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Devo mudar minha escolha de carreira por uma profissão em alta?

A resposta de especialistas é não! Para quem está decidindo uma profissão a seguir ou deseja mudar de área, atividades promissoras podem parecer tentadoras. No entanto, não adianta apostar num setor só porque ele está em alta ou "dá dinheiro". É importante combinar isso com talentos e aptidões. Confira dicas e saiba quais cargos se tornam mais valorizados


postado em 16/06/2019 14:13 / atualizado em 16/06/2019 17:48

Para quem está decidindo uma profissão a seguir ou deseja mudar de área, atividades promissoras podem parecer tentadoras. No entanto, não adianta apostar num setor só porque ele está em alta ou “dá dinheiro”. É importante conciliar talento e aptidões. Confira dicas e saiba quais são os cargos em ascenção no mercado
 
 
Conseguir um emprego é visto como um desafio crescente à medida que aumentam os índices de desemprego. No entanto, mesmo num cenário de crise, há setores que estão em amplo crescimento, serão tendência nos próximos anos e necessitam de pessoas qualificadas para assumir as vagas. Para quem está no momento de escolher a profissão ou cogita trocar de carreira, a dúvida que fica é se o melhor caminho é investir numa dessas áreas que estão em alta no momento ou seguir os próprios gostos e aptidões. É o velho dilema entre se decidir pela orientação vocacional ou pelo ramo promissor ou que “dará dinheiro”. Para especialistas, o que está crescendo deve ser, sim, considerado. No entanto, não se pode deixar de lado fatores como talento e amor pela função, pois fazem toda a diferença.

De acordo com o diretor executivo da Bazz Estratégia e Operação de RH, Celso Bazzola, a maior parte das carreiras que estão em alta e devem crescer nos próximos anos são ligadas à tecnologia. É o caso dos cargos de analista de mídias sociais — responsável por administrar as redes de uma pessoa ou empresa —, desenvolvedor mobile — pessoa que cria softwares e aplicativos para celulares — e designer de games — profissional que desenvolve jogos eletrônicos. Celso, que é graduado em administração, explica que, devido à tendência de envelhecimento da população, também há maior oferta de empregos relacionados à saúde da terceira idade. Ele cita como exemplo os cargos de gerontólogo — profissionais que estudam o envelhecimento da sociedade e podem ocupar diversos cargos na área — e cuidadores de idosos. Confira todas as áreas promissoras no gráfico Em alta, na página 4.
 
 
"Se o jovem conseguir unir vocação e tendência de mercado, melhor ainda" Celso Bazzola, consultor de RH (foto: Paulo Ucelli/Divulgação)
 

Hora de fazer a escolha 

 

Quem está planejando a carreira deve ficar atento às profissões que estarão em destaque nos próximos anos. No entanto, esse não pode ser o único critério. “É muito importante que os jovens acompanhem as tendências do mercado, mas não aconselho que eles escolham a profissão levando só isso em conta”, alerta Bazzola. “É fundamental considerar a aptidão e o gosto pelo cargo. A vocação deve ser a prioridade. Se o jovem conseguir unir vocação e tendência de mercado, melhor ainda”, afirma Daniel Leandro, gerente de TI do grupo Brasal, concorda que é importante checar quais são as áreas em ascensão. “É preciso pensar, daqui a 10 anos, como a profissão estará, porque todas estão sofrendo transformações”, diz. Para aqueles que já têm graduação, mas estão sem emprego e se interessaram por alguma função do momento, o conselho é se atualizar ou migrar para alguma das áreas que estarão em alta. “Uma pessoa com experiência no setor administrativo, por exemplo, pode investir no cargo de conselheiro (profissional que auxilia na gestão de uma empresa)”, sugere o diretor da Bazz Estratégia e Operação de RH. Essa é outra profissão que provavelmente estará em destaque nos próximos anos.

Decida com o pé no chão

 

"Em função dessas transformações, esses cargos vão mudar muito. A gente não sabe como será daqui para a frente" Betina Limone, consultora de RH (foto: Arquivo Pessoal)
 

Apesar de as perspectivas apontarem o crescimento dessas carreiras, Betina Limone, gerente de Desenvolvimento Humano no Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob), ressalta que as profissões de destaque podem ser bem diferentes daqui a algum tempo. “Em função dessas transformações, esses cargos vão mudar muito. A gente não sabe como será daqui para a frente”, alerta. Por isso mesmo, ela afirma que a escolha deve ser calcada no perfil profissional. Por causa de tudo isso, segundo Betina Limone, mais importante do que a escolha da carreira são as competências.

