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Saiba o valor da pausa para o café na repartição

Carioca, pingado, americano, expresso, coado ou o da garrafa da repartição... Não importa o tipo, o importante é o efeito da cafeína e da socialização


postado em 11/04/2019 14:00 / atualizado em 11/04/2019 18:40

Você sabia que a tradicional pausa para tomar um cafezinho no ambiente de trabalho pode aumentar a produtividade e ajudar você a se relacionar melhor com os colegas? Esse intervalo pode acalmar os ânimos depois de um momento de estresse ou de horas de trabalho, além de promover a possibilidade de enriquecer a rede de contatos. O gás na produção também vem da cafeína, que é estimulante. Uma pesquisa do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) mostra que o coffee break aumenta em 8% o rendimento de uma empresa. Gustavo Carvalho, 25 anos, analista de controladoria da agência BB Turismo, ingere café muitas vezes ao dia, tendo em mente aumentar a produtividade no serviço. “Normalmente, eu tomo sete copos de 100ml, somando dá 700ml por dia”, conta. Ele observa os efeitos da bebida e da pausa no ambiente de trabalho.
 
 
Gustavo: várias xícaras de café e conversas com colegas ao longo do dia(foto: Aline Rocha/Esp.CB/D.A Press )
Gustavo: várias xícaras de café e conversas com colegas ao longo do dia (foto: Aline Rocha/Esp.CB/D.A Press )
 
“O café me ajuda a me concentrar e alivia o meu estresse. Essa pausa é importante porque, se não, o trabalho seria muito monótono e cansativo. Além disso, ajuda a estimular o pensamento!”, relata o estudante do 9º semestre de engenharia de produção da Universidade Estácio de Sá. Morador de Taguatinga, Gustavo conta que os funcionários da agência não fazem confraternizações frequentemente. Então, a pausa para o café é uma oportunidade de demonstrar gentileza e solidariedade em meio ao grupo. “A ideia é compartilhar o conhecimento. As piadas e conversas não atrapalham o trabalho. Além disso, o primeiro que vai à copa traz café ou água para os demais”, relata Gustavo. “Hoje, há uma grande mudança no processo de trabalhar. É necessário parar, observar e pensar no que se está fazendo! Conversar e interagir com o outro é útil para inovar nas soluções de problemas”, afirma Susanne Anjos Andrade, sócia-diretora da A&B Consultoria e Desenvolvimento Humano.

Segundo ela, que é coach, as pessoas estão acostumadas a olhar para o outro por meio do crachá. “Mas é necessário ver o colega como um ser humano, que tem questões fora do trabalho e com quem se pode compartilhar experiências. Você deve refletir desta maneira: quem é aquele ser humano e o que ele tem a me contar?”, recomenda. A professora de cursos de MBA da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap) observa que, ao se relacionar com os outros, a pessoa pode aumentar o ânimo para o trabalho. “Ao tirar um tempo para conversar com os companheiros de empresa, você irá ouvi-los e exercitar a empatia, ou seja, conhecê-los. Quando existe essa interação, a produtividade vem naturalmente, melhora o trabalho em equipe e a saúde mental”, analisa a graduada em serviço social pela Universidade Católica do Salvador (UCSal).

Além disso, de acordo com Susanne, se continuar trabalhando sem parar, vai chegar a um ponto em que sua mente estará tão cansada que não conseguirá mais inovar. “Dar essa pausa ajuda a respirar e também a interagir com as pessoas. É a Técnica Pomodoro de produtividade”, afirma. A pós-graduada em recursos humanos pela Fundação Getulio Vargas (FGV) explica que essa técnica consiste em dar um pequeno intervalo a cada 25 minutos. A ideia é que esse momento aumente a agilidade do pensamento. “Por exemplo, um jornalista está produzindo uma matéria, mas o profissional empacou nessa produção. Quando parar de trabalhar e começar a refletir, passará pelo corredor e conversará com alguém. No diálogo, pode surgir um novo ponto de vista, dá para receber sugestões que não envolvem o trabalho”, diz Susane, mestra em saúde coletiva pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).


Relacionamentos

O psicólogo Fauzi Nelson Mansur, formado pela Universidade Santa Úrsula (USU), analisa que, quando está trabalhando sem parar, o profissional funciona de maneira mecânica e perde a espontaneidade. “Esses intervalos no emprego são muito importantes. É claro que não podem ser longos porque, se não, vão tirar você da construção mental da tarefa”, observa. A pausa para o café não envolve apenas a ingestão do líquido em si, mas é um momento de se reunir e confraternizar com os colegas. Porém essa ideia de união entre funcionários pode não ser tão vantajosa, dependendo da empresa. “Não devemos achar que uma proposta bem-sucedida em um lugar dará certo em outro porque uma equipe é diferente da outra. As pessoas não são as mesmas e se relacionam de maneiras diversas. Essa ideia não é uma fórmula que sempre terá o mesmo resultado.” De acordo com ele, essas pausas podem ser boas ou ruins porque os funcionários, ao se relacionarem de uma forma pessoal, podem ter desavenças. A orientação é manter certo distanciamento nesses momentos: você não precisa virar amigo de ninguém, mas também não deve ser inimigo de qualquer colega. “O importante é entender que a união e o engajamento de um grupo não vêm das confraternizações, mas, sim, da relação que as pessoas têm entre si”, explica o professor do Instituto Federal de Brasília (IFB).

