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Frei Fabrício, famoso no DF, agora é também coach

Ex-reitor do Santuário São Francisco de Assis, na 915 Norte, e colaborador das atividades pastorais do Santuário Jardim da Imaculada, na Cidade Ocidental, o religioso atua, agora, também ajudando pessoas a alcançarem objetivos. Ele dará série de palestras em Brasília


postado em 23/06/2019 16:15 / atualizado em 23/06/2019 18:04

Quem conhece frei Fabrício Nogueira por sermões que já atraíram 2 mil pessoas ao Santuário São Francisco de Assis, na 915 Norte, por celebrações de Eucaristia de cura e libertação campais para multidões de 5 mil fiéis, e por missas no Setor Noroeste, pode estranhar vê-lo em outra função: a de coach. Em ambas as atividades, porém, ele se aproxima do sonho de “ajudar os outros a entenderem mais profundamente a vida”. Algo que ele próprio conseguiu fazer ao conhecer técnicas de coaching. “Tenho o sonho de ver as pessoas crescerem como tenho crescido. Eu me tornei mais sentimento e vida, menos trabalho e deveres”, afirma. 

"Eu me sinto mais preparado não só para ajudar, mas para transformar vidas. Tenho novas reflexões para fazer as pessoas crescerem nos relacionamentos, na felicidade e no espírito" (foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
“Eu me tornei, por mais estranho que possa parecer, mais espiritual.” Natural de Fortaleza e radicado em Brasília, o religioso de 42 anos vem estudando também inteligência emocional e neurolinguística por meio de treinamentos, inclusive com Tony Robbins, famoso coach e palestrante estadunidense. Frei Fabrício, que é professor titular do Instituto São Boaventura (ISB), fez curso de formação em coaching na Febracis. O frade franciscano da Ordem dos Frades Menores Conventuais de Brasília começou a atender na nova função e tem oito coachees (como se designa alguém que é treinado por um coach). 

“Eu me sinto mais preparado não só para ajudar, mas para transformar vidas”, comenta. “Tenho novas reflexões para fazer as pessoas crescerem nos relacionamentos, na felicidade e no espírito”, observa. “A compressão do espiritual não é porque sou padre. É porque o espiritual engloba todas as coisas. Por isso me intitulei coach espiritual e de vida”, reflete. O lado religioso e o de desenvolvimento de frei Fabrício não se separam. “Não tem como dissociar. O ser humano é um todo.”

Currículo

Ex-reitor e ex-pároco do Santuário São Francisco de Assis, na 915 Norte, frei Fabrício foi pároco também da Paróquia dos Evangelistas São Marcos e São Lucas, em Ceilândia. As celebrações da Eucaristia dele são conhecidas pelo bom humor e pela contextualização com a atualidade da vida dos fiéis. Tanto que várias das homilias  (que são disputadas: há quem chegue bem antes para conseguir espaço na igreja) são transmitidas  no canal do YouTube Homilias Frei Fabrício Nogueira. No Instagram ff_coachespiritual, tem 4.217 seguidores. No Facebook, o grupo Amigos de Frei Fabrício Francisco reúne 12.742 membros, e a página Homilias de Frei Fabrício Francisco conta com 2.555 curtidas. 


Pelo carisma e pelo estilo, ele é comparado com padres famosos como Fábio de Melo e Marcelo Rossi. Reconhecido por católicos de Brasília, o religioso foi homenageado e gerou comoção entre fiéis no ano passado quando precisou se afastar das atividades durante um período para se tratar da depressão e da estafa.

Frei Fabrício cursou ciências contábeis na Universidade de Brasília (UnB), ingressando na instituição aos 16 anos. Por meio de estágios e convênios durante a graduação, atuou em órgãos como os ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia. Ele passou num concurso de nível médio do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), chegou a ser convocado, mas não assumiu a vaga para começar a vida religiosa. “Em 1996, entrei para os franciscanos e, lá, cursei filosofia e teologia”, conta. O frei morou cinco anos em Roma, quando fez mestrado em teologia bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Ao retornar ao Brasil, iniciou as atividades de pároco — durante oito anos em Ceilândia e, depois, por mais três anos no Santuário São Francisco. Atualmente, ele concilia as atividades do sacerdócio, como colaborador das atividades pastorais do Santuário Jardim da Imaculada, na Cidade Ocidental, com os atendimentos como coach. 