“Tem que ter atenção às soft skills. Toda profissão é importante, mas é preciso desenvolver características comportamentais”, afirma. “É fundamental ter flexibilidade, capacidade de se adaptar, criatividade, habilidade de tomar decisões rápidas. Assim, o profissional tem chance de ir muito longe, independentemente da área”, completa. Apesar disso, ela ressalta a necessidade de se ter conhecimentos em tecnologia. “Devido à transformação digital, é preciso ter uma formação complementar. A tecnologia será importante para todas as áreas”, diz.  

Apoio à terceira idade

 

" Por onde passo, eu percebo que os idosos têm necessidade de atenção e cuidado. Muitas vezes, eles são abandonados pela família, e nós (cuidadores) nos tornamos o suporte deles" Márcia Cristina Rodrigues, cuidadora de idosos (foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
 

Ao precisar achar uma nova profissão, Márcia Cristina Rodrigues, 34 anos, optou por uma carreira considerada em alta: a de cuidadora de idosos. Ela escolheu a atividade há dois anos por identificação e vocação. “Por onde passo, eu percebo que os idosos têm necessidade de atenção e cuidado. Muitas vezes, eles são abandonados pela família, e nós (cuidadores) nos tornamos o suporte deles”, conta. Para exercer a profissão, Márcia fez curso técnico de enfermagem no Centro Técnico de Educação Profissional (Cetep). No momento, ela cuida de dona Emília Lobo de Almeida, 88 anos, de segunda a sexta-feira. “Minha rotina é toda por conta dela. Controlo a medicação, levo para passear, levo ao médico. Estou sempre com ela”, diz.

“A dona Emília é um amor, muito brincalhona”, completa. Márcia afirma que está muito feliz e realizada com a profissão. Antes de ser cuidadora, Márcia atuava como operadora de caixa em um supermercado, mas sofreu um acidente de trabalho e precisou deixar o emprego. “Eu lesionei o tendão da mão e fiquei três anos parada. Tive de fazer reabilitação no hospital para voltar a trabalhar. Lá, eu comecei a observar a situação de pessoas doentes e me identifiquei com a área da saúde. Decidi, então, fazer um curso técnico de enfermagem”, conta. Na mesma época, ela percebeu que era preciso ter mais profissionais para prestar serviços a idosos.

Atividade mobile

 

Esse cargo é tendência porque, hoje em dia, todo mundo carrega a vida no celular. Agenda, contatos, e-mails, aplicativos, entre vários outros recursoS
Esse cargo é tendência porque, hoje em dia, todo mundo carrega a vida no celular. Agenda, contatos, e-mails, aplicativos, entre vários outros recursoS" Joseneuza de Aguiar, professora de cursos técnicos e superiores (foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
 

Instrutora de cursos de informática do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Joseneuza de Aguiar aposta que a carreira de desenvolvedor mobile vai crescer muito em um futuro próximo. “Esse cargo é tendência porque, hoje em dia, todo mundo carrega a vida no celular. Agenda, contatos, e-mails, aplicativos, entre vários outros recursos”, explica a professora de desenvolvimento mobile no Centro Universitário e Faculdade Projeção. Para seguir a carreira, é preciso ter formação ou curso técnico na área de programação e informática. Além disso, Joseneuza chama a atenção para o perfil de um desenvolvedor mobile. “Deve ser uma pessoa que não tenha resistência nenhuma à tecnologia e esteja disposta a estudar muito porque é preciso se atualizar constantemente. Tudo muda muito rápido nesse ramo” diz.
 