Biologia

 

No ano passado, um estudo da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, comprovou que os funcionários que tomam uma xícara de café antes de se envolverem em uma tarefa em equipe têm o trabalho mais construtivo. Os membros que ingeriram cafeína tinham mais concentração e pensamentos positivos sobre eles mesmos. De acordo com Antonello Monardo, barista pela Academia Italiana Maestri del Caffé há 18 anos, a qualidade da bebida pode estar associada ao aumento da produtividade e da inovação. “Isso depende do café que você ingere. Se ele for ruim, o sabor e o aroma o deixarão nervoso porque será um desprazer tomá-lo. Um bom satisfaz, nos deixa mais felizes e criativos.”
 
Segundo ele, é importante saber que a melhora da concentração é resultado do tipo da bebida que se toma. “A maioria dos cafés de repartição, além de baixa qualidade é da espécie robusta (Coffea canephora — que não precisa de tanto cuidado na lavoura e no preparo)”, diz. Com esse tipo, o efeito energético é mais rápido porque ele é geneticamente mais forte e tem três vezes mais cafeína que a espécie arábica (Coffea arabica — superior à outra e pede uma atenção maior durante o cultivo, pois a estrutura vegetal é mais fina, tem diversos sabores e aromas intensos). “Essa última espécie, porém, é mais sudável. No entanto, para atingir o propósito de ficar alerta, é preciso consumir mais xícaras da bebida”, explica.
 
 
Três perguntas para / André Heibel é formado em nutrição pela Universidade de Brasília (UnB), com graduação sanduíche pela Universidade do Estado de Nova Jérsey (Rutgers), nos EUA; e mestre em nutrição humana pela UnB.
 
 
(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
  


Para as pessoas que não tomam café existe outro alimento que pode substituí-lo?
Chás derivados da planta Camellia sinensis, como os chás verde, branco e preto, são boas opções. As bebidas energéticas têm grandes quantidades de açúcar e corantes, então não devem ser utilizadas no lugar do café. E o ideal é bebê-lo sem adição de açúcar e/ou adoçante. Os malefícios de adoçar a bebida suprimem os benefícios. Precisamos aprender a respeitar o sabor dos alimentos. Existe, ainda, a possibilidade de suplementação de cafeína, mas é necessário consultar um profissional da área para evitar superdosagem e efeitos colaterais.

Quais são os principais efeitos da bebida?
Em pessoas que estão em estado de estresse e privação do sono, haverá a liberação de cortisol (hormônio do estresse). Em pessoas saudáveis, não provocaria isso. As consequências seriam melhora da memória, da concentração, do ânimo.

O aumento da produtividade tem a ver com a composição do produto?
Sim. Vários estudos demonstram que o uso da bebida, principalmente, pela cafeína, pode aumentar a atenção e os parâmetros cognitivos. Isso ocorre porque esse composto age nos receptores que estimulam cansaço e fadiga no sistema nervoso central.

Quais são as vantagens e as desvantagens da bebida?

Benefícios


* O café tem compostos como o ácido caféico e o ácido clorogênico, que agem na proteção celular, na diminuição do estresse oxidativo e na inflamação;

* No exercício, o alimento consegue promover melhora no desempenho esportivo por meio do aumento de força, velocidade de resposta e diminuição da fadiga;

* Pacientes com pré-diabetes que consumam regularmente o café têm como resultados a diminuição da glicemia e a melhora da resistência à insulina;

* Reduz a hipertensão arterial sistêmica, o colesterol e a gordura abdominal;

* Combate a depressão e deixa as pessoas mais felizes;

* Diminui o risco de vários tipos de câncer.

Malefícios


* Existem metabolismos rápidos e lentos; dependendo da genética do indivíduo, o acúmulo de cafeína pode gerar efeitos colaterais como tremedeira, diurese aumentada, ansiedade e taquicardia;

* Pessoas com problemas no estômago (como gastrite e úlcera) podem sofrer de irritação na mucosa do órgão, que causa dor e queimação;

* A cafeína em excesso pode provocar toxicidade, aumentando as chances de taquicardia e, consequentemente, arritmia e crises convulsivas. Os principais sintomas de que estamos exagerando são: agitação, aumento da temperatura corporal, aceleração do ritmo cardíaco, insônia, irritabilidade e ansiedade;

* Em uma crise de abstinência, dores de cabeça, irritabilidade, fadiga aumentada, dificuldade de concentração e tremores são observados nas primeiras 24 horas.

Fonte: os nutricionistas André Heibel e Lanuzza Meireles Monte e o barista Antonello Monardo 

Saiba mais sobre a quantidade 

 

A nutricionista Lanuzza Meireles Monte(foto: Arquivo Pessoal)
A nutricionista Lanuzza Meireles Monte (foto: Arquivo Pessoal)
 

O café é a principal fonte de cafeína, mas a substância também é encontrada no cacau, no chá verde, em bebidas energéticas e em refrigerantes de cola. A bebida é bastante utilizada para estimular o sistema nervoso central (SNC), aliviando o sono e a fadiga, deixando o indivíduo mais alerta, concentrado e focado, motivo pelo qual é tão usada para trabalho, estudos, treinamentos, entre outros afazeres. Segundo a nutricionista Lanuzza Meireles Monte, formada pela Faculdade Anhanguera, para o consumo da bebida ser considerado baixo, não se deve ultrapassar 200mg de cafeína ao dia. Uma dose acima de 300ml de café (mais de duas xícaras) em um dia é considerada alta e extrapolada. O pico do efeito da cafeína dura de 30 a 90 minutos. Dependendo da concentração, pode passar disso, chegando a cinco horas. 
 

Saiba mais  

O efeito do café está totalmente associado a dose:
Dose x Quantidade de cafeína
Uma xícara do coado (250ml) - De 100mg a 150mg
Expresso (30ml) - de 50mg a 110mg
Instantâneo (240ml) - De 50mg a 70mg 
 
Data
O Dia Mundial do Café é comemorado no próximo domingo (14). 
 
 

*Estagiária  sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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