Novo ramo de atuação

 

(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
“Em 2018, tive um problema de saúde ligado ao estresse bastante forte e pedi afastamento. Nesse meio tempo, conheci outros aspectos do conhecimento da vida, digamos, aqui de fora, ligados ao coaching”, conta. “Uma paroquiana minha estava organizando a primeira vinda do Tony Robbins ao Brasil. Assisti a uma palestra dele de quatro horas em São Paulo”, diz. “Eu nem sabia direito o que era coaching e, na minha percepção como sacerdote, eu estava lidando com algo muito díspar, muito distante daquilo que eu pregava, mas percebi que não”, revela. 

“Percebi que o coaching tinha umas ferramentas que eram desenvolvidas a partir de elementos científicos, neurolinguístico, mas tinha esse desejo de levar as pessoas para um estado melhor de vida. E isso casa com a minha proposta”, esclarece. Encantado com as descobertas, o frei foi para Nova York participar de uma imersão de quatro dias com Tony Robbins e voltou decidido a se formar como coach. Durante as sessões, frei Fabrício faz um trabalho para tirar o cliente do estado em que se encontra, que pode ser de estagnação, de medo, de incapacidade de avançar.

“O próprio do coaching é isso. É um método que não trabalha muito passado, que é a beleza da psicologia”, afirma. “O coaching tenta fazer com que a pessoa atinja objetivos para o futuro, partindo do presente. A psicologia tenta fazer que o presente esteja ótimo a partir de resoluções das crises do passado”, compara. Ele é um grande interessado por psicologia e chegou a cursar um ano de faculdade na área.

O objetivo das sessões, explica o frei, é ajustar todos os pilares da vida: profissional, emocional, espiritual, familiar, intelectual, financeiro, social, de lazer, de saúde, de relações interpessoais, conjugal, de maternidade ou paternidade, de lidar consigo mesmo... “Todos esses campos são interconexos”, argumenta. Para equilibrar todos os aspectos e melhorá-los, são traçadas metas para serem acompanhadas. “Algo interessante que encontrei no coaching é a percepção de que o ser humano precisa sonhar. Quando o ser humano não sonha, ele não se expande, não avança, não cresce”, pondera.
 
“A vida religiosa não leva a gente muito para isso. Quando eu me adoentei e fiz o curso de formação, percebi, por meio do coaching, que eu não tinha sonhos. Eu era um padre, que era um frade pau para toda obra, mas não olhava para mim mesmo, não me percebia como indivíduo”, reflete. “Quando você não tem essa perspectiva pessoal, você perde um dos lados que o próprio Jesus nos pede: o mandamento de amar ao próximo como amo a mim mesmo”, ressalta. “O coaching me despertou para voltar a olhar para mim mesmo como gente com desejos, vontades. E, na hora que sonhos despertaram, isso fez com que uma expansão acontecesse.”

PALESTRAS

Compartilhando saberes

 

(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
Para dividir descobertas e aprendizados, frei Fabrício dará uma série de palestras em Brasília. “É para despertar as pessoas para alguns dos conhecimentos que adquiri”, explica. A primeira delas, sobre o tema “Eu realmente preciso de Deus? — reatando laços com a fé”, será em 3 de agosto no Grand Bittar Hotel e já está com 70% da lotação esgotada. Pela grande procura, ele abriu nova sessão da mesma palestra, que será no dia seguinte, 4 de agosto. Em 14 de setembro, a conversa será sobre “Como viver uma vida espiritual equilibrada, intensa e constante?”. Em 26 de outubro, ele falará acerca do tópico “Planificando e plenificando a vida espiritual”. 

