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Biotecnologista pela UnB participa de evento de MIT e Harvard

Ela está entre 100 jovens selecionados em todo o mundo para compor a próxima geração de líderes da área. Conferência internacional começa hoje, nos EUA


postado em 16/06/2019 17:13

A comunidade acadêmica da Universidade de Brasília (UnB) continua ganhando destaque em eventos e premiações no exterior. Letícia Marques da Costa e Silva, 23 anos, se graduou em biotecnologia pela instituição em julho de 2018 e participará do GapSummit 2019, conferência internacional que reúne jovens líderes mundiais para debater inovações na área. O encontro, promovido anualmente pela Global Biotech Revolution (GBR), começa hoje (16) e vai até quinta-feira (20) em Cambridge, no estado de Massachusetts, nos EUA. A quinta edição do evento ocorrerá no Broad Institute, centro de pesquisa biomédica e genômica do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e da Universidade Harvard.
 
 
Ainda mais no Brasil,que tem uma biodiversidade muito grande e pouco explorada,a sociedade precisa ter conhecimento do potencial da biotecnologia e saber que ela faz dentro das instituições públicas
Ainda mais no Brasil,que tem uma biodiversidade muito grande e pouco explorada,a sociedade precisa ter conhecimento do potencial da biotecnologia e saber que ela faz dentro das instituições públicas" (foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
 
Entre os 100 “líderes do amanhã”, selecionados competitivamente pela GBR, Letícia é a única integrante brasileira. A biotecnologista nasceu em Barreiras (BA), foi criada em Governador Valadares (MG) e, atualmente, trabalha como analista técnica no Serviço Social da Indústria do Distrito Federal (Sesi-DF). A oportunidade de participar da conferência nos EUA surgiu logo após a contribuição em outro evento internacional. Em 2017, Letícia embarcou para Bruxelas, na Bélgica, com o propósito de participar do Youth Ag-Summit, sobre o combate à fome no mundo. Lúcio Flávio de Alencar Figueiredo, 51, é professor do Departamento de Botânica da UnB e lecionou uma matéria para Letícia. Ele relembra a determinação dela durante a orientação para o Youth Ag-Summit.

“No período de preparação para o evento, nós nos encontrávamos semanalmente por duas horas para discutir artigos”, relata. “Eu estava no 7º semestre da faculdade e foi muito bom porque eu direcionei a minha carreira. Quando eu voltei, comecei a trabalhar como estagiária no Sesi, fui contratada e, agora, a instituição vai financiar a minha ida ao GapSummit”, comemora Letícia. Acomodação e alimentação são custeados pela organização do evento, a GBR, e as passagens aéreas pelo Sesi-DF.
 
 
Letícia com a mãe, Luciana Lana(foto: Arquivo Pessoal)
Letícia com a mãe, Luciana Lana (foto: Arquivo Pessoal)
 
Segundo ela, a oportunidade de compartilhar o projeto desenvolvido no seu local de trabalho com líderes internacionais e de trazer outras experiências para o país atraiu o interesse da instituição. A nutricionista Débora Castilho, 32, é gestora da iniciativa denominada Superalimento do Sesi-DF que, com a participação de Letícia, utiliza resíduos orgânicos de forma integral para aumentar a ingestão de micronutrientes presentes nas cascas dos alimentos e, assim, evitar o desperdício. “O impacto do projeto é tanto econômico quanto ambiental e nutricional”, afirma Débora. “Então, por que não divulgar e trazer maior visibilidade?”, questiona.

Trajetória

 

Encontrar pessoas com paixão por resolver desafios urgentes em biotecnologia foi o objetivo da seleção de 100 jovens promissores para a conferência, por meio de análise de currículo e entrevista on-line. Letícia relata que a maior dificuldade no processo seletivo foi o nervosismo durante o diálogo, mas isso logo foi contornado. “Eu sabia que tinha condições de ser aprovada e que isso ia exigir muito do meu estudo e da minha preparação”, conta. “Desde que ela era nova, eu conseguia ver o potencial dela”, relata Luciana Lana Costa, mãe de Letícia.

Aos 46 anos, ela é contadora  e sócia de uma microempresa e fala sobre o orgulho da carreira que a filha está começando. “Quando você descobre que a sua filha é a única brasileira indo para um evento desse, é gratificante”, descreve.  Letícia, que fez a educação básica em colégios particulares, encontrou a biotecnologia quando procurava profissões emergentes no Brasil que tinham relação com pesquisa científica. Ao conhecer a grade de matérias do curso na UnB, identificou-se e mudou para Brasília para fazer pré-vestibular. Um encontro entre biologia, engenharia e química, a biotecnologia utiliza sistemas e organismos vivos para desenvolver tecnologias que melhoram a vida em sociedade.
 
Para Letícia, a biotecnologia deveria ser mais difundida no Brasil. “Mesmo dentro da universidade, as pessoas perguntam: que curso você faz? O que é?”, desabafa. O professor Lúcio acredita que a participação da ex-aluna da UnB no Youth Ag-Summit 2017 e no GapSummit 2019 tem um impacto muito grande no meio acadêmico. “Ela foi uma das primeiras estudantes do curso a ser selecionada em uma chamada internacional extremamente competitiva. Isso instigou outros universitários”, afirma.

Durante a graduação, Letícia aproveitou oportunidades no meio acadêmico. Participou de pesquisas no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), estágios, congressos e feiras. “Ela é uma aluna muito interessada e muito prática, sempre buscou, dentro de sala de aula, a aplicabilidade prática que ela via na teoria”, conta Breno Giovanni Adaid, 38, sobre a experiência de ministrar uma matéria de empreendedorismo para Letícia. Uma pós-graduação em sustentabilidade está nos planos dela.

Gap Summit 2019


Interagir, desafiar e aprender com líderes mundiais da biotecnologia é o objetivo principal do evento. Além de palestras, workshops e painéis com tendências e discussões na área, o GapSummit organiza uma competição para os 100 jovens participantes, denominada Vozes do Amanhã. São 20 grupos, com cinco pessoas cada um, que devem solucionar desafios dentro da indústria da biotecnologia de modo inovador. Os integrantes se reúnem desde fevereiro para preparar a proposta que será apresentada durante a conferência e são acompanhados por um mentor.

O grupo de Letícia está desenvolvendo um projeto para melhorar as cadeias de valores — modelos de estruturação de atividades desenvolvidas — agrícolas na Etiópia, país da África Subsaariana. Segundo ela, a ideia é usar a engenharia genética e a infraestrutura de transporte da região “para transformar espécies de plantas em mais tolerantes à seca, pois o país é muito afetado pelas mudanças climáticas”. Além dos líderes do amanhã, participam do evento 17 mentores, cinco juízes e 54 palestrantes. Saiba mais: gapsummit.com. 



*Estagiária sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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