto na vida pessoal”, explica. Yago começou na agência como assistente de atendimento. Em menos de um ano, recebeu a proposta para ser coordenador da equipe. “Além das promoções, temos bonificação trimestral e bolsa para cursos, o que me motiva mais ainda.”

Marca registrada: alto rendimento

 

Leonardo (à esquerda) com clientes de sua consultoria de segurança (foto: Aline Rocha/Esp.CB/D.A Press )
Leonardo (à esquerda) com clientes de sua consultoria de segurança (foto: Aline Rocha/Esp.CB/D.A Press )
 

A produtividade sempre fez parte da carreira de Leonardo Sant’Anna, 48, formado em ciências policiais pela Academia de Polícia Militar de Brasília. Ele entrou para a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) em 1989 e chegou a uma das patentes mais altas dentro da carreira: coronel. No total, foram mais de 20 anos dentro da corporação. Leonardo começou como cadete, mas não se conformou e logo foi em busca de meios para conseguir promoções. “Eu me formei em administração. Fui fazendo especializações e subindo.”

Para o administrador, um dos diferenciais que o possibilitou chegar à patente de coronel foi o conhecimento de outros idiomas. Leonardo fala inglês, espanhol e italiano. “Uma das coisas que eu sempre prezei muito foi não me limitar às funções que eu exercia. Então, eu sempre me interessei em me especializar”, diz. Ele tinha visão empreendedora, mas isso era visto como algo “estranho” por chefes e colegas. “Eu buscava inovar. Alguns gestores incentivavam esse meu estilo e permitiam que eu trouxesse ideias. Mas, na maioria dos casos, eu era ‘freado’, porque alguns viam meus pensamentos como avançados demais para a instituição”, explica. Em 2005, Leonardo passou numa seleção para ser consultor sênior da Organização das Nações Unidas (ONU) e foi trabalhar na Ásia. Em março deste ano, ele se aposentou da carreira na PMDF. Ele abriu uma empresa de consultoria internacional em segurança, onde aplica os critérios de produtividade que aprendeu ao longo da carreira. O ex-coronal agora mora na Flórida, nos Estados Unidos, mas vem ao Brasil frequentemente para prestar o atendimento. 


Uma luz no fim do túnel

 

(foto: Aline Rocha/Esp.CB/D.A Press )
(foto: Aline Rocha/Esp.CB/D.A Press )
 

 

Vanessa Araújo (foto), 33, atribui o alto nível de produtividade a sentir prazer nas atividades que desempenha como dona da empresa Dando asas à imaginação, especializada em personalização de etiquetas, cadernos e outros produtos. “Sou suspeita para falar, pois gosto do que faço. Amo muito meu trabalho e tenho certeza de que fiz a melhor escolha. Nunca estou cansada para trabalhar”, diz. Pensar, organizar e planejar são algumas das estratégias que a empresária usa para alavancar o negócio. O que se torna ainda mais importante trabalhando em home office e por conta própria. “Aqui eu tenho que me dividir, pois tem o meu esposo, minhas duas filhas e a casa para cuidar. Mas consigo organizar o meu negócio e sobra até tempo para viajar. Apesar de eu ter uma jornada de trabalho muito intensa, aos poucos, vou ajustando o que é prioridade.”
 
Graduada em administração, Vanessa abriu a empresa para driblar o desemprego. “Em janeiro de 2015, eu vi uma postagem de uma pessoa em um grupo do Facebook procurando etiquetas escolares personalizadas. Veio-me à cabeça a possibilidade de trabalhar no ramo e fui pesquisar sobre o assunto”, explica. Foi, então, que passou a produzir, convites, lembranças de mesa, agendas, dentre outros itens. “Hoje, somos microempreendedores. Temos um escritório na minha casa onde são feitas todas as produções”, explica. Os produtos custam entre R$ 0,25 e R$ 100, e as encomendas são feitas por meio do Instagram, do Facebook ou do WhatsApp. O sucesso nas vendas não veio fácil, mas hoje ela comemora os frutos do empenho. “Às vezes, não consigo atender todas as pessoas de tanta demanda”, comenta.

Lições de uma CEO

 

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
 

 

O planejamento antecipado deve ser o primeiro passo para aumentar a produtividade. É o que afirma Luzia Costa (foto), CEO do Grupo Cetro, que atua no ramo de beleza e estética. “Tenha o hábito de marcar suas tarefas com antecedência e saiba os horários e a duração que serão demandados”, recomenda. Essas lições foram aprendidas na prática, administrando duas redes de franquias: Sóbrancelhas e Beryllos. Segundo ela, esse é um processo que pode ser feito até mesmo cinco minutos antes de dormir. Junto a isso, delegar tarefas é primordial, por isso, não queira “fazer tudo”. Para quem administra uma equipe, o conselho é verificar as pessoas capacitadas para as atividades.

“Distribua as demandas entre os colaboradores porque ninguém é bom em tudo”, ressalta. Por último, a esteticista destaca a organização como ponto primordial. “Quando o trabalhador não se organiza, apenas enxerga a grande demanda de tarefas, mas não consegue defini-las e fazê-las com tanto rendimento”, destaca. Quem acha que ter um dia de trabalho cheio é sinônimo de produtividade está muito enganado. Uma das maneiras para identificar se seu dia foi realmente produtivo é ver se o serviço está rendendo. “Se, no fim do expediente, você conseguiu efetuar todas as tarefas, você fez bem-feito”, conta Luzia.

Palavra de especialista

 

(foto: Catho/Divulgação)
(foto: Catho/Divulgação)
 

 

Diferencial no mercado
Equilibrar os pratos da qualidade e da quantidade é tarefa difícil, porém não impossível. O desafio é, justamente, sondar os primeiros sinais de descontentamento e conseguir se manter motivado a realizar essas entregas de modo satisfatório, possibilitando a aspiração de desenvolvimento ou até mesmo a prevenção de um desligamento. Por um lado, a automotivação é um dos caminhos para que o funcionário se manter engajado. Por outro lado, a empresa também tem responsabilidades e pode cooperar para que essa trajetória seja mais favorável. Investir em treinamentos, desenvolver um plano de desenvolvimento, reconhecimento e incentivo, escolher líderes corretamente e aplicar ações para melhoria do clima organizacional são alguns exemplos.
 
Carla Carvalho, assessora de carreira da agência de empregos Catho, especialista em administração 
 
 

*Estagiária sob a supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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