Já em 14 dezembro, discutirá “Como ressignificar meu espírito para o Natal?”. Apesar dos assuntos, frei Fabrício avisa que os encontros são abertos a todos, independentemente de religião. “Um ateu não vai se interessar pela temática, mas até um ateu sabe que todas as coisas vieram de uma origem, de uma força, de uma inteligência que dá ordem a todas as coisas. Ele não quer chamar de Deus, alguns chamam de acaso, mas, se for olhar bem profundamente, ele entenderia que cada um de nós tem uma formação espiritual”, diz. “Na ciência, existem conceitos parecidos com o que a gente chama de mundo do espírito. A ciência entende que temos uma estrutura magnética, essa força. Nós somos energia cinética”, comenta.

Na primeira palestra, o entendimento de Deus não é necessariamente religioso. “Precisar de Deus… Poderiam pensar que é preciso estar em oração. A minha perspectiva é de que é relacionar-se. Acho que a maioria das pessoas sofre porque não se relaciona com Deus e com aquilo que é emanado dEle, com a criação e consigo mesmas”, afirma. “O que posso dizer é que essa palestra é aberta a todas as pessoas que queiram melhorar de vida, é para todas as pessoas que talvez estejam com uma vida pesada, estagnada, precisando de algo mais, precisando encontrar uma fonte motivadora.”

Perguntas para / Fabrício Nogueira

 

(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
Como alcançar o equilíbrio para ter relacionamentos melhores na vida e no trabalho?

Se eu tenho dificuldade de estar bem comigo mesmo, aí, em qualquer pessoa que chega, eu dou patada, me fecho. Quando altero esse estado espiritual e elevo a frequência desse estado, o que vai acontecer? Começo a estar bem comigo mesmo, sinto um up de felicidade, de paz, de autossatisfação, de autorrealização e, consequentemente, melhoro todos os meus relacionamentos. Quanto melhor a relação com você mesmo, melhor a relação com os outros.

O que é preciso para alcançar nteligência emocional?
Os comportamentos podem ser alterados pelos estados espirituais ou emocionais. Quando altero meu estado emocional, quando melhoro isso, melhoro meu comportamento. E o que é preciso para isso? Técnicas. E o coaching pode ajudar. Também tenho desenvolvido técnicas no campo espiritual. Vou ensinar, no meu workshop, daqui a dois encontros, técnicas de como perdoar e esquecer com facilidade. Há estruturas mentais que nos levam a estar para baixo por causa de determinadas situações que geram mágoas, rancores, ressentimentos, que abaixam o estado emocional, minam energia. Quando a pessoa está assim, vai para o trabalho e não consegue render, não pensa bem. Vai para uma entrevista de emprego e também não consegue se sair bem. O fato de a gente ter em mãos instrumentos de reprogramação neurolinguística permite que a gente consiga, de uma forma ou de outra, driblar sentimentos ruins.

Como lidar com estresse no trabalho e na busca por emprego?
O estresse é só uma consequência interior. Existem dois pontos interessantes a serem considerados: medo e ansiedade. Medo está relacionado ao passado, que pode trazer situações traumáticas. Ansiedade está relacionada ao futuro, é preocupação. Eu tenho ansiedade quanto estou prospectado para o futuro. Algo que vou ensinar na minha palestra é a necessidade profunda de vivermos o presente: a relação comigo só acontece bem quando estou no presente. A pessoa que vive o hoje, o agora, vive bem. Mas aposto que nem 5% do nosso tempo vivemos o agora. Quando se vive no passado e no futuro, com medo e ansiedade, isso gera estresse. Qual é a solução para isso? Trazer a pessoa o máximo para o momento. Quando eu me conecto numa esfera espiritual maior e vivo mais no presente, isso me coloca num reino de confiança, e isso elimina o estresse. Um conselho prático é respirar. Respire cinco vezes de forma profunda, puxando pelo nariz e soltando o ar pela boca. Sinta o ar. Isso gera relaxamento e te traz para o presente. Mas existem outras técnicas. Seja mais corpo, mais corporal, o corpo é presente. Nós somos muito intelectualizados, acreditamos que pensar resolve todas as coisas. Antes de tudo, tenho que saber que, se eu ficar o tempo todo de forma cerebral, eu me mato. Tem que mexer o corpo, fazer exercício físico. Nós nascemos para as savanas. Olhe o tamanho dos nossos braços.... Ficar parado afeta muitíssimo a mente porque perde-se o equilíbrio. Em equilíbrio, nossa mente atende melhor nossos comandos.
 
