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Alunos do UDF são destaque no exterior e buscam ajuda para viajar

O trabalho de conclusão de curso de três estudantes de engenharia civil foi elogiado e aceito no 26º Congresso Mundial de Rodovias, que será em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Agora, o trio precisa de apoio financeiro para poder participar do evento


postado em 15/07/2019 14:00 / atualizado em 16/07/2019 15:29

O tão esperado trabalho de conclusão de curso de três estudantes de engenharia civil do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF) impressionou não só a banca examinadora da instituição, mas especialistas ao redor do mundo. Jefferson Santos Soares, 25 anos, Rodrigo Alves de Oliveira, 28, e Caio Graco Manz Carvalho, 37, trabalharam por cerca de seis meses para encontrar a viabilidade de adoção do pavimento rígido com placas de concreto em rodovias brasileiras, que atualmente utilizam o asfalto.
 
Rodrigo, o orientador Diego, Caio e Jefferson: destaque na engenharia civil(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
Rodrigo, o orientador Diego, Caio e Jefferson: destaque na engenharia civil (foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)

O resultado de tanto esforço é a aprovação no 26º Congresso Mundial de Rodovias, que ocorrerá em Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos, entre 6 e 10 de outubro de 2019.  A organização do evento chamou o trabalho deles de “impressionante”. O evento é organizado pela Associação Mundial de Rodovias (Piarc) a cada quatro anos e é reconhecido internacionalmente pela qualidade de documentos técnicos publicados, pois norteiam decisões e ações em grande parte das estradas do mundo.
 
Diego de Almeida orientou o trio e submeteu o trabalho ao congresso(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
Diego de Almeida orientou o trio e submeteu o trabalho ao congresso (foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
O estudo dos alunos foi submetido ao congresso pelo professor e orientador Diego de Almeida Pereira que, além de servidor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), é associado à organização. “Os alunos tiveram um excelente desempenho na elaboração do trabalho. Não é um congresso para o qual você manda um trabalho e o vê sendo aceito com frequência ou facilidade”, comenta. Com 38 anos de idade e 15 de sala de aula, Diego instigou o trio acerca do tema e orientou o trabalho.

Com o aumento do preço de materiais derivados do petróleo que estão presentes no asfalto, esse tipo de pavimentação encarece mais a cada dia e se aproxima do custo de implementação de placas de concreto, que é mais caro, porém tem maior durabilidade e é adotado por grandes estradas fora do Brasil. “A gente quis mostrar que, se utilizarmos o pavimento rígido com uma variação de espessura, conseguimos ter uma relação custo-benefício durante o ciclo de vida da rodovia muito melhor. Em longo prazo, vai trazer economia para o governo e para empresas do ramo”, explica Jefferson Santos.

Segundo o orientador Diego, os estudantes sempre tiveram desempenho superior em sala de aula. No trabalho de conclusão de curso, não foi diferente. “No Brasil, é muito comum avaliarmos uma solução técnica sem pensar na manutenção, mas eles levaram em consideração não só os custos de produção, mas também os custos em análise global, demonstrando muito domínio da engenharia”, afirma. Para garantir a publicação no congresso, o trio enviou um resumo antecipadamente e, poucos meses depois, o estudo completo, que recebeu elogios da Piarc.

É a primeira vez que um trabalho do UDF é aceito no Congresso Mundial de Rodovias. “Jefferson, Rodrigo e Caio acabam atuando como multiplicadores e servem de base para outros alunos”, explica Henrique Jorge Nery de Lima, coordenador dos cursos de engenharia civil, mecânica e mecatrônica do centro universitário, que também ministrou aulas para o trio. “Eles sempre estavam dispostos a atender e eram comprometidos com as tarefas”, conta.

“É um trabalho de nível de graduação. O grande mérito é que nós, como graduandos, conseguimos produzir um material com uma qualidade que se compara a mestres e doutores”, alegra-se Caio Graco. O grupo acredita que o impacto virá tanto no meio acadêmico quanto na vida pessoal de cada um. “Vamos ser reconhecidos, mas também vamos representar o país”, afirma Rodrigo Alves. Para o orientador Diego, é fundamental que estudantes se sintam representados na produção universitária. “Quanto antes o aluno tiver contato com participantes de congressos, mais cedo ele entra nesse ciclo de estudo e de elaboração de projetos.”

Futuros engenheiros

“Alunos acima da média”, como relata o orientador Diego, os integrantes do grupo têm outra característica em comum. Jefferson e Caio vieram de berço baiano e Rodrigo, nascido em Sobradinho, cresceu na Bahia. Assim, o lema do trio é “da Bahia para o mundo”. A meta de continuar no meio acadêmico é outro atributo que os três estudantes compartilham.

Rodrigo, Caio e Jefferson:
Rodrigo, Caio e Jefferson: "Da Bahia para o mundo" (foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
 
Jefferson acredita que a participação em um congresso internacional pode abrir muitas portas no futuro próximo, como um mestrado, e Rodrigo também espera usar a oportunidade como base curricular. “A gente têm que se preparar porque, quando o mercado se aquecer, vão procurar profissionais mais capacitados”, acredita Caio. O trio apresentou o TCC em 11 de junho. A colação de grau está prevista para agosto.

Jefferson Santos decidiu fazer engenharia civil porque, durante o ensino médio, se destacava na área das exatas. Com uma boa pontuação no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), se tornou bolsista no UDF. Depois de um mês estagiando numa empresa concreteira, foi efetivado e faz até viagens em nome da empresa. Rodrigo Alves trabalha como vendedor numa loja de materiais de construção em Ceilândia. Caio Graco é professor de matemática de ensinos fundamental e médio e dá aulas numa escola particular. Apesar de ser docente há 18 anos, resolveu cursar engenharia civil para expandir seu campo de atuação e ter mais oportunidades. “Eu me identifico com a ideia de resolver problemas e acredito que o engenheiro é um grande resolvedor de problemas”, diz.

Colabore

A publicação do TCC do trio está garantida. Contudo, a apresentação em Abu Dhabi só será possível presencialmente caso o grupo consiga dinheiro. São necessários cerca de R$ 15 mil para cada. O trio busca apoio em financiamento coletivo. Para ajudar, acesse: vaka.me/622196. 

Entenda o TCC 

Você já passou por uma rodovia brasileira e notou vários buracos, ondulações e até fissuras? Isso acontece porque a maior parte das estradas do país adotam pavimentos flexíveis que são feitos de asfalto — material sólido obtido por meio da destilação do petróleo — e tem baixa durabilidade. Esse tipo de pavimento é adotado por causa do baixo custo de implementação, contudo, com o aumento do preço do petróleo, o investimento passou a ser quase igual ao do segundo tipo de pavimentação: o rígido. Feito com placas de concreto ou cimento, a segunda opção é mais utilizada nos EUA e na Alemanha por ter maior durabilidade. No estudo, os futuros engenheiros pelo UDF descobriram que, ao aumentar a espessura das placas de concreto no pavimento rígido, a vida útil da rodovia é ampliada, e o custo-benefício acaba sendo melhor que do asfalto. Eles concluíram que implementar esse pavimento no Brasil pode trazer economia ao governo e às empresas do ramo, além de diminuir os problemas e a frequência de manutenção das pistas.
 


*Estagiária sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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