 
Acredito que esse ramo vai crescer muito nos próximos anos
Acredito que esse ramo vai crescer muito nos próximos anos" (foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
 
Um dos alunos dela, Allisson Batista, 23, trabalhou como desenvolvedor de softwares e aplicativos para celulares no ano passado. A empresa em que atuava o alocou em uma equipe de desenvolvedores mobile, e ele gostou muito da experiência. “Eu trabalho na área de TI, mas meu foco é a web. Sempre quis atuar em mobile, então foi bom ter essa oportunidade”, comenta. “Acredito que esse ramo vai crescer muito nos próximos anos”, completa. Allison é formado em análise e desenvolvimento de sistemas. Durante os meses em que trabalhou como desenvolvedor mobile, ele fez manutenções no aplicativo da empresa de cartões-alimentação Green Card. “Era uma demanda de acessibilidade para pessoas que têm dificuldade para ler de perto. Tivemos de adaptar o aplicativo e aumentar a fonte das palavras”, conta. Além disso, ele desenvolveu um aplicativo para o Banco do Brasil.

Tecnologia estratégica

 

Apesar de ser uma formação densa, há uma disponibilidade muito grande de material gratuito na internet
Apesar de ser uma formação densa, há uma disponibilidade muito grande de material gratuito na internet" Rogério Lopes, cientista de dados (foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)

Cientista de dados no Banco do Brasil, Rogério Lopes, 42 anos, está num ramo que cresce a todo vapor. Ele sabe bem como o uso de ferramentas digitais é importante. Formado em computação pela Universidade de Brasília (UnB), Rogério nem imaginava que trabalharia nessa função. “Em 2015, surgiu um problema para a gente estudar. A inadimplência tinha aumentado muito. Eu tive que prever a recuperação dessas pessoas”, lembra. A reflexão sobre isso acabou levando-o a cursar um mestrado na área. Para quem quer investir no setor, ele deixa a dica: “Apesar de ser uma formação densa, há uma disponibilidade muito grande de material gratuito na internet. Tem aulas de Stanford disponíveis, por exemplo.”

É preciso estudar

 

"Na maioria dos casos, temos que pegar as pessoas e formá-las. Temos vagas em aberto que não conseguimos preencher. Não estamos falando de futuro, isso (a falta de pessoas capacitadas) já é realidade" Daniel Leandro, gerente de TI da Brasal (foto: Brasal/Divulgação)
 

Por mais que áreas novas e em ascensão precisem de mão de obra, os empregadores não estão atrás de qualquer profissional, mas, sim, de gente capacitada. E é justamente disso que recrutadores como Daniel Leandro, um dos líderes do processo de transformação digital da Brasal, sente falta. “Na maioria dos casos, temos que pegar as pessoas e formá-las. Temos vagas em aberto que não conseguimos preencher. Não estamos falando de futuro, isso já é realidade”, afirma.
 
Por isso, quem faz cursos e se capacita já sai à frente em seleções. Daniel acredita que o brasileiro, em geral, também precisa se interessar mais por tecnologia, pois ela também é um caminho para o conhecimento. “Existem várias plataformas de ensino, o próprio Youtube. São cursos de curta duração e on-line. Falta essa cultura de ser autodidata. Mas também é preciso que a iniciativa privada promova eventos para mostrar aos jovens essas novas possibilidades”, opina.

Aposta em drones

 

O sargento Jader Melo, o soldado Ronie Sousa e o especialista em geoprocessamento José Carlos Pottier (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A. Press)
O sargento Jader Melo, o soldado Ronie Sousa e o especialista em geoprocessamento José Carlos Pottier (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A. Press)
 

Outra área nova que deve crescer nos próximos anos é a de operador de drone. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) já começou a preparação desses profissionais para lidar com produções agrícolas. De acordo com Rafael Diego Nascimento da Costa, assessor técnico do Senar, a grande vantagem da tecnologia é a redução de custos. “Antigamente, dizia-se que quem não estudava ia para a roça, mas, hoje, quem está na roça tem que estudar”, brinca. “Há cinco anos, essa era uma tecnologia muito cara que, agora, se tornou mais acessível. O drone pode ser usado para levantamento de área e de gado, para fornecer informações estratégicas e para segurança. Em um dia, faz-se o trabalho que duas pessoas fariam em duas semanas”, compara.