(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
Qual é o segredo das pessoas bem resolvidas?
Tudo está ligado aos 12 primeiros anos de vida. O amor resolve todas as coisas. E a ausência de sentir isso durante a infância cria uma fossa emocional, um buraco, um vão, de tal sorte que, para que se defenda, a pessoa vai agregar à estrutura desse vão um monte de coisa na perspectiva de defesa. Muitas vezes, torna-se alguém defensivo, medroso, inseguro, que se sente incapaz e não merecedor. Tem pessoas que, pela falta de amor, de segurança, acaba desenvolvendo inconscientemente estruturas até mesmo de morte. Aí desenvolve muitas vezes doenças que são somatizadas a partir desses níveis inconscientes. Trabalhamos para arrancar, reverter, substituindo um sentimento negativo por um positivo. O cérebro, ao mesmo tempo que é inteligente, é muito simples. Sou hipnoterapeuta também e uso essa técnica para que a pessoa largue um pouquinho do racional e vá para o inconsciente, onde encontramos todas as informações armazenadas. Aí vamos substituir o negativo por algo positivo. Normalmente, a gente substitui a situação traumática por amor. Aí quando vem aquela raiva ou aquela circunstância que gerava uma raiva, aí chega ali não encontra, a pessoa até estranha.

O que é o mundo do espírito e das relações?
A gente pensa no aspecto espiritual como se fosse única e exclusivamente uma relação com Deus, mas não é. O mundo do espírito envolve tudo aquilo que vem de Deus, que emana de Deus, que nasce de Deus. Então, na verdade, engloba todas as coisas e pessoas. O mundo espiritual é o mundo também das relações, consigo mesmo, com os outros, com todas as coisas que Deus criou para se relacionarem entre si — incluindo relacionamentos interpessoais no trabalho. A gente percebe quando a pessoa está com o espírito pesado. Dizem que ela está com aura negativa. E isso afeta todos os outros aspectos da vida. E isso não tem a ver com religião. Religião é outra coisa. Religiões são interpretações. Aqui nossa pegada é outra: é a compreensão originária daquilo que Deus fez e nos deu: uma estrutura espiritual que serve para nós nos relacionarmos em plenitude porque viemos de uma plenitude que é sagrada, divina. E, quando a gente foge disso, a gente gera um crack, uma fenda, uma rachadura. Tem pessoas que vivem dentro de uma sintonia espiritual elevada com ela mesmas mesmos e com os outros. E tem pessoas que vivem completamente dispersas, não se relaciona bem consigo mesmas, nem com os outros. Até cientificamente percebe-se que a pessoa não está bem: a física quântica, por exemplo, trabalha com isso. A energia espiritual da pessoa se torna baixa, negativa, disfuncional. Tem coisa que não dá para consertar só na relação com Deus. Se eu tenho um problema com a minha família e tento resolver isso com Deus, na igreja, vai dar problema. Até a Bíblia diz que, se você está com algum problema com alguém, deixe ali mesmo diante do altar a tua oferta, e primeiro vai reconciliar-te com teu irmão, e depois volta e apresenta a tua oferta. É exatamente essa pegada que Jesus ensina. O mundo da vertical depende da estrutura horizontal. Esse é meu entendimento do mundo do espírito. 

Participe!

Palestra “Eu realmente preciso de Deus? — reatando laços com a fé”
Quando: sábado, 3 de agosto, das 14h30 às 18h30; e domingo, 4 de agosto, das 14h30 às 18h30
Onde: Salão Monumental do Grand Bittar Hotel (SHS, Quadra 5)
Quanto: o ingresso custa R$ 165 (segundo lote). Parte da renda das palestras será destinada às Irmãs da Caridade de Samambaia, que desenvolvem projeto com crianças carentes da região
Como: as inscrições estão abertas pelo link 
Próximos encontros: as palestras de setembro, outubro e dezembro serão no mesmo horário e endereço. As inscrições ainda serão abertas.

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