Para utilizar o drone, existe toda uma legislação específica, mas ainda não há formalmente a função de operador dessas pequenas aeronaves. “Precisamos de segurança. Esse ‘brinquedo’ é uma ferramenta”, diz. Na parte de segurança, o soldado Ronie Sousa, 36 anos, sabe bem que essa é uma tecnologia importante. Ele atua no Batalhão Rural da Polícia Militar do DF. Ele e mais dois policiais fizeram o curso do Senar e agora tentam conseguir um drone próprio para fazer as operações. “Essa é uma ferramenta importante no combate à criminalidade. Tem lugares que são de difícil acesso para a viatura. O batalhão de Goiás já usa o drone”, explica.  “O drone vem para permitir maior visibilidade na área rural. Também dá para usar em mata fechada, lugares de difícil acesso”, explica o sargento Jader Melo.

E fora do Brasil? 

 

De acordo com Rosa Maria Troes, CEO da Canada Intercambio, no exterior as profissões que mostram crescimento são as ligadas a energia renovável, saúde e TI. Isso devido ao envelhecimento da população, ao crescimento das startups e a um maior olhar para a sustentabilidade. E essas tendências devem se refletir por aqui. “O número de pessoas acima dos 65 anos no Brasil também tem aumentado muito. A energia sustentável é algo que está começando agora no país e tem um potencial enorme”, observa. Já com relação ao setor de tecnologia, mesmo sabendo que ainda temos muito para avançar, o país sempre segue as tendências mundiais. Agora com a implementação da Lei Geral de Proteção de Dados, deve haver um grande investimento das empresas nessa área para se adaptar à legislação”, explica.  

Leia!

 

(foto: Matrix/Reprodução)
(foto: Matrix/Reprodução)

Quem é você? — 100 perguntas para aprimorar o autoconhecimento e planejar o futuro 

Autores: Wellington Santos e Marcelo Costa
Editora: Matrix
100 páginas
R$ 37
 
Este livro em forma de caixinha foi feito para quem deseja projetar o futuro de forma estratégica. Pesquisas comprovam que quem faz planejamento estratégico pessoal realiza muito mais. Para isso, você vai mergulhar no universo de 100 perguntas, a fim de maximizar o seu nível de consciência e de autorresponsabilidade para que entenda quem realmente é. Identifique seus propósitos, veja o que o move você e o que lhe dá inspiração. Descubra-se e vá 
mais longe.
 
 
 
(foto: Editora Sextante/Reprodução)
(foto: Editora Sextante/Reprodução)
 
Encontre seu porquê — Um guia prático para descobrir o seu propósito e o de sua equipe 
Autores: Simon Sinek, David Mead e Peter Docker
Editora: Sextante
184 páginas
R$ 24,99
 
Com a ajuda de David Mead e Peter Docker — dois colaboradores que já conduziram o processo de Descoberta do Porquê em importantes empresas —, Sinek mostra como você pode descobrir o seu propósito e o da sua empresa seguindo etapas simples e diretas.
 
 
 
 
 
 
 
(foto: Alaúde/Reprodução)
(foto: Alaúde/Reprodução)
 
Trabalhar para quê?
Autor: Barry Schwartz
Editora: Alaúde
120 páginas
R$ 29,90
 
Para a esmagadora maioria das pessoas, o trabalho não traz motivação. Neste livro, o professor de psicologia Barry Schwartz traz uma visão inovadora e reveladora sobre o propósito do trabalho, mostrando como ele influencia nossa cultura e nosso cotidiano e como você pode encontrar seu caminho para a felicidade no emprego.
 
 
 
 
 
 
(foto: Benvirá/ Divulgação)
(foto: Benvirá/ Divulgação)
 
Viva o ano dos seus sonhos — como largar o trabalho que você odeia e conquistar a vida que sempre quis
Autor: Ben Arment
Editora: Benvirá
272 páginas
R$ 17,90
 
No mundo todo, inúmeras pesquisas mostram que grande parte das pessoas odeia o próprio emprego. As principais reclamações são chefes ruins, péssimas condições de trabalho e o fato de não acreditarem que estão contribuindo para fazer a diferença no mundo. Você se identificou com alguma das situações descritas acima? Então está com o livro ideal em mãos. A obra foi escrita para ajudá-lo a largar o emprego que você odeia e correr atrás do sonho que você achava impossível concretizar — tudo isso no período de 
um ano.
 
 
 
 


*Estagiárias sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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